| Samantha Ciuffa |
| Chinaglia defende o SUS, que completa três décadas, concomitantemente com a Constituição |
Deputado federal e candidato à reeleição pelo PT, além de médico e ex-presidente da Câmara dos Deputados, Arlindo Chinaglia teme que o governo privatize o Sistema Único de Saúde (SUS), ao citar o congelamento de gastos com a Saúde brasileira pelos próximos 20 anos, instituído pela Emenda Constitucional n.º 95, e o projeto do Plano Popular de Saúde. Na semana passada, o parlamentar cumpriu agenda em Bauru e em outras 15 cidades do Estado de São Paulo, com o objetivo de discutir questões referentes à economia e à política nacionais, visando às eleições deste ano.
Segundo Chinaglia, alguns representantes da base do governo, no Congresso Nacional, estão participando de seminários empresariais, cujo intuito é passar o financiamento da atenção básica para as empresas.
"A maior síntese desta proposta é o chamado Plano Popular de Saúde. Quando se adere a ele, acredita-se que você terá acesso a todo e qualquer tipo de tratamento, mas ele não cobre praticamente nada", acrescenta.
Ainda de acordo com o deputado, o maior boicote, até agora, é a Emenda Constitucional n.º 95, que congelou os gastos com a Saúde pelos próximos 20 anos e, em 2016, quando foi aprovado, estabeleceu apenas o reajuste da inflação.
"A inflação, na área da Saúde, pelos insumos utilizados, é maior do que a inflação média dos demais setores. Como é que, você combinando inflação maior, bem como o envelhecimento e o aumento da população, dá para manter o mesmo nível de investimento, sem qualquer reajuste? Portanto, o SUS está sob gravíssimo ataque", argumenta o petista.
30 ANOS DE SUS
Logo, Chinaglia defende o SUS, que completa três décadas neste ano, concomitantemente com a Constituição brasileira.
"Só fala mal do SUS quem não usa o SUS. A área de Seguridade Social, que envolve Saúde, Assistência Social e Previdência Social, está entre as mais belas páginas da Constituição, afinal, garantem acesso universal. Basta se imaginar na condição do pobre, que, ao ficar doente, não teria o socorro do Estado, financiado coletivamente. Logo, o SUS é uma grande conquista", opina.
Contudo, o deputado assume que, de fato, falta financiamento adequado. "Ultimamente, os custos da atenção têm recaído sobre os municípios, dada a crise econômica que se agravou pelo País, principalmente, nos últimos dois anos", reforça.
É exatamente nesta hora, quando algo deixa de funcionar bem ou piora, que cria-se a justificativa para a privatização, conforme defende Chinaglia.
Para o petista, toda atividade empresarial visa lucro e, consequentemente, a redução de custos e o aumento dos preços. "Na Saúde, você reduziria custos deixando de dar o atendimento de qualidade que as pessoas precisam e merecem ter", finaliza.
LULA
Questionado sobre a situação atípica na qual o seu partido está envolvido, ou melhor, a prisão de Lula e, ao mesmo tempo, a pré-candidatura do mesmo à Presidência da República, Chinaglia entende que o ex-presidente seja inocente e, portanto, o PT não pretende abandoná-lo.
"O PT só tomará qualquer decisão quando o próprio Lula decidir", frisa o deputado federal.
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Ações na região
Chinaglia foi relator-geral do Orçamento, em 2011, e criou, na época, a Emenda de Iniciativa Popular, que consistia em destinar uma verba, automaticamente, a todos os municípios brasileiros de até 50 mil habitantes, desde que fizessem uma audiência pública para decidir em qual área aplicariam o recurso - isso trouxe benefícios, inclusive, para algumas cidades da região.
Diretamente a Bauru, o parlamentar disponibilizou R$ 300 mil para a reforma da Praça Rui Barbosa e outros R$ 300 mil bancaram a compra de equipamentos para a agricultura familiar.
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