04 de abril de 2026
Geral

Entrevista da Semana: Gregório Smirne Ayub

Thiago Navarro
| Tempo de leitura: 7 min

FUTURO NAS PISTAS

Samantha Ciuffa
Gregório com alguns dos principais troféus que ganhou nos últimos anos

O jovem bauruense Gregório Smirne Ayub já sabe o que quer para sua vida. Aos 18 anos de idade, e há seis no automobilismo, ele busca chegar longe na modalidade e sonha um dia disputar a Fórmula 1. Em sua trajetória até aqui, ele já demonstrou potencial, vencendo inúmeras provas no kart, tanto no Interior quanto na Capital paulista, e agora já planeja competir em outras categorias de destaque nacional, como a Fórmula VEE ou a Fórmula Inter e, mais adiante, ir para campeonatos nos Estados Unidos ou Europa - o que envolve também busca por novos patrocínios.

Gregório destaca que Bauru está em uma área com destaque no automobilismo. Pilotos da cidade e região já competiram em competições internacionais, e há bons pilotos buscando seguir o mesmo caminho. Em paralelo aos campeonatos, ele cursa o segundo ano de direito na Instituição Toledo de Ensino (ITE), em Bauru. A seguir, os principais trechos da entrevista:

Arquivo pessoal
O piloto bauruense em uma das corridas disputadas

JC - Como surgiu o gosto pelo automobilismo?

Gregório - Desde pequeno, eu já gostava de automobilismo, assistia muito o (Michael) Schumacher correndo, e também gostava de jogos de corrida no computador. Aos 12 anos, meu pai me levou pela primeira vez no Toca da Coruja (kartódromo). Eu comecei correndo sozinho, para treinar, porque eu não conhecia muito ainda.

JC - E as primeiras provas, quando foram?

Gregório - No começo eu treinava sozinho ou com outros pilotos que estavam começando. Estava aprendendo. Depois que inaugurou o outro kartódromo aqui de Bauru, que na verdade fica em Agudos, fui participar de uma corrida de kart lá, e ganhei. O diretor de prova me indicou para algumas pessoas, por causa de um campeonato que já estava em andamento, em 2013. Era o Campeonato de Kart Amador. Pegava o pessoal de Bauru, Jaú, aqui da região, e foi um bom começo. Nas primeiras corridas consegui alguns bons resultados e terminei o campeonato em oitavo. No ano seguinte, comecei disputando desde a primeira etapa, e fui para outros campeonatos também na região.

JC - Em quais campeonatos você entrou depois?

Gregório - Eu fui competir no campeonato da Associação de Kart Amador do Interior (Akai), que tem mais gente. Fazem uma seletiva e pegam várias cidades do Interior do Estado. Nesse meio tempo, fui correr em São Paulo, já em 2016. Cheguei no meio do ano, porque são dois campeonatos por ano, um em cada semestre, no kartódromo que tem ao lado do Autódromo de Interlagos. Foi a primeira vez que corri contra o pessoal da Capital. No começo, não consegui ganhar nada (risos). E lá tem uma rivalidade entre as cidades, com o pessoal do Interior, porque a maioria é da Capital ou de cidades próximas, já se conhecem, então quando chega alguma equipe do Interior é mais difícil.

Arquivo pessoal
Kart é a base para a maioria dos pilotos e agora Gregório já pensa em outras categorias

JC - Competir em São Paulo foi muito diferente então?

Gregório - Esse é um campeonato importante, que é a Confraria do Kart, acho que está no mesmo nível de outros campeonatos do Estado. A maioria das provas é na Granja Viana, Interlagos, ou em cidades perto de São Paulo. No ano passado, consegui ficar em terceiro lugar por equipes, e no semestre seguinte fui campeão. Ganhei três provas e nas outras três fiquei em segundo lugar. Tive que aprender a jogar mais pesado, não deixar outro piloto te jogar para fora da pista. A maioria lá é mais velho, já conhece bastante, inclusive as pistas, e tem o grid invertido, ou seja, quem vence uma prova, começa em último na seguinte, então é um desafio ultrapassar 25 carros para chegar a uma outra vitória na prova.

JC - Até hoje, qual a prova que foi mais desgastante?

Gregório - Este ano tive uma prova bem cansativa na Akai, em Birigui, mas era por equipe, durante seis horas. Como revezava, ajudava, mas estava bastante calor. Individual, a mais difícil foi no ano passado, no campeonato que eu ganhei na Confraria do Kart, também estava bastante calor. Eu não conseguia bater os tempos e larguei no final. Tive que passar todos para conseguir ganhar. Saí da corrida cheio de bolhas nas mãos, quando eu tirei a luva já tinha até estourado as bolhas. Na hora, achei que era o volante que estava quente, mas era bolha mesmo. Cada prova dura meia hora, mas a gente corre duas de uma vez, então é uma hora.

JC - E neste ano, como você está nas competições?

Gregório - Neste domingo (hoje) vou competir a terceira prova da Confraria do Kart deste ano, em São Paulo. Ganhei a primeira na Granja Viana e na seguinte em Paulínia fiquei em segundo. Agora já estou fazendo tempos melhores lá. Nesse campeonato, os karts são só para as provas e todos são quase iguais. É raro quebrar um kart, por exemplo. Vai predominar mesmo o piloto, a disputa fica mais entre os pilotos.

Arquivo pessoal
Gregório no pódio após uma das corridas de kart que venceu

JC - Para chegar a uma Fórmula 1 ou Indy, qual o caminho a ser percorrido?

Gregório - As coisas mudaram bastante no Brasil. Hoje, as competições no Brasil que eu vou tentar chegar no futuro é a Fórmula VEE ou a Fórmula Inter.

JC - Dos pilotos brasileiros, quais foram referências para você?

Gregório - O Ayrton Senna eu não vi correr. Só vi por vídeos depois, mas ele era realmente diferenciado nas corridas, um piloto perfeito, não tinha medo de ultrapassar, aproveitar qualquer espaço, era arrojado. Isso é algo que eu sempre procuro trazer para as corridas. O Rubens Barrichello e o Felipe Massa também foram bem, mais recente, esses eu já consegui ver. O Massa ficou muito perto de ser campeão, lá em Interlagos, então tivemos pilotos que se destacaram bastante. Os dois sempre foram procurados pelas equipes para renovar, porque tinham qualidade e eram competitivos.

JC - Depois de mais de 40 anos, o Brasil não tem um piloto na Fórmula 1. Como você acha que isso interfere para os mais jovens que estão buscando espaço?

Gregório - Acaba sendo frustrante, porque mostra que aqui no Brasil não tem tantos caminhos para chegar a uma categoria como essa. Hoje você tem que sair do País para buscar espaço. É algo que para o futuro eu penso. Teria que ser Estados Unidos ou Europa. Ainda tenho mais etapas no Brasil antes disso. Quero chegar ao limite aqui. Depois, ir para fora é algo que atualmente o piloto acaba buscando para depois chegar em uma Fórmula 1, para ter esse espaço.

JC - E a Stock Car, que já ajudou a revelar, hoje tem mais pilotos experientes que estão voltando ao País. Isso é bom ou ruim?

Gregório - Eu acho que aumenta o nível, por ter pilotos experientes, mas claro que fica mais difícil para os pilotos mais novos chegarem.

Arquivo pessoal
Gregório com a irmã Stella Ayub, a mãe Patrícia Ayub e o pai Adib Ayub Filho

JC - De certa forma, as pessoas ainda ficam esperando um 'novo Senna', o que atrapalha os pilotos brasileiros.

Gregório - Eu acho que sim. Mesmo dentro do Brasil, quando alguém ganha, as outras pessoas já falam que pode surgir um novo Senna, fora do País também. Ele marcou muito. As pessoas começaram a acompanhar mais o automobilismo por causa dele. Acho que cada piloto tem sua forma de dirigir, uma personalidade. Você pega o caso do Tony Kanaan, é um grande piloto, já ganhou Fórmula Indy, e muita gente no Brasil nem conhece, ou não sabe que é brasileiro.

JC - Fora das corridas, você continuou estudando?

Gregório - Eu faço o curso de direito na ITE, é a mesma profissão do meu pai. Acho importante ter uma outra profissão. Sempre temos que pensar em todas as possibilidades para o futuro.

Perfil

Gregório Smirne Ayub nasceu em 23/7/1999 (18 anos), em Bauru. Seus pais são Adib Ayub Filho e Patrícia Smirne Ayub. Ele tem três irmãos, Stella, Daniel e Marcos. Gosta de filmes de ação e tem como estilo musical preferido o rock, tanto nacional quanto internacional. Além do automobilismo, gosta de futebol americano, hóquei e air soft, esportes que também já praticou e acompanha.