| Fotos: Douglas Reis |
| Karen Cristina Dunder, chefe da Polícia Federal de Bauru e Ana Carolina de Freitas Gholmie, delegada do caso; pen drive e notebook apreendidos pela PF |
| Pen drive e material apreendido pela Polícia Federal em Potunduva |
A Polícia Federal de Bauru prendeu preventivamente, na manhã dessa quinta-feira (26), um homem de 30 anos suspeito de produzir vídeos e fotografias de pornografia infantil com uma criança de sua família e compartilhar o conteúdo na obscura plataforma Deep Web. O suspeito foi preso na casa onde mora com a mãe e uma irmã, no Distrito de Potunduva, em Jaú (47 quilômetros de Bauru).
A ação faz parte da segunda fase da Operação Underground, que visa combater a pornografia e exploração sexual infantil, e também ocorreu nos Estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro, Goiás, Pernambuco, Maranhão e Acre. Até o momento, foram contabilizadas 15 vítimas em todo país, de bebês até crianças de 12 anos.
Em Potunduva, foram apreendidos um pen drive, um HD de um computador e o notebook utilizado pelo suspeito, além de três porções de maconha e duas balanças de precisão, encontradas na casa do acusado. Peritos da Polícia Federal estiveram no local.
Segundo a delegada responsável pela operação, Ana Carolina de Freitas Gholmie, entre o grupo dos envolvidos, há quem, efetivamente, abusava sexualmente de crianças registrando as imagens. "Já identificamos a criança que teria sido abusada, ela tem entre 10 e 12 anos e é parente dele. Mas a investigação continua e vamos analisar com mais cautela as imagens recuperadas hoje", afirma. No entanto, nenhum menor estava na casa do suspeito.
Ainda segundo Ana Carolina de Freitas Gholmie, o homem afirmou que tinha a prática há muito anos. "Ele produzia vídeos e imagens em posições pornográficas e disponibilizava como isca para os outros integrantes deste grupo. Esse conteúdo era disponibilizado na Deep Web onde vendiam ou trocavam os arquivos ilícitos", explica.
AGRAVANTES
De acordo com a chefe da Polícia Federal de Bauru, Karen Cristina Dunder, o homem, que foi trazido à sede da PF em Bauru, será encaminhado a um presídio especializado, por questões de segurança, e responderá por três crimes. "A equipe de Bauru cumpriu o mandado de busca e apreensão expedido pela Justiça Federal de São Paulo. Na casa do suspeito, foram encontrados droga e material pornográfico infantil compartilhado no momento, o que leva aos outros flagrantes lavrados em Bauru. Então, ele responderá pela investigação de São Paulo e, agora, pelo compartilhamento de pornografia e pelo tráfico de drogas", afirma. O suspeito passará pela audiência de custódia em Jaú.
O crime de publicação de imagens de pornografia infantil prevê pena de 3 a 6 anos de reclusão. Já o estupro de vulneráveis prevê de 8 a 15 anos de prisão.
COMBATE À PEDOFILIA
Segundo a Polícia Federal, nesta segunda fase, desenvolvida após a prisão de 21 pessoas em 2017, em várias regiões do País, novas incursões dos investigadores foram realizadas na obscura e paralela plataforma da Deep Web, resultando na identificação de um grande grupo de produtores de material de exploração sexual de crianças. Outras 9 pessoas foram presas em flagrante e ainda há 11 mandados de busca e apreensão.
Ainda de acordo com a Polícia Federal, foram praticadas modernas técnicas de investigação digital no ambiente da Deep Web, desenvolvidas pela própria PF, pela qual chegaram a um grupo com abrangência nacional, integrado por 13 pessoas, que se comunicavam em ambiente cibernético. E era neste local virtual que ocorria o comércio das imagens ilícitas (veja mais).
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Entenda a Deep Web
A Internet, como nós conhecemos, é apenas a ponta de um grande iceberg, com gigantescos dados criptografados e impossíveis de serem localizados por buscadores, como o Google, o Bing e o Yahoo!. Na verdade, os resultados que são indexados por esses sites de pesquisa compreendem uma ínfima parte do que a Internet realmente representa.
O que vemos no dia a dia é chamada de Internet Surface Web, que compreende todos os sites que você navega rotineiramente. Todos eles fazem parte de uma porção muito pequena do que a grande rede realmente é. Já o resto, paralelo e considerado obscuro, é a Deep Web, também chamada de deepnet ou undernet. Essa plataforma é utilizada por hackers, criminosos, pedófilos e terroristas, onde se vende de tudo, de armas até pessoas, segundo especialistas. De acordo com eles, abaixo dela ainda existe a Dark Internet.
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