| Fotos: Douglas Reis |
| Segundo o diretor do Centro de Trabalho e Educação da P2, Marcos Roberto Cury, os sentenciados têm a oportunidade de participar de uma série de projetos |
| Kátia e José Ronaldo selaram a união com um beijo romântico |
| Graziela Regina Rodrigues Machado Chamorro está com Cristopher Lee Martins Chamorro há quatro anos |
Juntos há 14 anos, o reeducando José Ronaldo de Assis Oliveira, de 30 anos, e Kátia Aparecida Canuto, de 28 anos, finalmente, conseguiram oficializar a sua união, nessa terça-feira (22) pela manhã, na Penitenciária "Gilmar Monteiro de Souza", a P2, em Balbinos (73 quilômetros de Bauru). Outros seis casais - sendo dois por procuração, porque as noivas não puderam participar - fizeram o mesmo, durante a 3.ª Jornada de Cidadania e Empregabilidade, promovida pela unidade prisional.
Kátia relata que conheceu o amado na vizinhança, ainda adolescente, e foi amor à primeira vista. Tanto que nem a prisão do reeducando separou o casal, que vivia em São Paulo e já tem dois filhos, Celso Henrique, de 5 anos, e Ronaldo Vitor, de 3.
Se tudo der certo, José Ronaldo estará livre em janeiro do ano que vem. "Aí vai dar para curtir a lua de mel", complementa o sentenciado, que cumpre pena há um ano, só em Balbinos.
O casal foi o destaque da cerimônia, já que Kátia fez questão de levar um par de alianças para o pastor Rodolfo César de Oliveira e o padre Sebastião Antônio da Silva abençoarem. "Não existe casamento sem alianças", constata a noiva, que terá de levar a joia para casa, até que o reeducando seja solto.
Já Graziela Regina Rodrigues Machado Chamorro, de 37 anos, não levou alianças à unidade prisional, mas sim, a sogra, a auxiliar de serviços sindicais Rosemeire Maria Martins, de 44, por quem sente bastante apreço.
Inclusive, a mãe do sentenciado Cristopher Lee Martins Chamorro, de 26, chegou a se emocionar durante a celebração. "É uma união que começa entre as grades, mas, se Deus quiser, irá muito além delas", deseja.
O rapaz narra que conheceu a esposa há quatro anos, enquanto trabalhava como segurança na Expo Bauru. "Gostei dela e estamos juntos até hoje", acrescenta Cristopher.
O casal, que estava sem se ver há um ano, morava em Bauru e cria dois filhos, Mateus, de 8, e Nicole, de 7. "Primeiro, eu queria oficializar a nossa união, para, depois, visitá-lo na penitenciária", explica a noiva.
INEDITISMO
| Douglas Reis |
| Gislaine Fernandes Constante e Andrea Didier Vidal de Negreiros esperam que o casamento comunitário ocorra mais vezes |
Diretora técnica 3 da P2, em Balbinos, Gislaine Fernandes Constante adianta que esta foi a primeira vez em que a unidade prisional promoveu o casamento comunitário. A iniciativa integrou a programação da 3.ª Jornada de Cidadania e Empregabilidade, que começou ontem e só terminará na sexta-feira.
Ainda de acordo com Gislaine, o objetivo do evento é devolver a cidadania aos sentenciados. "Nós redobramos os esforços para fazer certidões de nascimento, RG, CPF e, neste ano, a cereja do bolo, que foi o casamento", reforça.
A ideia de realizar uma celebração como esta partiu da supervisora técnica 3 da P2, Andrea Suzanne Didier Vidal de Negreiros. "Creio que a administração feminina da unidade tenha colaborado para que tal concepção se tornasse realidade", frisa.
Falando nisso, a diretora técnica 3 da P2 foi a primeira mulher a liderar uma penitenciária masculina em todo o Estado de São Paulo. Gislaine é psicóloga e foi transferida da direção da unidade prisional de São Vicente, no Litoral paulista, para a de Balbinos, criada em 2006.
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Remição de pena
Na P2, em Balbinos, considerada uma penitenciária de regime fechado e segurança máxima, os cerca de 1,6 mil reeducandos têm a oportunidade de participar de uma série de projetos, que leva à remição de pena.
Segundo o diretor do Centro de Trabalho e Educação da P2, Marcos Roberto Cury, os sentenciados confeccionam cigarros de palha, rabiolas de pipa e prendedores de roupa para algumas empresas parceiras revenderem.
Além disso, eles têm a chance de participar de um projeto de leitura, bem como de outro, no qual aprendem a fazer artesanato.
Os reeducandos podem, ainda, cuidar da horta orgânica, cujos produtos são consumidos por eles mesmos e pelos servidores da unidade prisional. "Nós buscamos, portanto, a ressocialização", conclui.
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