11 de julho de 2026
Política

Aluguel sobe e prefeitura poderá 'encolher' no Poupatempo Bauru

Thiago Navarro
| Tempo de leitura: 4 min

Quioshi Goto/JC Imagens
O setor de atendimento ao público da prefeitura municipal é um dos maiores no Poupatempo

A Prefeitura de Bauru pode ter mais uma despesa inesperada a partir deste mês e reduzir o espaço de atendimento no Poupatempo. O aluguel que o município paga a Companhia de Processamento de Dados do Estado de São Paulo (Prodesp) para usar a área voltada aos serviços municipais - como secretarias e o DAE - vai subir em mais de 18 vezes. Isso porque um decreto isentava a prefeitura de pagar pelo condomínio, medido por metro quadrado. Esse decreto foi revogado e o montante mensal, que era de cerca de R$ 2 mil, deve chegar a R$ 38 mil já a partir deste mês.

A situação foi alvo de um discurso do deputado estadual Pedro Tobias (PSDB) na Assembleia Legislativa de São Paulo, na última semana. O parlamentar ressaltou que o Poupatempo foi uma grande conquista social para a população e, por isso, fez um apelo ao governador Márcio França (PSB) para que intervenha no caso. "Eu me lembro como se fosse hoje quando o governador Geraldo Alckmin (PSDB) veio a Bauru para inaugurar o Poupatempo, no dia 23 de setembro de 2006. Portanto, já se passaram 12 anos desta grande conquista para a população local e da região que, a cada ano, aprova em quase 100% os serviços ali prestados. O governo do Estado não pode ajudar a esvaziar esse patrimônio que é do povo", declarou Pedro Tobias no plenário da Assembleia.

O deputado já havia recebido da Prefeitura de Bauru um ofício pedindo sua intercessão junto ao governo do Estado para reverter essa decisão da Prodesp. No documento, assinado pelo secretário dos Negócios Jurídicos, Toninho Garms, o município deixa claro que, se a situação não for resolvida de forma onde prevaleça o interesse público, será obrigada a desocupar o prédio do Poupatempo, que pertence ao Estado, e instalar seus serviços informatizados em outro local.

NEGOCIAÇÃO

O secretário de Negócios Jurídicos, Toninho Garms, iniciou a discussão com a Prodesp e quem assumiu a responsabilidade pelas negociações foi o secretário de Finanças, Everson Demarchi. Ele afirma que tentará chegar a um acordo, tendo em vista que a perda seria grande para a população, já acostumada a ir ao Poupatempo, pela localização no Centro e pela qualidade dos serviços prestados. "A gente vai tentar resolver de uma forma que possamos permanecer, neste momento não temos um local onde poderíamos levar todos os serviços de atendimento que a prefeitura faz lá, com o mesmo padrão e estrutura", confirmou.

Desta forma, o município fez pedido a Prodesp na intenção de chegar a um valor mais equilibrado. "Se tiver que sair de R$ 2 mil mensais para R$ 37 mil, teríamos que alterar até o nosso Orçamento, é uma diferença muito grande e que não estava prevista. Se o Estado conceder pelo menos uma isenção parcial do condomínio, já ajudaria muito. Outra alternativa que estamos vendo é reorganizar o nosso espaço, talvez secretarias que tenham menos demanda ficando juntas no atendimento, assim ocuparíamos uma área menor e o pagamento também cairia, pois é por metro quadrado a cobrança. A redução do espaço de atendimento será praticamente inevitável com esse aumento dos valores que temos de pagar", frisou.

O secretário lembra que o valor atual é referente principalmente a linhas telefônicas. Caso tenha que pagar o condomínio, pelo uso dos boxes, a redução do espaço será feita. "A gente está aguardando uma resposta deles, como o pagamento já muda agora, estamos com o prazo apertado, temos que resolver isso até o final do mês", destaca.

Poupatempo diz que rateio é necessário

O Poupatempo Bauru presta cerca de 70 mil atendimentos por mês e a área útil de atendimento é de cerca de 2.300 metros quadrados, dos quais quase um terço (mais de 700 metros quadrados) é ocupado pela Prefeitura de Bauru.

A Prodesp, empresa gestora do Programa Poupatempo, realiza o rateio de despesas comuns (água, luz, limpeza, vigilância, manutenções, etc) entre os órgãos que disponibilizam serviços nas unidades, considerando-se a metragem quadrada utilizada, tal qual previsto no Decreto nº 42.886, de 1998, com alterações do Decreto nº 62.588, de 2017, aplicado nos 71 postos Poupatempo. "No adequado rateio de despesas, considerando-se a área ocupada pela prefeitura, temos o valor de ressarcimento de tais despesas em cerca de R$ 38 mil por mês", informa o Poupatempo, através da assessoria de imprensa.

A Administração Municipal de Bauru ressarciu, até dezembro de 2017, as despesas de telefone e uniformes do pessoal, motivo pelo qual o valor era de aproximadamente R$ 2 mil por mês, sendo que desde o primeiro semestre de 2017 o ressarcimento de todas as despesas comuns vem sendo discutida com a prefeitura. Em setembro de 2017, a Prefeitura solicitou que esse ressarcimento ocorressem a partir de 2018, pois não havia disponibilidade orçamentária para o ano de 2017. O ressarcimento do total de despesas comuns da área ocupada pela prefeitura foi realizado a partir de janeiro de 2018, completa a nota.