11 de julho de 2026
Regional

Indústria consolidada segura economia na região de Bauru

Aurélio Alonso
| Tempo de leitura: 11 min

Divulgação
Botucatu tem empresa de carroceria de ônibus, de chapa de madeira e uma fábrica de avião agrícola da Embraer

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Município de Lençóis Paulista tem o segundo maior PIB per capita na região se comparado com cidades maiores como Botucatu, Jaú, Marília e Avaré

A agroindústria é o setor que vem segurando a economia nas regiões de Bauru, Botucatu e Jaú. O desafio é como esse cenário vai mudar a partir das eleições presidenciais deste ano, conforme avaliam lideranças ligadas às regionais do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp).

A região de Bauru composta de 25 municípios apresentou resultado positivo no mês de abril com a contratação de novos postos de trabalho, mas no acumulado dos últimos 12 meses ainda é -,083%, representando queda de 300 postos.

Bauru tem um Produto Interno Bruto (PIB) de R$ 12,7 bilhões e apresenta um bom desempenho de potencial de consumo, conforme pesquisa da IPC Maps 2018. No Estado é 15º, Jaú está em 49º e Botucatu passou de 49º para 49º. No caso de Jaú passou de 48º para 46º.

Há perspectiva de novos empreendimentos aquecerem a economia. A cidade de Lençóis Paulista, por exemplo, com 66 mil habitantes, tem o segundo maior PIB per capita se comparado com outras cidades maiores da região: em Lençóis o índice é de R$ 34.371.76/por habitante, enquanto Botucatu é de R$ 28.985,92/habitante e Jaú R$ 27.802,46/habitante. Só Bauru tem o PIB per capital maior que Lençóis de R$ 34.621,03/habitante. 

Entre os novos empreendimentos nas região estão a possibilidade do grupo Lwarcel ganhar um novo acionista, o que injetaria novos recursos para a expansão do setor de celulose em Lençóis Paulista. Já Botucatu, até outubro deve definir a fusão da Embraer com a Boeing, o que deve ter impacto na unidade de fabricação de aviões agrícolas em Botucatu, por enquanto a possível negociação esbarra em quem será o maior controlador e se o governo vai concordar que a empresa brasileira perca o controle acionários para americanos.

Para o vice-diretor da regional da Ciesp de Botucatu, Edison Baptistão, a questão é fusão no setor industrial é vista como positiva, porque existe a unidade botucatuense da Embraer já movimenta vários pequenos segmentos. 

O diretor do Ciesp da regional de Bauru, Gino Paulucci Jr., diz que tem ocorrido uma melhora nos indicadores econômicos, mas ainda muito pequena. "Nesse momento o que precisa ocorrer é o quadro eleitoral se clarear o mais depressa possível, e isso não vai acontecer, principalmente porque tem a Copa do Mundo da Rússia. Isso deve ficar para agosto, mas se definisse melhoraria muito. Isso ocorre porque tem candidatos com ideias não reformistas e estão muito bem e isso deixar o empresariado muito assustado", declara. Essa regional é composta de 25 municípios.

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PIB Regional

O momento da indústria é de cautela, mas existem duas negociações que vem sendo aguardadas que devem ter influência a médio e longo prazo na economia da região. Uma é a fusão da Embraer com a Boeing americana que conforme o desfecho terá influência em Botucatu, porque lá tem uma unidade de fabricação de avião agrícola. A outra são as negociações para novos acionista da Lwarcel celulose que vem sendo acompanhada em todo o Estado. Na última semana na imprensa paulistana se divulgou que há interesse de um grupo chinês (leia texto nesta página). O vice-diretor da regional do Ciesp de Botucatu, Edison Baptistão, admite que os dois casos vem sendo acompanhado, porque há perspectiva de fortalecimento da indústria regional.

O JC procurou os dirigentes ligados à Ciesp para ter um diagnóstico de como se comporta a economia em Bauru, Botucatu e Jaú na região do Coração de São Paulo. Os números do Produto Interno Bruto (PIB) apontam que a segmentação segurou a economia, apesar dos solavancos dos últimos três anos que reduziu o nível de emprego. A reação só vem sendo sentida timidamente nos últimos meses.

Embora exista uma debate polêmico de a Embraer perder o controle acionário como empresa nacional para os norte-americanos, o vice-diretor diz que se a unidade de fundir com uma multinacional deve se fortalecer mais e produzir mais. Segundo ele, a Embraer em Botucatu exerce um papel importante em toda a região, porque várias indústrias que operam já vivem em função de fornecer à unidade de Botucatu. "Existe uma geração de empregos em toda a região extremamente importante. Ela não emprega só para Botucatu, mas tem funcionários em São Manuel, Areiopólois, Lençóis Paulista, Itatinga e Pardinho. Ela espalha todo esse potencial na região. No meu modo ver, acho importante se houver essa fusão. É uma negociação que envolve paramentos excepcionais. Isso fortaleceria ainda mais o setor aeronáutico brasileiro e em consequência fortaleceria a Embraer em Botucatu", comenta.Para Baptistão, o país está saindo da recessão forte e regionalmente não foi diferente do país os efeitos negativos para o setor industrial. A regional do Ciesp de Botucatu até o ano passado era composta de 44 cidades, mas foi reduzida para 28, porque estava difícil atender a representação de cidades que ficam há mais de 150 km da sede. É uma região com unidades da Duratex, Eucatex, montadora de ônibus, entre outros segmentos.

"Essa nossa região tem uma estrutura industrial bem segmentada por isso conseguiu sobreviver a esses contratempos, lógico que algumas indústrias acabaram ficando pelo caminho e houve  encerramento de atividades, mas muitas sobreviveram e continuam atacando seus negócios com grande força", diz o vice-diretor do Ciesp de Botucatu.

O dirigente ressalta que as prefeituras também têm enfrentado dificuldades, por isso não tem conseguido atender novas indústrias. Com tudo Botucatu e São Manuel estão abrindo novos Distritos Industriais. "As prefeituras passam por momento difícil estão com a corda no pescoço, mas existem prefeituras investindo em Distrito Industriais e isso é fundamental para que se atraia novos negócios para a região. Temos atuando muito na qualificação de mão de obra que acho que esse é um ponto fundamental para que se  ter investimentos na região", declara

Isso tem sido feito com investimentos em escolas do Sesi e Senai, entre as ampliações está uma unidade de Botucatu que de uma área de 2.000 m2 vai passar para 8 mil m2 com novos cursos, laboratórios e infraestrutura.

Dos engenhos de cachaça à indústria

Lwart, da família Trecenti, busca novo sócio para a Lwarcel

Aurélio Alonso
Sidney Aguiar retrata os 110 anos da industrialização dos município de Lençóis e Agudos

A pujante indústria de Lençóis Paulista começou no início do século passado por influência dos engenhos de cana-de-açúcar que produziam cachaça, mas pesa uma visão de empreendedorismos de imigrantes italianos em diversificar a produção. O especialista em meio ambiente e sustentabilidade Sidney Aguiar vai lançar no começo do próximo mês o livro "Da Cachaça ao Papel". No dia 1 de junho, a tarde de autográfos será no Café com Política do JC, às 17h30, em Bauru e, no dia 7, em Lençóis, às 19h30, no Espaço Cultural. A renda com a venda do livro será destinada à Rede de Combate ao Câncer. 

Com o material pronto desde 2016, quando já foi objeto de matéria neste caderno Regional, Sidney finalmente vai conseguir lançar a publicação que traz a história da produção de vinhos e cachaça que influenciou a industrialização do município.

O autor se inspira nas obras "Ouro no Horizonte", que retrata a vida de Antônio Lorenzetti Filho de Eduardo Magalhães e João Carlos Lorenzetti e "Lençóis Paulista, Grande Produtor de Cachaça", do escritor Florindo Paccola. Na pesquisa foi incluído Agudos. 

JC - Por ser um município agrário no começo do século não se esperava que Lençóis chegasse tão rápido à industrialização?

Sidney Aguiar - O que puxa a economia de Lençóis é o agronegócio canavieiro e a silvicutura (plantio de eucalipto). O primeiro registro da indústria no município é de 1906. Nesse período tinha um  matadouro municipal e os engenhos. O primeiro a entrar em atividade foi o engenho São Luiz, que está até hoje em atividade pertencente à família Zillo, um dos pioneiros da indústria sucroalcooleira no país. A visão dos pioneiros começou em 1947 quando compraram um engenho do Benjamin Faid, libanês radicado no município e esse engenho ficava na região do ribeirão Barra Grande. A família Zillo e os Lorenzetti compraram o engenho e transformaram na usina de álcool e açúcar.

JC - Eles não tinham expertise nesse ramo?

Sidney Aguiar - Eles tiveram percepção de que o negócio da cana poderia melhorar e como de fato melhorou no pós-guerra no Brasil e compraram o maior engenho localizado numa região que tem muita água. Para produzir etanol e açúcar precisa de água. No governo de Getúlio Vargas teve incentivo ao açúcar e veio o Pró-Álcool na década de 70. Depois se transformaram numa das maiores indústrias e alavancou a indústria de Lençóis.

JC - Há mitos urbanos que onde há uma agroindustrial outros setores da indústria não prosperam. Já ouvi isso em Lençóis e outras cidades com grandes usinas no seu entorno?

Sidney Aguiar -  Não é bem assim, Lençóis Paulista jamais seria o que é hoje se não fosse a indústria sucroenergética. Todos os demais ramos da indústria presentes no município se tornaram grandes empreendimentos de destaque no Brasil, eles começaram fazendo equipamentos para usina e foram se desenvolvendo. À medida que ficaram independentes do setor sucroenergético começaram a ter mercado próprio. Então, foram diversificando, a usina não atrapalhou.

JC - A Lwart por exemplo antes ser a gigante no rerrefino de óleo usado prestava serviço na  produção de equipamentos para usinas?

Sidney Aguiar - A Lwart começou com uma pequena indústria de ferragens e fazia equipamentos para usina e mais uma vez os irmãos tiveram uma visão de futuro e foram diversificando até chegar na petroquímica e celulose.

JC - A mão de obra absorvida não é só de Lençóis?

Sidney Aguiar - Há geração de emprego em toda a região, porque vem pessoas de Agudos, Bauru, Macatuba, Areiópolis, Pederneiras e até Botucatu trabalhar em Lençóis. A indústria é boa para toda a região, tem petroquímica, agroindústria e alimentícia. 

JC - Há uma diversidade de empreendimento, até abatedouro, que é outro ramo em comparação a agroindústria?

Sidney Aguiar - O Frigol é o quarto maior produtor de carne. O empreendimento começou pelos fundadores com dois açougues e eles investiram e cresceram muito no ramo. Já passaram por uma crise que atingiu todo o setor em todo o país e foram o único frigorífico do Brasil a cumprir uma recuperação judicial e o primeiro a sair dessa situação.

JC - Lençóis tem uma tendência a empreendedorismo?

Sidney Aguiar - Essa tendência veio do setor sucroenergético e os fundadores desses empreendimentos desafiaram a lógica e apostaram certo. No período de 1906 a 1940, conforme o escritor Florindo Paccola, o município chegou a ter cerca de 70 engenhos de produção de cachaça e o setor estava saturado. Quando há saturação em um empreendimento a tendência é a decadência e os pioneiros decidiram partir para um lado mais avançado do processamento de cana. Deu certo.

JuRehder
INDUSTRIALIZAÇÃO DE LENÇÓIS PAULISTA

Força da economia de Lençóis influencia região

Pelo Produto Interno Bruto (PIB) do município de Lençóis Paulista dá para ter uma dimensão da força. O município de 66 mil habitantes tem o segundo maior PIB per capita se for feita uma comparação com as regiões de Bauru, Botucatu, Jaú, Marília e Avaré. A média nacional do PIB per capita é de R$ 29.321,71/hab.

No livro da "Cachaça ao papel" Sidney Aguiar resgata o surgimento do engenho Sã Luiz desde 1906 e como a indústria sucroenergética cresceu a partir do final da década de 40. Em Lençóis, a indústria ainda se destaca por produzir macarrão, biscoitos, carnes, vinagres, celulose, papel, por meio da fundação e operação da fábrica de celulose e da Lutepel e como o setor petroquímico se tornou referência internacional tornando-a, a maior rerrefinadora de óleos lubrificantes usados ou contaminados da América Latina.

Também o livro narra como o município de Agudos, se tornou referência nacional na produção de cervejas e como surgiu a fama de produzir a melhor cerveja do Brasil e como a produção de chapas de madeiras foi introduzida no Brasil pela antiga CAFMA - Freudenberg e até hoje é referência internacional em silvicultura e conservação ambiental através das operações da Duratex.

Até a metade do século XX, Agudos era uma um município totalmente dependente da cultura cafeeira, quando o alemão Richard Freudenberg veio para Agudos para iniciar o cultivo comercial de pinus para produção de chapas de madeira. No mesmo período, o grande mestre cervejeiro  Fritz Weber deixou a Áustria para fundar em Agudos a Companhia de Cervejas Vienenses, que mais tarde foi adquirida pela extinta Companhia Cervejaria Brahma sendo incorporada por meio de fusão em 2000 à AmBev.

Negociação pode expandir Lwarcel

A negociação que vem sendo feita pelo grupo Lwarcel, do grupo Lwart pertencente à família Trecenti, em busca de novo sócio deixa em expectativa Lençóis Paulista, porque a longo prazo representa mais investimento na região.

Em 2014, a Lwart Química foi vendida para a empresa suíca Sika. Agora a população acompanha as negociações divulgadas pela imprensa de que a companhia paulista lençoense tem um plano de expansão para produzir 1 milhão de toneladas. A ideia é que esse projeto seja assumido pelo novo controlador, estimado em cerca de US$ 1,5 bilhão (cerca de R$ 5,4 bilhões pelo câmbio referente ao dia 12 de maio), conforme dados divulgados por especialistas na imprensa especializada.

Na última semana, veio a informação de o grupo asiático Asia Pacific Resources International Holdings (April) está em negociações avançadas para comprar a companhia de celulose de Lençóis.

O vice-diretor da regional do Ciesp de Botucatu, Edison Baptistão, comenta que existem projetos de expansão industrial na região como a fusão da Embraer com a Boeing e da companhia de celulose ser adquirida por novo grupo. "Existe uma expectativa quanto a Lwarcel se vai se associar ao grupo Suzano, japonês ou chinês. Está em negociação e objetivo deles é passar a produção 250 mil toneladas por ano e objetivo é chegar a 1 milhão tonelada/ano, isso mexe com a economia de toda a região. Isso significa que trará benefício a essa região do Estado", declarou.