09 de julho de 2026
Regional

MPF solicita informações sobre asações de combate contra escorpiões

Lilian Grasiela
| Tempo de leitura: 3 min

Reprodução/Google
A atuação da Procuradoria Federal da República em Jaú alcança dez municípios da região

O Ministério Público Federal (MPF) em Jaú (47 quilômetros de Bauru) quer saber quais ações estão sendo desenvolvidas pelos governos federal, estadual e municipais para prevenir e combater proliferação de escorpiões na região sob a sua abrangência. Recentemente, um menino de seis anos morreu após ser picado por um escorpião no quintal de casa, em Barra Bonita, cidade onde não havia soro antiescorpiônico.

Segundo a assessoria de imprensa do MPF, o procurador da República Marcos Salati encaminhou, ao todo, 13 ofícios. Nas esferas federal e estadual, foram notificados para prestar informações o Coordenador Geral de Doenças Transmissíveis do Ministério da Saúde, o Centro de Vigilância Epidemiológica do Estado de São Paulo e o Departamento Regional de Saúde de Bauru (DRS VI).

O procurador também enviou pedidos de informações para os chefes do Executivo das cidades de Bariri, Barra Bonita, Bocaina, Dois Córregos, Igaraçu do Tietê, Itaju, Itapuí, Jaú, Mineiros do Tietê e Torrinha. Em razão do feriado prolongado do Dia do Trabalho, a reportagem não conseguiu acionar todos os órgãos e prefeituras para saber se eles já prestaram informações ao MPF.

Entre os pontos que a Procuradoria quer esclarecer, estão dados envolvendo aparecimento de escorpiões na região, quantidade de pessoas picadas e de óbitos decorrentes dessas picadas, informações sobre os critérios para disponibilização do soro antiescorpiônico às unidades de saúde, número de doses oferecidas e ações de prevenção à proliferação de escorpiões nas cidades.

MORTE

Conforme divulgado pelo JC, no último dia 14 de abril, Bryan Gabriel Alves, de seis anos, morreu após ser picado no pé por um escorpião no quintal da residência dele, no Jardim Nova Barra, em Barra Bonita. Logo após o acidente, ele recebeu os primeiros atendimentos no Hospital e Maternidade São José. Após cerca de 40 minutos, foi transferido de ambulância até a Santa Casa de Jaú. A transferência foi necessária porque o hospital de Barra Bonita não possui o soro antiescorpiônico. Em Jaú, Bryan recebeu o soro, mas o quadro de saúde dele já havia se agravado e ele foi levado à Unidade de Terapia Intensiva (UTI), onde foi entubado e morreu cerca de uma hora depois. A família do menino registrou um boletim de ocorrência (BO) pedindo apuração do caso.

Em nota, o Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE) da Secretaria de Estado da Saúde informou que a aquisição e distribuição de soro antiescorpiônico era de responsabilidade do Ministério da Saúde e que o envio de ampolas para São Paulo ocorreu com irregularidade e em quantidades insuficientes para a demanda mensal nos últimos meses.

Também em nota, o Ministério da Saúde declarou que a distribuição dos soros antiveneno segue análise feita pela Coordenação Geral de Doenças Transmissíveis (CGDT), que leva em conta acidentes causados por animais peçonhentos em cada estado, ampolas utilizadas, estoques nacional e estaduais e cronograma de entregas dos laboratórios produtores.

"O Ministério da Saúde envia doses de vacinas e soros aos estados, que são responsáveis por fazer a distribuição aos municípios, de acordo com as necessidades locais", afirma. "A definição das unidades de saúde que podem disponibilizar os soros antivenenos e a quantidade de ampolas enviadas a cada uma delas é prerrogativa dos estados".