| Malavolta Jr. |
| Paulo Sérgio de Oliveira, de Barueri, descansa em uma rede; momento de entrega de lanches aos motoristas |
No quarto dia de paralisação dos caminhoneiros em protesto contra a alta no preço dos combustíveis no Brasil, a região ganhou novos pontos de bloqueio, em Igaraçu do Tietê e Torrinha. O número de adesões nos locais onde a greve começou na segunda-feira (21) também aumentou. Em algumas cidades, como Bariri e Lençóis Paulista, alguns postos estão sem combustível. Frigoríficos também tiveram que realizar adequações por não conseguirem escoar a produção. Ontem à noite o governo e um grupo de caminhoneiros anunciaram um acordo para suspender a greve por 15 dias (leia mais na pág.14).
Em Igaraçu do Tietê, segundo a Polícia Rodoviária, desde às 7h de ontem, cerca de 300 caminhoneiros ocupam o pátio de um posto de combustível e acostamentos na altura do quilômetro 180 da rodovia Deputado João Lázaro de Almeida Prado (SP-255). No final da tarde, outro ponto de bloqueio foi instalado no quilômetro 19 da rodovia Dr. Américo Piva (SP-197), em Torrinha.
Pontos de paralisação nas rodovias engenheiro João Baptista Cabral Renno (SP-225), em Cabrália Paulista (quilômetro 270) e Santa Cruz do Rio Pardo (quilômetros 306 e 309); Comandante João Ribeiro de Barros (SP-225), em Pederneiras (quilômetro 220); Professor João Hipólito Martins (SP-209), a Castelinho, em Botucatu (quilômetro 19); e Dona Leonor Mendes de Barros (SP-333), em Marília (quilômetro 322), ganharam novas adesões. Em nota, a Concessionária Auto Raposo Tavares (Cart), que administra o trecho de Cabrália Paulista e Santa Cruz do Rio Pardo, informou que obteve liminar na justiça para garantir a circulação dos veículos e que acompanha os pontos de manifestação para manter a integridade de motoristas e manifestantes. "Sem prejuízo do direito constitucional de manifestação, a Cart reitera a importância de manter a segurança viária", alega.
A reportagem visitou um ponto de bloqueio montado na altura de um posto no quilômetro 318 da rodovia Marechal Rondon (SP-300), em Agudos. Um dos organizadores do movimento, o caminhoneiro Oswaldo Pires de Camargo, que é de Agudos, conta que o número de manifestantes aumentou bastante neste quarto dia de greve. Ontem, segundo ele, cerca de 700 veículos ocupavam acostamentos e pátio do posto em apoio à paralisação.
"Não está dando nem para sobreviver direito. Quando quebra o caminhão, para conseguir dinheiro para arrumar dá trabalho. Nós não temos força de ninguém. Então, fica difícil. E esse preço do diesel, que era R$ 3,19 e foi para quase R$ 4,00, é um absurdo. Nós queremos ver uma melhoria e vamos ficar aqui até termos resultado", diz. Além de lanches, leite, água e refrigerante, ele conta que o grupo está recebendo doações de marmitas.
O caminhoneiro Gilberto Ramos da Silva, que é de Tatuí, fez uma entrega de tijolos em Birigui e, desde a tarde de quarta-feira (23), engrossa a lista de grevistas parados em Agudos. "É um movimento que deve ser abraçado. Nós estamos pagando pra trabalhar. Não tem margem de lucro mais", reclama.
O colega de profissão Benedito Camargo, de Marília, que se uniu ao grupo ontem, cobra uma política de valorização da categoria. "É o mínimo que a gente pode fazer para mostrar o valor que o motorista tem. Isso é para o governo ver que a gente não está brincando e respeitar mais os motoristas", afirma. "Está muito difícil, o óleo está muito caro, o combustível caro. Eu espero que essa grave beneficie todo mundo".
Morador de Barueri, Paulo Sérgio de Oliveira chegou ao posto na quarta-feira e passou a noite em uma rede. Ele conta que pretende ficar no local até que o governo anuncie alguma medida que beneficie a categoria. "Se a gente não aderir à greve, não vamos conseguir mudar nada", declara. "Com o preço do óleo diesel, o frete está ficando todo no combustível".
READEQUAÇÕES
Em razão da greve dos caminhoneiros, a JBS, que tem uma unidade em Lins, anunciou por meio de nota que está adotando algumas medidas nas suas fábricas, entre elas a paralisação de algumas unidades de carne bovina, aves e suínos, sob a justificativa de impossibilidade de escoamento da produção.
O gerente financeiro do Frigorífico Itabom de Arealva, Alessandro Bergamo, informou que a paralisação já afeta o escoamento da produção do abatedouro de frango. Ontem, nenhum veículo saiu da unidade porque vários caminhões que estavam retornando para serem carregados ficaram parados em bloqueios. "Tenho a venda e a mercadoria, mas não tenho o veículo para carregar. No caso do frango resfriado, a validade é curta, de apenas 15 dias, e, se a greve continuar, vamos ter que parar o abate", diz. Ele conta que uma reunião hoje irá decidir se o abate será suspenso em razão da maior adesão à greve.
A preocupação também é com o abastecimento de ração nas granjas, onde estão as aves que precisam ser alimentadas diariamente. De acordo com Bergamo, a greve pode reduzir o envio de ração porque os grevistas estão retendo os caminhões com soja nos bloqueios.
O gerente explica que, na granja, a ração dura cerca de quatro dias e, sem a reposição, o estoque pode chegar ao fim. "Já há frigorífico com carga viva sendo parado. Ainda não ocorreu isso no nosso trecho, mas percebemos que a adesão à greve está aumentando", declarou. A unidade abate 100 mil aves por dia.
DESABASTECIMENTO
Com caminhões-tanques de distribuidoras de combustível parados nos bloqueios, motoristas da região fizeram filas em postos de diversas cidades para não correrem o risco de ficar a pé. O JC apurou que alguns estabelecimentos de Lençóis Paulista, Jaú, Bariri e Botucatu já estão sem etanol, diesel e gasolina.
A Prefeitura de Macatuba emitiu nota informando que, em razão da falta de combustível, a partir de hoje, o transporte circular vai funcionar apenas de manhã e no final da tarde para atender os trabalhadores. Já a coleta de lixo passará a ser feita três vezes por semana, às segundas, quartas e sextas-feiras.
Em Botucatu, a prefeitura decretou estado de emergência e anunciou contingenciamento de combustíveis em alguns setores para garantir serviços essenciais, como transporte de alunos, merenda escolar, Samu, ambulâncias e viaturas da Guarda Civil Municipal (GCM). A coleta porta a porta da campanha do agasalho, marcada para o próximo sábado (26), foi cancelada.
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| Greve dos caminhoneiros na região de Agudos Gilberto Ramos da Silva Caption |
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| Greve dos caminhoneiros na região de Agudos Caption |
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| Oswaldo Pires de Camargo, um dos organizadores da paralisação em Agudos |
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| Greve dos caminhoneiros na região de Agudos Benedito Camargo Caption |
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| Greve dos caminhoneiros na região de Agudos Caption |
| Reprodução/Redes Sociais |
| Em Lençóis Paulista, postos de combustível também ficaram lotados durante todo o dia |
| Luizinho Andretto |
| Motoristas de Jaú fizeram fila para abastecer em posto na avenida Anna Claudina |
| Fotos: Malavolta Jr. |
| Greve dos caminhoneiros na região de Agudos; motoristas de Jaú fizeram fila para abastecer em posto na avenida Anna Claudina |