08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Destruição dos Índios

João Francisco Tidei Lima, professor aposentado
| Tempo de leitura: 1 min

Nesta conjuntura de lembranças e homenagens aos povos indígenas, permito-me relatar brevemente minha incursão por um pouco da história dos que habitavam a região de Bauru em inícios do século XX.

À altura de 1905, Bauru, com população de 500 pessoas, foi alcançada pelos trilhos da Estrada de Ferro Sorocabana e deu a saída na construção da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil. Em 1910 terá os trilhos da Companhia Paulista de Estradas de Ferro e uma população de 10 mil pessoas, 20 mil no município, com mais de 2 milhões de cafeeiros.

Em 1911, como sabemos, seria sede de comarca. Um crescimento rápido, característico das chamadas frentes pioneiras. E que custou, por isso mesmo, a demolição violenta da sociedade indígena, os Caingangues, primeiros ocupantes do território. Tropas de bugreiros - matadores de índios - foram contratados por fazendeiros e empreiteiras que construíam a E. F. Noroeste em direção a Mato Grosso.

A invasão dos novos proprietários também contaminou o Caingangues com epidemias de gripe e de sarampo. Os sobreviventes, reunidos em reservas, em 1921, eram 173. Conheci a fundo a tragédia desse povo, objeto do mestrado que concluí na Universidade de São Paulo (USP) em 1978, sob orientação do professor Eduardo D`Oliveira França e também com preciosas indicações de seu assistente, o professor Fernando Antonio Novais.

Durante as pesquisas convivi com os irmãos Orlando e Álvaro Villas Boas, e conheci um pouco do seu admirável trabalho junto ao Serviço de Proteção aos Índios, e depois junto à FUNAI (Fundação Nacional do Índio).

Consegui levar o Orlando para conversar com meus alunos da Unesp, em Assis, e fui conduzido pelo Álvaro na visita inesquecível à reserva Caingangue de Vanuire em Tupã, onde conheci uma sobrevivente da guerra contra os conquistadores, a índia com apelido de Mulata, 100 anos de idade.