04 de abril de 2026
Geral

Sorri coloca prazo final para soluções de 'erosão gigante''

Cinthia Milanez
| Tempo de leitura: 3 min

Douglas Reis
O problema, de acordo com a Sorri, ''se arrasta' há aproximadamente seis anos e preocupa

Há seis anos, a Sorri, em Bauru, sofre com uma erosão que teria começado no terreno da Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp) e avançado para a área onde está instalado um dos prédios do Centro de Reabilitação da instituição. Agora, o Conselho Diretor da entidade decidiu aguardar só até o fim do mês por providências e, se nada for feito, entrar na Justiça.

Conforme o JC noticiou no dia 10 de janeiro deste ano, o então presidente da Sorri, João Carlos de Almeida, o João Bidu, disse, na ocasião, que a Ceagesp já teria sido notificada várias vezes e que o Departamento Jurídico da Sorri preparava uma ação judicial.

Ainda de acordo com João Bidu, a instituição conseguiu, no ano anterior, que o serviço fosse realizado sem custo algum pela empreiteira responsável pelas obras das marginais da Marechal Rondon (SP-300), mas o trabalho não ocorreu, uma vez que a Ceagesp "enrolou" para autorizar a entrada da equipe na companhia.

Já o gerente-geral da Ceagesp, em Bauru, José Antonio Marise, declarou, na época, que o terreno da Sorri fica em uma posição mais elevada em relação ao da Ceagesp. Portanto, o problema da erosão teria se agravado quando a entidade construiu o prédio utilizado para a reabilitação das crianças.

Sobre a demora em autorizar a entrada de empresa para realizar o serviço gratuitamente, Marise esclareceu que a permissão se deu antes dos seis meses declarados pela diretoria da Sorri.

Samantha Ciuffa
Conselho da Sorri reunido: Antônio Augusto de Andrade, Ivan Francisco Ruiz Torres, Odair Sebastião Moreno, Célia Roccio Garcia Lopes, José Neto Rodrigues Ruiz, Aparecido Osvaldo Sevilhano, Evandro Ventrilho, João Carlos de Almeida (Bidu), Maria Elisabete Nardi, Maria Estela Rueda, Britto Júnior, Dinarte Batisteti, Valdir Aparecido Canal e Luiz Fernando Bento

Como o impasse não se resolveu, o Conselho da Sorri, agora, resolveu dar um prazo final antes de entrar na Justiça, como revela o seu atual presidente, Evandro Ventrilho. "Nós já tentamos contato com a Ceagesp várias vezes, mas sem sucesso. Estamos com medo de que a edificação ceda, caso haja outro período chuvoso", preocupa-se. 

Ainda de acordo com ele, uma reunião do Conselho anteontem decidiu por entrar na Justiça. Contudo, no final da tarde dessa terça-feira (8), após o JC entrar em contato com a Ceagesp sobre a situação, a companhia procurou a Sorri, segundo Evandro. "O pessoal de São Paulo me procurou e disse que, na semana que vem, mandará uma equipe para fazer um projeto e buscar uma solução. Fizemos uma nova reunião do Conselho e decidimos esperar esse prazo. Se, até o fim do mês, nada for feito, aí sim entraremos na Justiça".

LAUDO TÉCNICO

Engenheiro civil e de segurança do trabalho, Marcos Wanderley Ferreira apresentou um laudo técnico, no qual constatou que a causa da erosão é a falta de manutenção do talude. "Na verdade, era para ter sido construído um muro de arrimo e, agora, quem modificou a topografia do terreno é responsável por sua estabilidade", explica o profissional.

Segundo a diretora executiva da Sorri, Maria Elisabete Nardi, quando a Ceagesp realizou a terraplanagem no terreno, não fez o muro de arrimo, mas um talude, que não passou por manutenção. "Só não procuramos a Justiça em janeiro, porque a Ceagesp fez uma proposta, porém, até o momento, nada aconteceu", acrescenta.

Membro do Conselho Diretor da Sorri, Britto Júnior revela, ainda, que o prédio próximo à erosão atende, diariamente, 600 crianças e adolescentes entre 6 e 14 anos, com os mais diversos diagnósticos, desde paralisia cerebral até autismo. "O buraco, de 100 metros de extensão e oito de profundidade, tomou conta de todo o Jardim Sensorial da unidade, uma grande perda aos assistidos", constata.

Em nota, a assessoria de comunicação da Ceagesp alega que já foi aprovada a verba para a contratação da empresa especializada, que desenvolverá o projeto estrutural da área. "Após a apresentação da proposta, prevista para daqui a 30 dias úteis, a companhia buscará parceria com a Sorri para a resolução do problema", complementa.