04 de abril de 2026
Geral

Mara Lucia ganha livro documental

Ana Beatriz Garcia
| Tempo de leitura: 2 min

Sérgio Fleury Moraes/Jornal Debate
Os memorialistas Celso Prado e Junko Sato Prado justificam o título da obra pelo fato de, na opinião pública, tratar-se de um crime que "não está prescrito e jamais prescreverá"

Passados mais de 40 anos de um dos crimes mais chocantes e simbólicos de Bauru, os memorialistas Celso Prado, 66 anos, e Junko Sato Prado, 69, reuniram no livro "Mara Lucia Vieira - um crime sem prescrição", lançado no início deste mês, um apanhado detalhado sobre o caso.

O casal de memorialistas de Santa Cruz do Rio Pardo (90 quilômetros de Bauru) lançou a obra digital no último dia 3 e ainda planeja lançar o livro em versão física entre a última quinzena de maio e a primeira de junho. "O livro todo é fundamentado em documentos. Algumas entrelinhas também foram colocadas, mas são muito raras. Nós nos ativemos aos registros", afirma Celso Prado.

Segundo o escritor, a pesquisa e o interesse em relação ao caso começaram há muitos anos, quando a filha de Celso teve acesso aos autos do processo. "Passaram-se os tempos e, nos últimos anos, Junko e eu resolvemos reunir esse caso em um livro. Temos noção de que se trata de um crime polêmico, que marcou muito a cidade de Bauru e toda a região, inclusive, sacudiu até os alicerces do Brasil, na época. Sendo assim, pensamos em lançar primeiro na Internet para conferir a resposta do público e poder realizar algumas correções. É quase como uma experiência", afirma Celso Prado.

Reprodução
Encarte do livro "Mara Lucia Vieira- um crime sem prescrição"

Ainda que baseada em muitas e muitas páginas dos autos do processo, o autor destaca que se trata de uma leitura fácil e acessível a quem se interessar pelo tema. "Nossa linguagem é simples. O texto é exposto de uma maneira singela, inteligível a maioria dos leitores", frisa.

O CRIME

Em 1970, a menina de nove anos Mara Lucia Vieira foi dada como desaparecida quatro dias antes de seu corpo ser encontrado com marcas de abuso sexual, violência física e estrangulamento, aos fundos de uma casa na rua Professor José Ranieri, em Bauru. Na época, testemunhas - entre elas um garoto que brincava com a menina - disseram ter visto a vítima, pela última vez, na companhia de um homem.

Dois suspeitos e várias testemunhas foram ouvidos, mas o crime, prescrito em 1991, ficou sem solução e sem nenhum punido.

"Na opinião pública, trata-se de um crime que não está prescrito e jamais se prescreverá. Existe uma lembrança muito viva e forte desse crime. Por isso, trazemos essa ideia no título do livro", finaliza o coautor Celso Prado.

PARA LER

O livro "Mara Lucia - um crime sem prescrição" está disponível gratuitamente no site www.satopradolivro.blogspot.com.br.