Palmas sem remos comprimem as bordas de pequena embarcação. Abandona flutuação, lança em dúvida imersão.
Acolhido por fluído glacial, desperta lucidez e retorna com dificuldade. Agrava o cenário, não há o conforto térmico do passado. Ambas profundezas, estrelar e marítima, demostram sua insignificância.
Exausto pelas lutas do náufrago, novamente toca as águas, agora com a presença de um empuxo, inicia um gelado deslocar, resiste com o abrir dos olhos, turvam as estrelas de forma vitral, adormece em gradativa escuridão.
Ouve vozes de comando, contrárias aos seus apegos e desejos. Luminosidade o desperta, sonolento, assiste corpo seguir gravidade; confuso, observa-se, espectador, tenta um aflito auto resgate, em vão.
Desprendido, o veículo livre de energia vital, despenca no abismo do oceano.
Em plano sem lastro material, tenta um repique de verso religioso, nada que venha do íntimo, apenas um soletrar. - Pai nosso que - o choro interrompe solicitude. Deseja estar no ambiente ilusório dos sonhos.
Uma voz chega até sua mente, não nos ouvidos. Pede para não se preocupar com os pesares do passado nem as ânsias do futuro.
Balbucia, quase sem som: Não estou pronto. O coração revive momentos do pretérito, o inundar das narinas é disparado como flash, perseguido pelos desconfortos causados.
O medo se mescla com angustia e pitadas de desespero, rumina por tempo indefinido e burilador.
Sua convicção que a esperança prolonga os males, com a fantasia incerta de um dia encerrarem, mas nunca encerram-se, é ofuscada por sublime luz do resgate.