08 de julho de 2026
Esportes

'Irmãos de ouro'

Cinthia Milanez
| Tempo de leitura: 3 min

Fotos: Malavolta Jr.
Cleverson Pereira Júnior e Diogo Pereira conquistaram títulos importantes nos últimos cinco anos, incluindo mundiais

De origem humilde, eles viram no atletismo uma chance de mudar de vida. Os irmãos Cleverson da Silva Pereira Júnior, de 18 anos, e Diogo da Silva Pereira, de 14, são velocistas da Associação Bauruense de Desportos Aquáticos (ABDA) e conquistaram títulos importantes nos últimos cinco anos, incluindo Mundiais, mostrando que trazem a vitória em seu DNA.

O primogênito relata que conheceu o esporte através do Projeto Acaê, aos 7 anos. "Desde pequeno, eu me identifiquei com o atletismo e, aos 12 anos, me dediquei apenas a esta modalidade", narra. Deu tão certo que, em 2014, Cleverson conquistou o título de campeão brasileiro sub-16 da prova de 250 metros, que ocorreu em São Paulo. Em 2015, consagrou-se vice-campeão brasileiro interseleções da prova de 400 metros rasos, em São Bernardo do Campo, feito que repetiu em 2016 e 2017.

Ainda em 2016, o atleta foi campeão sul-americano com revezamento pela Seleção Brasileira, na Argentina, e campeão mundial individual pela Seleção Brasileira, na Turquia. Em 2017, foi campeão sul-americano do revezamento 4x100m, na Guiana. "O atletismo me proporcionou muitas coisas boas, inclusive, conhecer diversos lugares Brasil a fora, coisa que, há algum tempo, sequer imaginava", avalia.

Além de se dedicar ao atletismo, Cleverson está no 2.º ano no curso de Educação Física e o seu irmão do meio, Diogo, pretende seguir os mesmos passos. Aos 10 anos, o garoto começou a praticar atletismo, também através do Projeto Acaê. 

Em 2016, o garoto sagrou-se campeão brasileiro interclubes sub-16, em São Bernardo do Campo, e campeão brasileiro escolar com revezamento, em João Pessoa, na Paraíba. No ano seguinte, foi campeão brasileiro escolar individual, em Curitiba, no Paraná, e campeão sul-americano escolar, na Bolívia.

Neste ano, por fim, o atleta tornou-se campeão mundial escolar no revezamento medley (100m, 200m, 300m e 400m), em Marrocos. "Eu sou o irmão do meio. Temos, ainda, o caçula, Giovani, de 10 anos, que também pratica o esporte. O sucesso do meu irmão mais velho me inspirou bastante. Eu era preguiçoso, mas tive uma vontade enorme de começar a treinar e acabei pegando amor", revela.

TUDO JUNTO

Embora haja diferença de idade e de modalidade dentro do atletismo, Cleverson e Diogo costumam exercitar-se juntos. "É muito gostoso treinar em família, porque um motiva o outro e indica o que está errando, para chegarmos ao nosso melhor desempenho", complementa o primogênito.

"O caçula começou no atletismo aos 8 anos e, desde então, tem mais vontade de ser atleta do que nós, quando éramos pequenos. É legal ver que ele se espelha em nós", acrescenta o irmão do meio.

Os atletas alegam, ainda, que o que mais os agrada no atletismo é o fato de ser um esporte individual e exigir que os resultados dependam tão somente de cada indivíduo. "O nosso sonho, claro, é disputar uma Olimpíada. Estamos trabalhando para isso", antecipa Cleverson.

MAIS UM ESPELHO

Assim como os irmãos, o seu treinador, Alcides dos Santos Gonçalves Neto, também teve a quem se espelhar. "Eu comecei treinando atletismo com o meu avô, o cabo Alcides, que foi uma inspiração para mim", completa.

Ainda de acordo com o treinador, o atletismo da ABDA só vem crescendo - tanto a procura das crianças para participar do projeto quanto os resultados dos alunos. Atualmente, a iniciativa conta com a participação de 900 crianças e adolescentes.

A associação existe desde 2010 e atende, graças ao trabalho de voluntários e algumas parcerias com empresas privadas, 4 mil jovens, com natação, polo aquático, atletismo, além de uma orquestra e de um coral.

Malavolta Jr.
O treinador Neto Gonçalves também teve um espelho em casa: o seu avô, o cabo Alcides

Malavolta Jr.
Cleverson e Diogo treinam juntos, inspirando-se e apoiando-se mutuamente