09 de julho de 2026
BAURU

Baixa frequência no trabalho de dois chefes gera polêmica no Centrinho

Por Tisa Moraes | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Adauto Nascimento - HRAC-USP
Centrinho

A frequência no trabalho de dois chefes de seção do Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais da Universidade de São Paulo (HRAC/USP), o Centrinho, tem gerado polêmica e questionamentos entre servidores da instituição. Em contato com o Jornal da Cidade, eles relataram que os dois profissionais, nomeados entre o fim de 2019 e início de 2020, residem em São Paulo, por estarem lotados na USP da Capital, e só ficam em Bauru de um a dois dias a cada mês ou a cada bimestre.

Procurado pela reportagem, o Sindicato dos Trabalhadores da USP confirmou a situação. De acordo com os reclamantes, que preferiram manter suas identidades preservadas, um dos professores é Nivaldo Alonso, chefe da seção técnica de Cirurgia Craniofacial do Centrinho desde dezembro de 2019. Já Rubens Vuono de Brito Neto foi nomeado chefe da seção técnica de Otorrinolaringologia em janeiro de 2020.

Ele também é professor da Faculdade de Odontologia da USP de Bauru (FOB-USP) desde 2009, conforme informou a superintendência do Centrinho. Ambos ainda são coordenadores de residências médicas e práticas profissionalizantes (fellowship, ou seja, complementação da especialização) do HRAC, sendo que Alonso realiza este trabalho desde 2013.

"Estou plenamente satisfeito com o desempenho dos dois professores nas atividades desempenhadas no HRAC, em função da excelência de resultados dos serviços e dos programas acadêmicos que ambos lideram e coordenam e de suas inegáveis contribuições para o fortalecimento do prestígio da instituição", informou, por meio de nota, o professor Carlos Ferreira dos Santos, superintendente do Centrinho, afirmando que nunca recebeu queixas sobre os profissionais, mas sem confirmar ou negar se eles, de fato, permanecem pouco tempo no hospital.

RECLAMAÇÕES

Porém, conforme relatos de alguns servidores, os dois docentes desconhecem o dia a dia do Centrinho e não possuem vínculos com seus comandados, embora recebam verba de representação de R$ 1.400,00 por conta do cargo que exercem. No Portal da Transparência da USP, consta que Alonso recebeu, em 2021, salário mensal de R$ 8.273,25 por sua atuação no Centrinho e Brito Neto, R$ 7.269,92, além de mais R$ 2.723,28 mensais como professor da FOB.

Ainda assim, conforme descrevem os reclamantes, eles não assinam as escalas de plantão de seus subordinados, o que seria obrigatório, e respondem aos problemas de forma morosa por conta da distância e dos compromissos que também mantêm com a USP em São Paulo.

Membro da Diretoria Colegiada do Sintusp, Claudia Carrer confirma a existência deste descontentamento em parte dos servidores, expondo uma cisão entre grupos de profissionais que atuam na instituição.

SUPERINTENDENTE

Superintendente do Centrinho, o professor Carlos Ferreira dos Santos destacou ainda, em nota, que os dois professores assumiram a coordenação e vice-coordenação da Residência Médica em Otorrinolaringologia da instituição, quando ela estava em vias de ser descredenciada, e que se tornou, hoje, uma das melhores do País. Mencionou ainda o programa de fellowship (complementação da especialização após a residência médica) em Fissura Labiopalatina e Anomalias Craniofaciais, iniciado em 2021, que tem aprofundado a expertise de cirurgiões plásticos para atuação em serviços especializados.

A superintendência do hospital, inclusive, informou que o texto encaminhado à reportagem também é uma resposta dos dois profissionais citados.

"Adicionalmente, é preciso destacar o currículo notável de ambos. Tanto pelos serviços prestados - como as complexas cirurgias que coordenam -, quanto pela vigorosa contribuição acadêmica e científica, os dois professores contam com elevado reconhecimento entre seus pares, tendo recebido diversas premiações e ocupado importantes postos em sociedades científicas e de classe profissional nacionais e internacionais", acrescentou.

Santos também encaminhou breve currículo dos dois docentes. Nivaldo Alonso foi presidente da Associação Brasileira de Cirurgia Crânio-Maxilo-Facial, presidente da Associação Latino-Americana de Cirurgia Craniofacial e, desde 2020, é membro do Conselho Médico Consultivo global da Smile Train. Já Brito Neto foi o primeiro brasileiro presidente da Politzer Society (Sociedade Internacional de Cirurgia Otológica e Ciência) e recebeu o prêmio Rudolf Lang, concedido pela Sociedade Brasileira de Otologia aos grandes expoentes da especialidade no País.

"Além do mais, nunca chegou a mim qualquer reclamação sobre os serviços e programas acadêmicos liderados e coordenados por ambos os professores. Também não recebemos nenhum registro com reclamação sobre ambos. Pelo contrário, o que pode ser constatado é a confiança do grupo de médicos e residentes dos serviços e programas que ambos coordenam no trabalho desenvolvido", finalizou.