A ampliação de leitos no Hospital das Clínicas (HC) e no Hospital Manoel de Abreu não ocorrerá conforme o programado. Inaugurado em 1 de agosto, o primeiro segue funcionando com os mesmos 30 leitos iniciais, sendo 20 de enfermaria e 10 de UTI. Já o segundo, reaberto em 31 de maio após ficar seis anos fechado para reforma, opera com 30 leitos clínicos, o que corresponde a 38% do total de 79 vagas previstas, sendo que a expectativa era já estar com 50% da capacidade nos primeiros 60 dias, ou seja, até julho.
No HC, a inclusão de novas atividades, como cirurgias e atendimentos em diversas especialidades, deveriam começar em novembro, conforme descreve o contrato de gestão firmado entre a Fundação de Apoio ao Ensino, Pesquisa e Assistência (Faepa) do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, da Universidade de São Paulo, e a Secretaria de Estado da Saúde (SES). Porém, conforme o JC apurou, a ampliação dos serviços foi adiada para 2023.
Um dos principais motivos seria a prorrogação do prazo para os funcionários do Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais da USP, o Centrinho, assinarem o termo de anuência a fim de prestar serviços nas instalações do HC, sob gestão da Faepa. Diante da forte resistência dos servidores em concordar com a mudança de comando do Centrinho, a reitoria da universidade mudou a data para o aceite, de 14 de setembro para 31 de outubro.
Assim, cirurgias e atendimentos em especialidades como cardiologia e neurologia só deverão ser iniciados em 2023, contrariando, inclusive, o que havia dito o secretário-executivo de Estado da Saúde, Eduardo Ribeiro, na época da inauguração do hospital, que começou a operar com 100 funcionários. A meta, de acordo com Ribeiro, era chegar a 300 profissionais até dezembro, com 70 leitos em funcionamento.
Vale destacar que a estrutura completa da unidade contará com 174 leitos. Somados aos 91 do Centrinho, que será integrado ao complexo, serão 265 vagas no total, que atenderão moradores de 68 municípios da região.
SUBUTILIZADO
Da mesma forma que o HC, o Hospital Manoel de Abreu segue subutilizado. O problema, conforme o JC apurou, decorre da falta de mobiliário no local, como cadeiras, mesas de cabeceira e de refeição e até mesmo camas hospitalares, visto que este investimento não foi previsto no contrato de gestão firmado pela SES com a Fundação para o Desenvolvimento Médico e Hospitalar (Famesp), que administra a unidade.
Assim, caberia à secretaria providenciar a aquisição destas mobílias, o que não teria ocorrido até agora. Enquanto as compras não ocorrerem, o hospital deverá continuar funcionando com apenas 30 leitos clínicos para internações de longo prazo. Quando finalmente alcançar sua capacidade máxima, deverá operar com 61 leitos clínicos, além de três para tisiologia (tuberculose) e 15 de desintoxicação aguda de dependentes químicos, totalizando 79 vagas.
O atraso para a abertura de novos leitos nas duas unidades foi discutido pelo Conselho Municipal de Saúde em reunião nesta segunda-feira (17). Segundo o vice-coordenador do órgão, Claudio da Silva Gomes, a situação preocupa. "O Estado precisa agilizar a abertura destas vagas, porque nossa rede hospitalar atende toda a região, não apenas Bauru. Há um déficit histórico de leitos que precisa ser sanado", frisa.