10 de julho de 2026
Geral

Greve dos caminhoneiros já causa impactos econômicos no município

Marcus Liborio
| Tempo de leitura: 5 min

Samantha Ciuffa
Pacífica, manifestação na Bauru-Jaú reuniu aproximadamente 65 caminhoneiros, ontem à tarde

Com protestos em rodovias da região e em todo o País, a paralisação dos caminhoneiros contra a alta do diesel chegou ao terceiro dia ontem e já causa impactos econômicos em Bauru. Itens básicos que compõem a mesa da população, como batata, cebola e tomate, registraram alta de preço na Central de Abastecimento (Ceasa) e os supermercados informam o desabastecimento de alguns alimentos perecíveis - frutas, verduras e legumes.

O reflexo da greve é sentido também nos Correios, que suspenderam temporariamente as encomendas com dia e hora marcados (Sedex 10, 12 e Hoje), e influenciado no setor industrial, que contabiliza prejuízos. O movimento coloca em xeque, ainda, as cargas de papel, o que pode prejudicar, inclusive, a tiragem de jornais do JC.

Caminhoneiros autônomos de Bauru participaram de um protesto realizado ontem às margens da rodovia Comandante João Ribeiro de Barros (SP-225), a Bauru-Jaú. Eles declaram que não há mais condições de trabalhar e cobram soluções rápidas do governo.

ATACADO E VAREJO

O movimento já repercute na comercialização de produtos no atacado. Na Ceasa de Bauru, o valor da batata (saco de 50 quilos) dobrou, passando de R$ 70,00 para R$ 140,00. O mesmo ocorreu com a cebola (saco de 20 quilos), que subiu de R$ 70,00 para R$ 140,00. Outro item básico, o tomate (caixa de 22 quilos) era vendido por R$ 65,00 e, agora, já custa R$ 90,00.

O preço do morango (caixa) também registrou alta de R$ 11,00 para R$ 18,00;, bem como o abacaxi (unidade), de R$ 4,00 para R$ 5,00; e a melancia (quilo), de R$ 0,95 para R$ 1,20.

O varejo também sente os primeiros reflexos. A Associação Paulista de Supermercados (Apas) afirma que as paralisações já causam desabastecimento nos supermercados, em especial itens de FLV (Frutas, Legumes e Verduras), que são perecíveis e de abastecimento diário.

"Carnes e produtos industrializados que levam proteínas no processo de fabricação já estão com as entregas comprometidas pelos atrasos no reabastecimento. A entidade espera resoluções imediatas para que a população não sofra com a falta de produtos de necessidade básica", ressalta, em nota.

MEDIDAS JUDICIAIS

Após sofrer prejuízos, o setor industrial busca alternativas para garantir que a atividade seja normalizada. Diretor regional do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), Gino Paulucci Júnior disse que a entidade vem tentando medidas judicias que possibilitem fazer o trânsito normal das mercadorias. "Isso não garante, entretanto, que os motoristas passam pelas barreiras nas estradas. O governo precisa tomar uma providência decente", critica.

Gino explica que as paralisações têm causado reflexos preocupantes. "Tem gerado muito prejuízo. Uma empresa de Bauru, por exemplo, não consegue enviar máquinas para participar de uma feira da Argentina, a mais importante do segmento. O limite para envio seria hoje (ontem), mas o caminhão não consegue chegar na fábrica para carregar".

POSTAGENS SUSPENSAS

A greve nacional dos caminhoneiros, iniciada na segunda, está impactando fortemente as operações dos Correios, confirma o órgão, em nota. Diante do cenário, informa que estão temporariamente suspensas as postagens das encomendas com dia e hora marcados . "Em todo o País, do total da carga postal pronta para entrega na terça, 16% das encomendas e 19% das correspondências deixaram de ser entregues. No Interior de São Paulo, 27% das correspondências deixaram de ser entregues".

"Os Correios estão aceitando postagem de Sedex e PAC, no entanto, enquanto perdurarem os efeitos desta greve, haverá o acréscimo de dias no prazo de entrega desses serviços, bem como das correspondências. A empresa está acompanhando os índices operacionais de qualidade de toda essa cadeia logística e, tão logo, a situação do tráfego nas rodovias retorne à normalidade, reforçará os processos operacionais para minimizar os impactos à população".

POSTOS

Já o sindicato dos postos diz que Bauru não corre o risco de ter falta de combustíveis nos estabelecimentos, por enquanto. "Porque a base de distribuição é dentro da cidade e boa parte da gasolina e do diesel vêm de trem. Sobre as notícias de não cobrar os impostos do cliente nesta quinta, acho difícil Bauru aderir, pois o imposto é pago antecipadamente", declara o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo (Sincopetro), José Antônio Reghine. 

'Não há mais condições de trabalhar desse jeito'

Samantha Ciuffa
Claudemir Ribeiro: "A gente cada vez mais na defasagem"

Cerca de 65 caminhoneiros protestaram ontem no quilometro 220 da Bauru-Jaú. O ato seguiu pacífico e contou com apoio de motociclistas, que estacionaram no posto de combustíveis ao lado dos caminhões. Caminhoneiro há mais de 30 anos, Marco Antônio Clavero, 52, critica as altas seguidas de diesel.

"No dia 1 deste mês, o litro do óleo diesel estava R$ 3,19. No dia 18, já paguei R$ 3,69, durante as subidas sequenciais. O valor do frete não sobe, ninguém faz nada e a gente com compromisso. Não tem mais condições de trabalhar, de manter o caminhão", desabafa.

"Essa situação vem se arrastando há pelo menos três anos. O diesel subindo praticamente todos os dias. A gente cada vez mais na defasagem. Gastamos R$ 1,5 mil para abastecer e dura dois dias de trabalho", complementa o caminhoneiro Claudemir Alves Ribeiro, 53 anos.

PAPEL

Diretor do Grupo Cidade, Renato Zaiden disse que a entrega de papel está prejudicada. "As empresas, hoje, trabalham com estoque mínimo, o necessário. Nós temos um estoque regulador, mas a última demanda foi entregue quarta passada. Nessa semana, a gente já não recebeu. Nós temos uma demanda ao nosso jornal e também para terceiros. Agora, estamos procurando alternativas porque, se a greve não acabar, a gente vai ter problema de suplemento".

"A curto prazo, temos estoque. Aos finais de semana, por exemplo, atendemos mais de 50 cidades com jornais de terceiros. Estamos preocupados e buscando alternativas, para não ficarmos desabastecidos. Tem uma carreta de 40 toneladas parada no Paraná, onde o movimento é mais forte", finaliza.

FIESP: PREOCUPAÇÃO

Em nota, a Fiesp manifesta sua preocupação e indignação em relação à greve dos caminhoneiros, que já está gerando prejuízos importantes para a indústria e para a sociedade como um todo. "Espera-se que, em um prazo curto, seja construído um entendimento para que a situação volte à normalidade", destaca.