10 de julho de 2026
Nacional

Eletrônicos alavancam vendas do varejo nos primeiros 3 meses do ano

Estadão Conteúdo
| Tempo de leitura: 3 min

 Reprodução
Venda de televisores de alta definição já está impulsionada pela Copa do Mundo

São Paulo - O varejo de eletroeletrônicos tem feito jus à fama de ser um dos primeiros a sofrer na crise econômica e também um dos primeiros a se recuperar. Entre janeiro e março de 2018, as vendas de varejistas mais expostos ao segmento cresceram com um impulso da melhora no ambiente de crédito ao consumo. Já segmentos menos dependentes de crédito, como alimentos e medicamentos, crescem menos.

"É possível ver que os bens discricionários têm apresentado um desempenho melhor que a média porque o crédito está melhorando, a inadimplência das pessoas físicas ficou baixa", comentou ao Broadcast, serviço de notícias em tempo real do Grupo Estado, o presidente do Magazine Luiza, Frederico Trajano. Para ele, a concessão de crédito tem sido destravada, com mais clientes conseguindo aprovação.

O Magazine Luiza foi a varejista de capital aberto com o maior crescimento no trimestre do indicador de vendas mesmas lojas, que mede o desempenho em unidades abertas há mais de um ano. Outras companhias expostas ao setor de eletrônicos, como Via Varejo e Lojas Americanas, também cresceram.

COPA DO MUNDO

Executivos avaliam que, embora ainda sujeita à volatilidade de um ano eleitoral e menos robusta do que se poderia esperar, a confiança dos consumidores tem contribuído para a retomada da venda de alguns dos bens que foram mais prejudicados pela crise em 2015 e 2016. A demanda reprimida nos anos de crise agora sustenta a alta nas vendas. A Copa do Mundo é outro fator que contribui para estimular as vendas de televisores.

"Durante a Copa, nos dias de jogos, ninguém vai às compras, mas o resumo do evento é positivo porque eleva as vendas de televisores e também de comida e bebida antes dos jogos", comentou o diretor Financeiro da Lojas Americanas, Carlos Padilha. "Este é um ano que tem se mostrado muito bom", concluiu.

TV X FARMÁCIA

A expectativa é de continuidade desse cenário ao longo do segundo trimestre, quando maior aprovação de crédito nas lojas e o efeito Copa seguirão privilegiando as vendas de eletrônicos.

Já os segmentos que sofreram menos durante a crise hoje são também os que reagem mais lentamente a uma recuperação do consumo.

É o que ocorre com as farmácias. "Quando o consumidor começa a comprar muita televisão, disputamos o 'share' (fatia da renda disponível), e aí há problemas", disse Marcílio Pousada, presidente da RD (Raia Drogasil). Para ele, o setor de farmácias vive só agora um ciclo mais fraco de consumo. "Sentimos um mercado mais difícil", afirmou o executivo durante teleconferência.

SUPERMERCADOS

Entre os supermercados, o desafio tem sido aumentar a receita enquanto caem os preços de alimentos. A deflação de alimentos desde o ano passado não gerou aumento no tráfego de clientes nas lojas, conforme reconheceu o diretor Financeiro do Carrefour Brasil, Sébastien Durchon.

A avaliação é semelhante à do o presidente da rede de "atacarejo" Assaí, do Grupo Pão de Açúcar (GPA), Belmiro Gomes. Ele destacou, em teleconferência, que não só alimentos, mas também itens de higiene, limpeza e perfumaria têm tido preços contidos. Atividades promocionais nessas categorias de produto não têm resultado em aumento das vendas em volume, afirmou.