04 de abril de 2026
Geral

Com alerta do MP, começa a greve nos hospitais de Bauru

Bruno Freitas, Marcus Liborio e Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 4 min

Fotos: Bruno Freitas
Hospital de Base: funcionários se reuniram em frente ao local
Hospital Estadual: sindicato conversando com os trabalhadores
AME: movimento se concentrou em frente ao Hospital de Base
Famesp acionou a PM na maternidade. Segundo a entidade, não estaria sendo cumprido o percentual para serviços essenciais

Os funcionários da Saúde que atuam nos hospitais de Base, Estadual, Maternidade Santa Isabel e Ambulatório Médico de Especialidades (AME) entraram em greve, a partir desta quinta-feira (10). A decisão pela paralisação foi tomada em assembleia realizada pelo Sindicato dos Auxiliares e Técnicos de Enfermagem e Empregados em Estabelecimentos de Serviços de Saúde de Bauru e Região (SindSaúde) na última quinta-feira (3).

A entidade que representa a categoria passa agora pelas unidades para levantar o percentual de adesão. Ontem, o sindicato avaliava que, dos 2.500 trabalhadores que atuam em todas as unidades de Saúde, pelo menos 70% deveriam aderir ao movimento. Na oportunidade, afirmou, ainda, que manterá 30% dos funcionários trabalhando. Em setores de urgência e alas como oncologia e UTI, este percentual será maior.

Preocupado com o atendimento a pacientes, o promotor Enílson Komono, responsável pela área de Saúde Pública, fez um alerta: nos serviços considerados como essenciais, 100% dos trabalhadores devem permanecer trabalhando. De acordo com ele, que diz respeitar o movimento, caso haja negligência por conta da greve, ele tomará todas as providências para responsabilizar, inclusive criminalmente, quem possa ter contribuído por uma eventual morte, por exemplo.

Ele destaca que já existe uma pactuação neste sentido, decorrente do movimento grevista anterior, que durou 55 dias. “Não há desculpa para não se cumpra, já que estamos falando da preservação da vida de paciente. Espero que não tenha mortes e que eu não tenha que tomar providências porque seria bastante enérgico”, afirmou.

Na manhã de hoje, a Polícia Militar foi acionada para dirigir-se à Maternidade Santa Isabel. Segundo a assessoria de imprensa da Famesp, responsável pela gestão de todas as unidades paralisadas, a medida foi necessária porque os serviços essenciais não estão com 100% do efetivo.

QUEIXA

A categoria aponta que a Famesp teria retirado a terceira folga e outros benefícios. Já a Fundação critica a greve e alega que as negociações ainda não haviam sido encerradas.
Advogado do SindSaúde, Evandro de Oliveira Garcia alega que, em plena tratativa das negociações coletivas 2018-2019, a Famesp teria decidido, unilateralmente, subtrair e reduzir cláusulas e condições benéficas asseguradas à categoria ao longo de 13 anos de celebração de acordos coletivos com o sindicato, caracterizando recusa em negociar.
Segundo Garcia, a Fundação teria retirado a terceira folga; reduzido 5% do adicional noturno (de 45% para 40%); retirado o ticket alimentação de quem cumpre jornada de 6 horas; além de excluir o quinquênio e os 10% de adicional referentes aos setores especializados. "Eles também tiraram o plano odontológico".

PROPOSTA

Portanto, a proposta enviada à Famesp prevê reajustes salariais de 100% do INPC e 3,5% de aumento real; 5% no quinquênio; adicional noturno em 45% (mantendo o atual) e os 10% sobre o salário base de adicional referentes aos setores especializados.

Além disso, a categoria pede auxílio-refeição de R$ 25,00 por dia de trabalho para todos os trabalhadores (hoje, recebem somente quem atua no Base e na Maternidade); aumento do auxílio-alimentação (vale-compra) de R$ 330,00 para R$ 650,00 e auxílio-creche de R$ 180,00 para R$ 300,00.

O sindicato diz ter notificado a Famesp sobre a greve, por e-mail, em 4 de maio e, no dia seguinte, através dos Correios. Em 2017, a categoria parou por 55 dias. A ação judicial da paralisação passada ainda aguarda determinação do juiz. 

OUTRO LADO

Em nota, a Famesp informa que respondeu ao ofício do SindSaúde no dia 7 de maio, destacando que recebeu de forma surpreendente a notificação de greve, já que estão em curso as negociações coletivas 2018-2019 e ainda não foram encerradas as providências para a celebração de instrumentos normativos.

"A conduta de deflagrar greve no curso das negociações coletivas se contrapõe à pretensão externada em notificação do próprio sindicato de que a negociação coletiva de trabalho de boa-fé, com equilíbrio, bom senso e resultados é a melhor alternativa".
Diz ainda que elaborou nova proposta de aditivo à Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) para envio ao SindSaúde ainda nesta data e espera que possa ser apreciada pelos trabalhadores.

"Por fim, a Famesp reafirma que todas as medidas tomadas até o momento visam ao equilíbrio e à saúde financeira dos serviços estaduais sob sua gestão", finaliza.