Tibiriçá tornou-se distrito de Bauru criado pela Lei estadual nº 1.675, de 9 de dezembro de 1919. Embora muitas pessoas pensem que esse distrito recebeu diretamente o nome do cacique Tibiriçá, aparentemente se enganam, pois a estação ferroviária desse distrito foi denominada de Presidente Tibiriçá, em homenagem ao Presidente do Estado Jorge Tibiriçá Piratininga e, consequentemente, essa denominação foi adotada pelo distrito, que teve seu nome reduzido para Tibiriçá, pelo decreto nº 14.334/44.
Por que o distrito foi denominado Tibiriçá?
Foi uma homenagem ao presidente do Estado Jorge Tibiriçá Piratininga, pois ele participou da viagem inaugural promovida pela Estrada de Ferro Noroeste do Brasil, em 27 de setembro de 1906. Assim teve seu nome perpetuado nesse distrito onde o primeiro trem fez uma breve parada. O homenageado nasceu em Paris, em 1855. Filho do abastado João de Almeida Prado Filho, senhor de engenho e dono das fazendas de Itaici e Tranqueiras, em Itu que, pelo seu bairrismo, acabou batizando o filho substituindo seus sobrenomes em homenagem ao cacique Tibiriçá e a denominação antiga da cidade de São Paulo. A mãe dele era francesa, Pauline Eberlé, que faleceu em Paris durante o cerco provocado pela guerra franco-prussiana.
Jorge estudou num colégio da Suíça e depois pós-graduou-se em Agronomia em 1877, pela Escola de Hohennheim (Alemanha) e, em 1879, em Filosofia pela Universidade de Zurique. Seu pai faleceu em 1888, assumindo Jorge os negócios da família e passando a administrar até 1890, a Estrada de Ferro Mogiana. Foi depois nomeado por Deodoro para o governo de São Paulo, sendo exonerado em 1891, quando a Constituição passou a vigorar.
Foi governador eleito no período de 1904 a 1908, promovendo construção de escolas, modernização da Força Pública e ampliação das ferrovias. Em seu governo enfrentou uma crise cafeeira provocada por superprodução do produto. Arrendou a Estrada de Ferro Sorocabana, mas depois reassumiu a mesma, nomeando o engenheiro Alfredo Maia para sua superintendência. Jorge foi membro do Tribunal de Contas. Faleceu em São Paulo em 30 de setembro de 1928. Como se observa, seu pai, ao nominá-lo com o sobrenome Tibiriçá Piratininga, indiretamente homenageou o índio Tibiriçá, o primeiro nativo a ser catequisado pelos jesuítas, dentre eles José de Anchieta. Com o batismo, esse índio recebeu o nome cristão de Martin Afonso, em homenagem ao fundador de São Vicente. Falecendo, foi enterrado numa cripta da Catedral Metropolitana da Sé, em São Paulo.
Mais uma curiosidade foi revelada por Josefina Campos Fraga no livro "Recontando", quando a zona Noroeste era terra desconhecida habitada pelos índios Kaigang. Quem avançasse "além da vila de Bauru... o que se encontrava era uma mata densa e pujante. Por volta de 1902, os irmãos Fraga: Constantino, Afonso e Antônio, adquiriram dos herdeiros de Faustino Ribeiro da Silva uma gleba de quase cinco mil alqueires paulista, situada na margem esquerda do Rio Batalha." Dessa imensa área, com o tempo, parte serviu para a formação de Tibiriçá.