10 de julho de 2026
Nacional

Marielle: Polícia tenta acordo com suspeito de ser mandante do crime

Estadão Conteúdo
| Tempo de leitura: 2 min

 Autoridades de segurança responsáveis pela investigação dos assassinatos da vereadora Marielle Franco (PSOL) e do motorista Anderson Gomes tentam negociar um acordo de colaboração premiada com o ex-PM Orlando Oliveira de Araújo, o Orlando de Curicica. Suspeito de chefiar uma milícia, ele é acusado de ser um dos mandantes dos crimes, ocorridos em 14 de março, e está preso por causa de outro homicídio. Na noite de quinta-feira, o delegado Giniton Lages, da Delegacia de Homicídios, esteve em Bangu 1, segundo a Polícia, para conversar com Araújo. O promotor Homero das Neves confirmou que também pretende conversar com Araújo na semana que vem.

RECONSTITUIÇÃO

A reconstituição do assassinato da vereadora do Rio de Janeiro Marielle Franco (PSOL) e do motorista Anderson Gomes, iniciada às 22h53 de quinta na esquina das ruas João Paulo I e Joaquim Palhares, no Estácio, região central do Rio, onde o crime foi cometido, terminou às 4h20 da madrugada de ontem.

O modelo da arma usada no crime, a distância e o ângulo em que os tiros foram disparados e até mesmo o grau de perícia do assassino são algumas das informações que os policiais da Divisão de Homicídios esperam obter com a reprodução simulada que durou cinco horas e meia.

O ACUSADO

Apontado por uma testemunha como um dos articuladores das mortes de Marielle e Anderson, Araújo acusou o delegado de ameaçá-lo para que confessasse a participação na execução da parlamentar. A informação é do advogado Renato Darlan, que esteve com Araújo na manhã de ontem. Segundo o advogado, não se trata da negociação de um acordo, até porque Araújo já negou participação no crime, mas, sim, de coação.

A Secretaria de Segurança confirmou que o delegado esteve na unidade "para ouvir o preso sobre o homicídio da vereadora". Em nota, a secretaria informou ainda que "mesmo após ter pedido a presença do delegado, o detento disse que não prestaria depoimento formal. O delegado explicou ao preso quais são os seus direitos e propôs que conversasse com o advogado antes de tomar uma decisão."

TRANSFERÊNCIA

O ex-PM estava preso preventivamente em Bangu 9, acusado de um assassinato com características de execução semelhantes às do crime de Marielle e Anderson e também por posse ilegal de arma. Segundo investigações do Ministério Público, Araújo é miliciano conhecido e atua na área de Curicica, na zona oeste. Sua defesa sustenta, no entanto, que ele é apenas um líder comunitário.

Na noite de quarta-feira, logo depois a divulgação das acusações, Araújo foi transferido de Bangu 9 para Bangu 1, que é um presídio de segurança máxima.

A Secretaria de Segurança informou que a transferência de Araújo já estava pedida desde o dia 25 de abril, "por conta de condutas criminosas que lhe são imputadas em outras investigações".