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| Botucatu tem empresa de carroceria de ônibus, de chapa de madeira e uma fábrica de avião agrícola da Embraer |
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| Município de Lençóis Paulista tem o segundo maior PIB per capita na região se comparado com cidades maiores como Botucatu, Jaú, Marília e Avaré |
A agroindústria é o setor que vem segurando a economia nas regiões de Bauru, Botucatu e Jaú. O desafio é como esse cenário vai mudar a partir das eleições presidenciais deste ano, conforme avaliam lideranças ligadas às regionais do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp).
A região de Bauru composta de 25 municípios apresentou resultado positivo no mês de abril com a contratação de novos postos de trabalho, mas no acumulado dos últimos 12 meses ainda é -,083%, representando queda de 300 postos.
Bauru tem um Produto Interno Bruto (PIB) de R$ 12,7 bilhões e apresenta um bom desempenho de potencial de consumo, conforme pesquisa da IPC Maps 2018. No Estado é 15º, Jaú está em 49º e Botucatu passou de 49º para 49º. No caso de Jaú passou de 48º para 46º.
Há perspectiva de novos empreendimentos aquecerem a economia. A cidade de Lençóis Paulista, por exemplo, com 66 mil habitantes, tem o segundo maior PIB per capita se comparado com outras cidades maiores da região: em Lençóis o índice é de R$ 34.371.76/por habitante, enquanto Botucatu é de R$ 28.985,92/habitante e Jaú R$ 27.802,46/habitante. Só Bauru tem o PIB per capital maior que Lençóis de R$ 34.621,03/habitante.
Entre os novos empreendimentos nas região estão a possibilidade do grupo Lwarcel ganhar um novo acionista, o que injetaria novos recursos para a expansão do setor de celulose em Lençóis Paulista. Já Botucatu, até outubro deve definir a fusão da Embraer com a Boeing, o que deve ter impacto na unidade de fabricação de aviões agrícolas em Botucatu, por enquanto a possível negociação esbarra em quem será o maior controlador e se o governo vai concordar que a empresa brasileira perca o controle acionários para americanos.
Para o vice-diretor da regional da Ciesp de Botucatu, Edison Baptistão, a questão é fusão no setor industrial é vista como positiva, porque existe a unidade botucatuense da Embraer já movimenta vários pequenos segmentos.
O diretor do Ciesp da regional de Bauru, Gino Paulucci Jr., diz que tem ocorrido uma melhora nos indicadores econômicos, mas ainda muito pequena. "Nesse momento o que precisa ocorrer é o quadro eleitoral se clarear o mais depressa possível, e isso não vai acontecer, principalmente porque tem a Copa do Mundo da Rússia. Isso deve ficar para agosto, mas se definisse melhoraria muito. Isso ocorre porque tem candidatos com ideias não reformistas e estão muito bem e isso deixar o empresariado muito assustado", declara. Essa regional é composta de 25 municípios.
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| PIB Regional |
O momento da indústria é de cautela, mas existem duas negociações que vem sendo aguardadas que devem ter influência a médio e longo prazo na economia da região. Uma é a fusão da Embraer com a Boeing americana que conforme o desfecho terá influência em Botucatu, porque lá tem uma unidade de fabricação de avião agrícola. A outra são as negociações para novos acionista da Lwarcel celulose que vem sendo acompanhada em todo o Estado. Na última semana na imprensa paulistana se divulgou que há interesse de um grupo chinês (leia texto nesta página). O vice-diretor da regional do Ciesp de Botucatu, Edison Baptistão, admite que os dois casos vem sendo acompanhado, porque há perspectiva de fortalecimento da indústria regional.
O JC procurou os dirigentes ligados à Ciesp para ter um diagnóstico de como se comporta a economia em Bauru, Botucatu e Jaú na região do Coração de São Paulo. Os números do Produto Interno Bruto (PIB) apontam que a segmentação segurou a economia, apesar dos solavancos dos últimos três anos que reduziu o nível de emprego. A reação só vem sendo sentida timidamente nos últimos meses.
Embora exista uma debate polêmico de a Embraer perder o controle acionário como empresa nacional para os norte-americanos, o vice-diretor diz que se a unidade de fundir com uma multinacional deve se fortalecer mais e produzir mais. Segundo ele, a Embraer em Botucatu exerce um papel importante em toda a região, porque várias indústrias que operam já vivem em função de fornecer à unidade de Botucatu. "Existe uma geração de empregos em toda a região extremamente importante. Ela não emprega só para Botucatu, mas tem funcionários em São Manuel, Areiopólois, Lençóis Paulista, Itatinga e Pardinho. Ela espalha todo esse potencial na região. No meu modo ver, acho importante se houver essa fusão. É uma negociação que envolve paramentos excepcionais. Isso fortaleceria ainda mais o setor aeronáutico brasileiro e em consequência fortaleceria a Embraer em Botucatu", comenta.Para Baptistão, o país está saindo da recessão forte e regionalmente não foi diferente do país os efeitos negativos para o setor industrial. A regional do Ciesp de Botucatu até o ano passado era composta de 44 cidades, mas foi reduzida para 28, porque estava difícil atender a representação de cidades que ficam há mais de 150 km da sede. É uma região com unidades da Duratex, Eucatex, montadora de ônibus, entre outros segmentos.
"Essa nossa região tem uma estrutura industrial bem segmentada por isso conseguiu sobreviver a esses contratempos, lógico que algumas indústrias acabaram ficando pelo caminho e houve encerramento de atividades, mas muitas sobreviveram e continuam atacando seus negócios com grande força", diz o vice-diretor do Ciesp de Botucatu.
O dirigente ressalta que as prefeituras também têm enfrentado dificuldades, por isso não tem conseguido atender novas indústrias. Com tudo Botucatu e São Manuel estão abrindo novos Distritos Industriais. "As prefeituras passam por momento difícil estão com a corda no pescoço, mas existem prefeituras investindo em Distrito Industriais e isso é fundamental para que se atraia novos negócios para a região. Temos atuando muito na qualificação de mão de obra que acho que esse é um ponto fundamental para que se ter investimentos na região", declara
Isso tem sido feito com investimentos em escolas do Sesi e Senai, entre as ampliações está uma unidade de Botucatu que de uma área de 2.000 m2 vai passar para 8 mil m2 com novos cursos, laboratórios e infraestrutura.
Dos engenhos de cachaça à indústria
| Lwart, da família Trecenti, busca novo sócio para a Lwarcel |
| Aurélio Alonso |
| Sidney Aguiar retrata os 110 anos da industrialização dos município de Lençóis e Agudos |
A pujante indústria de Lençóis Paulista começou no início do século passado por influência dos engenhos de cana-de-açúcar que produziam cachaça, mas pesa uma visão de empreendedorismos de imigrantes italianos em diversificar a produção. O especialista em meio ambiente e sustentabilidade Sidney Aguiar vai lançar no começo do próximo mês o livro "Da Cachaça ao Papel". No dia 1 de junho, a tarde de autográfos será no Café com Política do JC, às 17h30, em Bauru e, no dia 7, em Lençóis, às 19h30, no Espaço Cultural. A renda com a venda do livro será destinada à Rede de Combate ao Câncer.
Com o material pronto desde 2016, quando já foi objeto de matéria neste caderno Regional, Sidney finalmente vai conseguir lançar a publicação que traz a história da produção de vinhos e cachaça que influenciou a industrialização do município.
O autor se inspira nas obras "Ouro no Horizonte", que retrata a vida de Antônio Lorenzetti Filho de Eduardo Magalhães e João Carlos Lorenzetti e "Lençóis Paulista, Grande Produtor de Cachaça", do escritor Florindo Paccola. Na pesquisa foi incluído Agudos.
JC - Por ser um município agrário no começo do século não se esperava que Lençóis chegasse tão rápido à industrialização?
Sidney Aguiar - O que puxa a economia de Lençóis é o agronegócio canavieiro e a silvicutura (plantio de eucalipto). O primeiro registro da indústria no município é de 1906. Nesse período tinha um matadouro municipal e os engenhos. O primeiro a entrar em atividade foi o engenho São Luiz, que está até hoje em atividade pertencente à família Zillo, um dos pioneiros da indústria sucroalcooleira no país. A visão dos pioneiros começou em 1947 quando compraram um engenho do Benjamin Faid, libanês radicado no município e esse engenho ficava na região do ribeirão Barra Grande. A família Zillo e os Lorenzetti compraram o engenho e transformaram na usina de álcool e açúcar.
JC - Eles não tinham expertise nesse ramo?
Sidney Aguiar - Eles tiveram percepção de que o negócio da cana poderia melhorar e como de fato melhorou no pós-guerra no Brasil e compraram o maior engenho localizado numa região que tem muita água. Para produzir etanol e açúcar precisa de água. No governo de Getúlio Vargas teve incentivo ao açúcar e veio o Pró-Álcool na década de 70. Depois se transformaram numa das maiores indústrias e alavancou a indústria de Lençóis.
JC - Há mitos urbanos que onde há uma agroindustrial outros setores da indústria não prosperam. Já ouvi isso em Lençóis e outras cidades com grandes usinas no seu entorno?
Sidney Aguiar - Não é bem assim, Lençóis Paulista jamais seria o que é hoje se não fosse a indústria sucroenergética. Todos os demais ramos da indústria presentes no município se tornaram grandes empreendimentos de destaque no Brasil, eles começaram fazendo equipamentos para usina e foram se desenvolvendo. À medida que ficaram independentes do setor sucroenergético começaram a ter mercado próprio. Então, foram diversificando, a usina não atrapalhou.
JC - A Lwart por exemplo antes ser a gigante no rerrefino de óleo usado prestava serviço na produção de equipamentos para usinas?
Sidney Aguiar - A Lwart começou com uma pequena indústria de ferragens e fazia equipamentos para usina e mais uma vez os irmãos tiveram uma visão de futuro e foram diversificando até chegar na petroquímica e celulose.
JC - A mão de obra absorvida não é só de Lençóis?
Sidney Aguiar - Há geração de emprego em toda a região, porque vem pessoas de Agudos, Bauru, Macatuba, Areiópolis, Pederneiras e até Botucatu trabalhar em Lençóis. A indústria é boa para toda a região, tem petroquímica, agroindústria e alimentícia.
JC - Há uma diversidade de empreendimento, até abatedouro, que é outro ramo em comparação a agroindústria?
Sidney Aguiar - O Frigol é o quarto maior produtor de carne. O empreendimento começou pelos fundadores com dois açougues e eles investiram e cresceram muito no ramo. Já passaram por uma crise que atingiu todo o setor em todo o país e foram o único frigorífico do Brasil a cumprir uma recuperação judicial e o primeiro a sair dessa situação.
JC - Lençóis tem uma tendência a empreendedorismo?
Sidney Aguiar - Essa tendência veio do setor sucroenergético e os fundadores desses empreendimentos desafiaram a lógica e apostaram certo. No período de 1906 a 1940, conforme o escritor Florindo Paccola, o município chegou a ter cerca de 70 engenhos de produção de cachaça e o setor estava saturado. Quando há saturação em um empreendimento a tendência é a decadência e os pioneiros decidiram partir para um lado mais avançado do processamento de cana. Deu certo.
| JuRehder |
| INDUSTRIALIZAÇÃO DE LENÇÓIS PAULISTA |
Força da economia de Lençóis influencia região
Pelo Produto Interno Bruto (PIB) do município de Lençóis Paulista dá para ter uma dimensão da força. O município de 66 mil habitantes tem o segundo maior PIB per capita se for feita uma comparação com as regiões de Bauru, Botucatu, Jaú, Marília e Avaré. A média nacional do PIB per capita é de R$ 29.321,71/hab.
No livro da "Cachaça ao papel" Sidney Aguiar resgata o surgimento do engenho Sã Luiz desde 1906 e como a indústria sucroenergética cresceu a partir do final da década de 40. Em Lençóis, a indústria ainda se destaca por produzir macarrão, biscoitos, carnes, vinagres, celulose, papel, por meio da fundação e operação da fábrica de celulose e da Lutepel e como o setor petroquímico se tornou referência internacional tornando-a, a maior rerrefinadora de óleos lubrificantes usados ou contaminados da América Latina.
Também o livro narra como o município de Agudos, se tornou referência nacional na produção de cervejas e como surgiu a fama de produzir a melhor cerveja do Brasil e como a produção de chapas de madeiras foi introduzida no Brasil pela antiga CAFMA - Freudenberg e até hoje é referência internacional em silvicultura e conservação ambiental através das operações da Duratex.
Até a metade do século XX, Agudos era uma um município totalmente dependente da cultura cafeeira, quando o alemão Richard Freudenberg veio para Agudos para iniciar o cultivo comercial de pinus para produção de chapas de madeira. No mesmo período, o grande mestre cervejeiro Fritz Weber deixou a Áustria para fundar em Agudos a Companhia de Cervejas Vienenses, que mais tarde foi adquirida pela extinta Companhia Cervejaria Brahma sendo incorporada por meio de fusão em 2000 à AmBev.
Negociação pode expandir Lwarcel
A negociação que vem sendo feita pelo grupo Lwarcel, do grupo Lwart pertencente à família Trecenti, em busca de novo sócio deixa em expectativa Lençóis Paulista, porque a longo prazo representa mais investimento na região.
Em 2014, a Lwart Química foi vendida para a empresa suíca Sika. Agora a população acompanha as negociações divulgadas pela imprensa de que a companhia paulista lençoense tem um plano de expansão para produzir 1 milhão de toneladas. A ideia é que esse projeto seja assumido pelo novo controlador, estimado em cerca de US$ 1,5 bilhão (cerca de R$ 5,4 bilhões pelo câmbio referente ao dia 12 de maio), conforme dados divulgados por especialistas na imprensa especializada.
Na última semana, veio a informação de o grupo asiático Asia Pacific Resources International Holdings (April) está em negociações avançadas para comprar a companhia de celulose de Lençóis.
O vice-diretor da regional do Ciesp de Botucatu, Edison Baptistão, comenta que existem projetos de expansão industrial na região como a fusão da Embraer com a Boeing e da companhia de celulose ser adquirida por novo grupo. "Existe uma expectativa quanto a Lwarcel se vai se associar ao grupo Suzano, japonês ou chinês. Está em negociação e objetivo deles é passar a produção 250 mil toneladas por ano e objetivo é chegar a 1 milhão tonelada/ano, isso mexe com a economia de toda a região. Isso significa que trará benefício a essa região do Estado", declarou.