Toda vez que um professor tem a notícia do sucesso alcançado por um ex-aluno diz (ou tem vontade de dizer): foi meu aluno. É como se gritasse ao mundo que ele teve participação na formação desse doutor, desse engenheiro, desse professor. Que esses "meninos" também são seus filhos, pois os colocou no mundo das ciências, das artes e do saber. E teve mesmo. De fato, a maioria dos profissionais reconhece que chegou onde está graças ao incentivo e às lições da família e dos mestres. A sensação de felicidade que um mestre transmite ao lembrar-se de seus alunos é parecida à dos ginecologistas e obstetras quando dizem, orgulhosos: "Fui responsável por trazer mais de cinco ou dez mil pessoas ao mundo."
O fascínio que o professor exerce no comando da sala de aula às vezes transcende o propósito de ensinar. Seja no ensino médio, no cursinho ou na faculdade, é comum encontrar histórias de alunos ou alunas que se encantam e, as vezes, se apaixonam pelos mestres e suas aulas. O carisma e a simpatia usados para prender a atenção da classe, favorecem o início de uma relação que se eterniza. Recentemente presenciei o reencontro de um professor de Biologia do ensino médio com seu ex-aluno, hoje médico num Hospital de referência em São Paulo. Foi um show ver o discípulo cantar uma longa música, ensinada nas aulas há mais de quinze anos, sobre as vitaminas. O final foi selado com um grande abraço de ambos.
Nos encontros de turma, após trinta, quarenta ou cinquenta anos da formatura, há um clima de expectativa muito forte. A natureza, com o passar dos anos, provoca mudanças físicas que exigem, no início do encontro o uso de crachás de identificações. Alguns dizem: "nossa, você continua muito bonita! ". Afinal uma mentirinha do bem sempre ajuda e descontrai. Mas naquele momento, o importante é a celebração da saudade de um tempo feliz que todos viveram nos bancos escolares. Nela predomina a vontade de rever as pessoas e suas histórias. Os antigos mestres são lembrados, também, quase sempre, pelas suas virtudes pedagógicas. De vez em quando surgem lembranças não tão boas do rigor massacrante de determinado professor.
É! O tempo vai perdoar as "boas intenções" dos mestres que tiveram atitudes enérgicas em exagero no passado. Mas, com certeza, eles, também, se orgulham do sucesso atingido pelos seus alunos e foram seu promotor. Algumas Universidades premiam seus professores por meritocracia e, para classificá-los, utilizam modelos de avaliação docente em que as opiniões dos egressos têm pesos maiores, pois eles estão no mercado de trabalho e sabem reconhecer o que foi e o que não foi bom na academia, sem a preocupação de uma represaria, que o aluno que ainda está na Faculdade, pode temer. Os professores exigentes, que cumprem os projetos pedagógicos e que são pontuais, sempre são os mais bem avaliados. Plantaram a boa semente e a sociedade está contratando os melhores profissionais que passaram por suas aulas. Assim como os professores se orgulham dos "alunos filhos" que estão bem formados e tendo sucesso, os alunos que já se formaram, também, são gratos pelas suas lições e exigências durante a graduação.
Fico emocionado quando ouço uma pessoa dizer com os olhos marejados: "Ele foi meu professor". Mesmo que seja ao saber da morte do mestre, como ocorreu recentemente com a do professor Júlio Fernandes. Ela, como tantos docentes, se referiu a mais de cinco ou dez mil bauruenses com as palavras: "Ele foi meu aluno". E eles sempre falarão: "Ele foi meu professor".