09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Tiro de Guerra 02-054, Bauru

Hilário Nunes da Silva, sempre atirador
| Tempo de leitura: 3 min

Na década de 80, mais precisamente em 1981, iniciei o Tiro de Guerra. Após vários exames, o "A" de aprovado foi gravado em meu peito! Difícil imaginar dia mais feliz que esse, pois sempre tive vontade de servir o Exército, tentei em vão ir para a cidade de Lins, pois naquela cidade existia a possibilidade de prosseguir na carreira, todavia, sem sucesso. Servi em Bauru, adorava e ainda hoje, já bordejando a maturidade, gosto daquele verde oliva. Durante toda a prestação do serviço militar, fui de uma assiduidade ímpar, pois não faltei nenhum dia, a farda sempre muito bem passada (pela minha mãe..), cabelo aparadíssimo, coturno brilhando, graças aos macetes de meu pai, que foi policial militar e me ensinou lustrar as botas usando velas!

Marchar, aprender a manusear o fuzil, noções de cidadania, educação moral e cívica, aprender os vários hinos, em especial a canção do infante, que na minha opinião é a mais linda, aprender a viver em comunidade, e muito mais, saí do tiro com certeza bem melhor do que entrei, mais cônscio de minhas responsabilidades, com mais amor aos símbolos nacionais e ao próprio Brasil.

Me recordo que de maneira geral todos meus companheiros eram imbuídos do mesmo sentimento de ali no Tiro aprender algo de bom, que nos marcasse a vida... e assim foi.

Em determinada manhã, o então sargento Valezi perguntou quem seria ser voluntário para executar um difícil trabalho de entrar em uma caixa localizada no chão e ali retirar toda a sujeira, pois essa sujidade impedia o caminho livre para escoamento relativo ao nosso desasseio. Entrei e com um balde, ia executando o serviço e, para amenizar o dia quente, iam me dando leite gelado. Lembro de meus colegas que me perdoem o trocadilho achando hilário, a situação, contudo, ao término do bom trabalho executado, o sargento disse para que eu jogasse o uniforme fora, todo emporcalhado, pois ele iria me dar outro novo. Pedi para ficar com a gandola, levei para casa, lavei, tingi de preto e durante muito, mas muito tempo, usei-a orgulhoso! Algum tempo depois foi lido em forma um elogio para minha pessoa, referente a esse trabalho, o que muito orgulhou a mim e meus familiares.

Já o sargento Valezi, pelas boas qualidades, merece um capítulo à parte. A primeira vez que o vi, tremi na base: olhos bem claros, parecia que sabia de toda nossa vida, de nossos erros, principalmente, impecavelmente fardado, com todos vincos que tinha direito, juro dava para arrumar nosso cabelo na sua bota de tanto que brilhava, duro, mas justo, profundo conhecedor das suas funções. Na época eu não compreendia bem as suas atitudes, eu era muito novo, imaturo, mas hoje quando o vejo na mesma padaria que vou, diga-se de passagem, praticamente nada mudou, exceto os cabelos que como o meu foram emoldurados de branco, conversando com ele percebo um grande homem, que não poderia ser diferente naquela época, já pensou lidar com centenas de jovens, sendo "bonzinho"? Não, ele não acabava "vivo" o Tiro... Obrigado, grande sargento, por me forjar no bom caráter, ensinando a ser probo e ilibado! Graças ao senhor eu e muitos outros somos pessoas melhores. O senhor era e sempre será verdadeira lâmpada acesa de exemplo e sabedoria. Vale ressaltar que existiam outras turmas com mais dois sargentos igualmente competentes. Sinto saudades daquele tempo, daquela foto que tiramos ao final do Tiro, no Parque Vitória Régia, todos os atiradores, sargentos e o então senhor prefeito Osvaldo Sbeghem ao centro. Contudo, hoje em dia, não percebo mais esse interesse, ao contrário, os jovens fazem o que podem para não servir. Não sabem o que estão perdendo, em amizade, sabedoria de vida! Então, senhores pais, façam de tudo para seus filhos servirem o Tiro de Guerra, os senhores não se arrependerão.