Acompanho as sabatinas dos candidatos à Presidência e cinco deles exibiram um comportamento lunático e visão estrábica sobre a questão da violência no País, opondo-se frontalmente ao direito ao porte de armas: Aldo, Ciro, Marina, Manuela e Boulos. Se em geral são contra o porte porque acham que aumentaria a violência, Ciro e Marina destrambelharam, dizendo, respectivamente, que "seria um banho de sangue" e que "não acreditam na justiça pelas próprias mãos". Em que mundo vivem? Não seria "banho de sangue" a morte violenta de 60 mil brasileiros e as centenas de milhares de feridos anualmente? Além disso, ao contrário do que disse Marina, não se quer fazer justiça com as próprias mãos, mas ao menos se impedir a injustiça! Quando veio o malfadado Estatuto do Desarmamento, fruto da ilusão petista contra as injustiças sociais, o Brasil já sofria com 29 mil mortes anuais. Desde então, em pouco mais de 10 anos, esse número aumentou 100%, e segue crescendo.
O direito à vida é um bem inalienável, que não poderia ser cerceado por lei. O estado brasileiro adotou o monopólio da segurança, mas as centenas de milhares de vítimas anuais que são estupradas, roubadas e agredidas parecem não integrar esse contexto de segurança. Quanto aos mortos, resta apenas a lápide e o esquecimento.
A ideia do porte não é criar um faroeste americano do século 19, mas dar o direito de defesa a quem quiser exercer esse controle. Ademais, nenhuma arma pode ser comprada ou portada por quem não tenha feito cursos e apresentado atestados psicológicos, assim como se o faz para o direito de dirigir! Que se exija cursos de tiro de ação reflexa e capacitação, como se exige direção defensiva para tirar a CNH; que se puna com severidade quem usar a arma de forma errada, assim como se pune quem assim dirige. Ano passado, perto de 50 mil pessoas morreram vítimas do trânsito. Deveriam impedir também o uso indiscriminado dos meios de locomoção para redução da violência?
Mas a insensatez na restrição do porte de arma é a falta de argumento convincente para embasar a proibição. Nos EUA, embora existam 500 milhões de armas registradas, houve 17 mil homicídios em 2017, contra os nossos 60 mil para os míseros 4 mil milhões de armas daqui! Transformando-se isso em números proporcionais a cada grupo de 100 mil habitantes, lá se matam 5,6 americanos, contra 26 daqui, ou seja, no Brasil se mata quase cinco vezes mais do que lá! Onde é mais seguro viver: num país onde todos têm armas em casa, no carro e na cintura, ou no Brasil, em que os sábios da segurança pública decidiram que o cidadão de bem é o responsável pela violência, deixando-o à sorte das orações e clemência nos encontros diários com a bandidagem?