Estudos recentes liderados por pesquisadores americanos mostram que alterações no estilo de vida são tão eficazes quanto terapias médicas para reduzir a mortalidade por doenças. Não à toa, foi criada nos Estados Unidos uma nova especialidade da medicina que estuda justamente como curar e prevenir enfermidades simplesmente modificando aspectos da rotina do paciente.
"Esta especialidade tem como função tratar a causa. Atualmente, grande parte das doenças é totalmente evitável, e, apesar de vermos vários avanços em tecnologias e descobertas científicas, ainda morremos de enfermidades previsíveis", diz Silvia Lagrotta, especialista em geriatria e medicina do estilo de vida.
Doenças como cardiopatias e pneumopatias, acidentes cerebrovasculares, câncer e diabetes são as que mais matam, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), e podem ser prevenidas com hábitos de vida saudáveis.
"A medicina do estilo de vida é uma forma de unir diversas abordagens preventivas e de tratamento de várias especialidades, baseadas em evidências científicas de comportamento", explica Gabriel Rozin, clínico geral e especialista em medicina do estilo de vida do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo.
Os médicos do estilo de vida fazem uma análise histórica de seus pacientes e dão orientações personalizadas, a fim de tornar a rotina deles mais saudável. "Nesta especialidade, nós fazemos nosso papel de médico, prescrevendo remédios, pedindo e analisando exames, mas também desempenhamos nosso lado de coach de saúde, dando ferramentas para que o paciente esteja cada vez mais em dia com a sua saúde", pontua Silvia.
Quando o paciente é diagnosticado com algum problema de saúde, o médico do estilo de vida trabalha de maneira complementar ao especialista no tratamento. "Considerando que as faculdades de medicina, no geral, não dão aulas específicas sobre nutrição e atividades físicas, por exemplo, a medicina do estilo de vida aborda o tratamento de maneira mais ampla", conclui Gabriel.
|
APRENDA A LIDAR COM O ESTRESSE
Silvia Lagrotta, geriatra e especialista em medicina do estilo de vida, avalia que cabe a cada um mudar o estilo de vida, sair do sedentarismo e aprender a lidar com o estresse.
Qual a importância de trabalhar com o paciente os pilares da medicina do estilo de vida?
Silvia Lagrotta - Levando em consideração que, segundo a OMS, o sedentarismo é o quarto maior fator de risco para mortes, é importante que todos tenham noção de como é ruim não fazer atividade. Já o estresse afeta cerca de 90% da população mundial. A pessoa estressada vive com uma deficiência em seu sistema imunológico. No pilar "relacionamentos", sabe-se viver isolado aumenta em até 40% as chances de morte precoce. E quando o pilar é o sono, sabemos que é um dos principais reguladores neurológicos, mas parte considerável da população mundial tem insônia. Já na questão da nutrição, usamos a comida como remédio.
O que pode ser tratado por meio desta especialidade?
Silvia Lagrotta - Aquelas doenças não transmissíveis, como o câncer. Tratando a causa da doença, conseguimos estabilizá-la e até revertê-la em alguns casos. É claro que câncer se trata com técnicas como quimioterapia, e a medicina do estilo de vida entra como tratamento complementar. Mas, depois que aquela primeira enfermidade for tratada, você estabiliza sua saúde e corre menos risco de ter outras doenças.
|