No início dos tempos, o homem perambulava por aí colhendo frutas e caçando animais, essenciais para sua existência, até que estes alimentos começaram a rarear na natureza. Os humanos foram forçados a se fixar para plantar, dando o início à agricultura, construíram também suas casas, originando as cidades, e tudo isto começou aos poucos em várias partes do mundo, alguns lugares há cerca de 11 mil anos. Estávamos no limiar do nascimento das civilizações e, com elas, as interações entre as pessoas, o comércio de bens e serviços, uma vez que gradualmente começaram também os empreendimentos (padarias, açougues, ...). Bem, depois surgiu o dinheiro, um artifício prático para facilitar as trocas, com ele se tornando um símbolo do poder, indicando que a verdadeira riqueza de uma pessoa é "poder fazer as coisas". Entretanto, o dinheiro só serve bem se você estiver num lugar que ofereça as várias atividades que deseja, como, por exemplo: se alimentar bem; se divertir; viajar pra onde quiser; ter uma roupa que lhe agrade; cursar uma boa escola; ter bons médicos e hospitais..., enfim, poder ter liberdade e saúde para aproveitar a vida. Ter dinheiro num lugar que não possibilita isso, é quase igual a ter dinheiro no deserto, que não serviria pra nada.
Estas múltiplas atividades, que podemos usufruir, encontramos muito mais num País democrático e capitalista (USA, Japão, Alemanha...) do que em qualquer outro sistema. Lembrando que "democrático" se caracteriza pelo fato do povo ser o soberano da nação, que elege representantes para o parlamento criar as leis do País, onde a liberdade é um fator fundamental dos direitos do cidadão, inclusive a de empreender que caracteriza o "capitalismo". Com todas pessoas podendo empreender, é criado uma multiplicidade de atividades que atendem aos vários interesses e gostos, gerando também múltiplos empregos, e esta dinâmica passa a permear toda sociedade. Para entender melhor, considere as inúmeras atividades disponíveis e utilizadas pelo povo, com o dinheiro circulando várias vezes de mão em mão, donde se pode imaginar quantas pessoas seriam beneficiadas pelo seu uso. Neste processo contínuo, o trabalho e ganho de um, ajuda a criar o trabalho e ganho do outro, gerando ao final um benefício coletivo. Esta é uma das grandes virtudes da "democracia & capitalismo".
Num Estado socialista como a antiga URSS, esta dinâmica toda não existiu. Lógico, não havia democracia, com o Estado soviético controlando tudo, não haveria mesmo iniciativa privada capitalista para gerar aquelas múltiplas atividades. Nas questões essenciais (alimentação, moradia, ...), o Estado garantiu as mais básicas possíveis, mas não tinha a criatividade para gerar em quantidade outras atividades, que possibilitaria uma vida social mais diversificada e interessante. O cidadão soviético, empregado do Estado, recebia seu salário e ia, por exemplo, a um açougue (também do Estado), comprava alguma coisa, e esta parte do salário voltava pro Estado. Ou seja: seu dinheiro não circulava, beneficiando muitas pessoas. Note que este modelo socialista de sociedade é muito menos dinâmico que o "democrático & capitalista", pois tem muito menos opções, e, portanto, é mais estático e pobre. Este modelo de socialismo soviético, Cuba utilizou até um tempo atrás, mas, hoje, segue o padrão socialista vietnamita, pois o governo cubano tem permitido pequenos empreendimentos capitalistas como: pizzarias e táxis. Já o socialismo Chinês segue outro formato: também não é democrático, uma vez que o soberano não é o povo, mas o PCC (Partido Comunista Chinês), sendo para pequenos empreendimentos a liberdade de ação ampla como ocorre no Vietnã. Mas os grandes empreendimentos que geram maior lucro são permitidos apenas para membros do PCC (5% da população), sendo que o governo chinês abocanha também uma grande parcela do lucro.
Num sistema democrático e capitalista, uma questão polêmica diz respeito em como a riqueza gerada é repartida. Evidentemente, ela não é repartida igualmente aos participantes e isto se justifica pelo fato de que, num empreendimento, a criatividade e o risco de dar certo ou não, é do empreendedor e não dos empregados que vão usufruir, recebendo um salário conforme a qualidade de seu trabalho. Creio que estas considerações são levadas em conta nas leis sobre o assunto, aprovadas pelo parlamento que representa o povo. Nosso Brasil se enquadra nesta situação, e vive hoje numa encruzilhada política, onde temos pela frente dois caminhos antagônicos. Um democrático e capitalista, onde se almeja a liberdade de manifestação, de empreender, ... com o comércio e indústria gerando milhares de empregos. Outro, semelhante ao socialismo da Venezuela, com liberdades bem restritas, onde a maior parte das indústrias estão extintas e o comercio bem pobre para atender as necessidades básicas do povo. É bom lembrar que a Venezuela era um dos países mais ricos da América Latina, e a mudança de rumo começou com a eleição do socialista Hugo Chávez em 1999, amigo do cubano Fidel Castro e do brasileiro Lula, que foi prometendo muita coisa e depois fazendo outra, até sua morte em 2013 quando assumiu Nicolás Maduro até hoje. A passagem para o socialismo foi gradual e bem disfarçada, mas ainda existem restos do espólio democrático, como o Parlamento eleito pelo povo, mas sem poder algum, uma vez que é bloqueado sistematicamente pelo Supremo Tribunal de Justiça, totalmente aparelhado. Um termômetro para esta preocupação brasileira, poderia estar numa das maiores votação para nosso presidente (69,57%) no 1º turno da eleição deste ano, em Roraima, estado vizinho que já acolheu muitos imigrantes da Venezuela. Pense nisso! E a diferença entre estas duas alternativas: "democracia & capitalismo" e "socialismo" é brutal, mas ainda há tempo de fazermos nossa escolha correta.