11 de julho de 2026
POLÍTICA

Análise: Sudeste será grande foco dos candidatos na última semana

Por | da Redação
| Tempo de leitura: 4 min
Divulgação
'Protagonismo do TSE nunca foi tão intenso desde que foi criado'

Entramos na última semana de uma eleição sem precedentes na história brasileira, que mexe com todos nós, praticamente sem exceção. O País está dividido, o pleito ganhou caráter plebiscitário, o nível da propaganda eleitoral é um dos mais baixos e a agressividade e ódio se sobressaem em relação às ideias e propostas.

 

O JC procurou o bauruense especialista em marketing político e comunicação eleitoral Kleber Santos para obter uma espécie de radiografia do momento e uma projeção sobre os próximos dias. Segundo ele, a corrida de Lula e Bolsonaro vai se concentrar na região Sudeste, principalmente em São Paulo, maior colégio eleitoral do Brasil. 

 

Falta uma semana para a eleição. O que os candidatos vão priorizar nestes dias?

 

Bolsonaro vai procurar focar prioritariamente São Paulo, que é o maior colégio eleitoral do Brasil com 22,6% dos eleitores e ele foi vitorioso aqui no primeiro turno. Em São Paulo ele almeja compensar a desvantagem em relação a Lula no Nordeste. Da mesma forma, o ex-presidente Lula está intensificando as últimas ações de campanha no Sudeste. Ambos focam essa região — principalmente São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro — porque foi aqui que no primeiro turno os chamados candidatos da terceira via obtiveram maior votação, cerca de 3 milhões de votos. Parte desses votos ainda flutua e para onde forem, definem o resultado. Podemos esperar uma semana intensa e tensa com impulsionamentos ultrassegmentados nas redes sociais, mobilização de ativistas por WhatsApp, muitos contatos pessoais, e devem continuar os ataques no horário eleitoral da rádio e TV, porque essa é uma das formas de ampliar a rejeição do adversário. Também vão fazer parte da agenda as carreatas, motociatas, caminhadas e comícios para demonstrar força, o que pode contribuir para influenciar os indecisos e motivar os apoiadores.

 

Os votos ainda não consolidados e alvos dos candidatos: o que são e quantos são?

 

Um dos últimos levantamentos realizados pelo Instituto Quaest indica que ainda existem aproximadamente 11% de votos flutuantes. Esse universo é composto de 5% que realmente não escolheram ninguém, mas vão escolher até domingo e os outros 6% que são eleitores que fizeram uma escolha sem muita convicção no primeiro turno e admitem mudar o voto agora no segundo turno. Esses percentuais somados representam em torno de 17 milhões de pessoas. Diferentemente das eleições de 2018, quando se sabia serem as mulheres o fiel da balança, agora em 2022 o leque está ampliado. Sabemos apenas que a grande maioria que pode mudar o voto pertence às famílias que ganham até cinco salários mínimos, e incluem mulheres e homens de todas as idades. Esse quadro amplo dificulta bastante na escolha da melhor abordagem e dos melhores meios por parte dos candidatos para se chegar a esse contingente.

 

Agora é melhor desacreditar o outro e sua experiência no governo (no caso da eleição federal) ou falar de si mesmo, de suas qualidades para tentar convencer os indecisos?

 

Essa campanha presidencial inédita na história do país, disputada por um ex-presidente e um presidente no cargo, não permite a nenhum dos dois candidatos inventarem narrativas, vender qualidades que não possui ou tentar carimbar no adversário, defeitos e desvios de caráter que ele não tem. Ambos são conhecidos dos eleitores, por isso, naturalmente, já há uma opinião formada sobre as duas histórias de vida e sobre os dois modelos de administração. Portanto, mesmo que determinado candidato queira esconder, criar ou distorcer fatos, essa tentativa de releitura não vai pegar porque está tudo muito fresco na cabeça dos eleitores. É de conhecimento geral que a pauta moral vem conquistando cada vez mais relevância na sociedade brasileira, então as crenças e visão de mundo de cada candidato terão um peso que nunca tiveram até hoje em eleição no Brasil.

 

As decisões do TSE podem influenciar nos rumos das campanhas e dos resultados?

 

Diferentemente de todos os pleitos anteriores, nessa eleição o TSE está assumindo um protagonismo nunca visto desde que foi criada por Getúlio Vargas, em 1932. Está indo muito além da análise de prestação de contas que é onde mais se via esse nome. É lógico que a Justiça Eleitoral tem o papel legal de julgar, normatizar, administrar o sistema e controlar todo o processo eleitoral no nosso país, mas dessa vez acendeu uma luz amarela na sociedade, porque ela está dizendo o que pode e o que não pode divulgar, então está havendo uma interferência que, por exemplo, os veículos de comunicação não vivenciavam desde o governo militar. É importante manter total vigilância. Qualquer sanção extrema de maneira equivocada, como a suspensão de veiculação da propaganda eleitoral, poderá influenciar e desequilibrar o resultado das urnas.

 

E as pesquisas, terão menos influência após os erros do 1º turno?

 

Com os erros significativos registrados no primeiro turno, não há dúvida de que houve perda de confiança e de influência. Eu diria que nesse segundo turno os eleitores estão mais críticos e seletivos em relação aos institutos de pesquisa. A meu ver, a percepção do movimento nesses últimos dias e a intuição vão influenciar muito mais do que os índices e gráficos que serão mostrados nesta semana em programas como o Jornal Nacional.