10 de julho de 2026
Nacional

Governo pretende negociar, mas sem abrir mão da autoridade

Estadão Conteúdo
| Tempo de leitura: 3 min

O ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Sérgio Etchegoyen, disse que o governo continua aberto ao diálogo com os caminhoneiros, mas que a ordem no Palácio do Planalto é "não abrir mão do exercício da autoridade sempre que isso for necessário".

O ministro lembrou que foi firmado um acordo entre governo e os movimentos de trabalhadores, mas que parte dos caminhoneiros não o cumpriu. Etchegoyen classificou como "menor parte de 30%" dos caminhoneiros que continua com a paralisação e que tem exercido pressão sobre os outros 70%.

A manutenção das paralisações, diz o ministro, tem prejudicado vários segmentos essenciais, como o Ministério da Saúde. "Um ponto dramático que precisa de muita atenção é o sistema nacional de transplantes que foi comprometido. Já perdemos órgãos", disse.

Para tentar acelerar a normalização, o ministro destacou a estratégia jurídica que tem conseguido resultados, como o acolhimento pelo Supremo Tribunal Federal de pedido da Advocacia-Geral da União que estabelece multas diárias para motoristas e por hora para empresas que mantiverem caminhões parados.

Todo o esforço, disse o ministro Etchegoyen, vai "continuar durante todo o domingo e enquanto a normalização exigir". Segundo ele, "já há muitas perspectivas no horizonte de que as coisas começam a normalizar". "Não é rápido. Cada caminhão vai precisar de várias viagens", disse, ao lembrar que as Forças Armadas já estão atuando e colaboram, por exemplo, na condução de veículos de transporte para suprir esse esforço de abastecimento.

PRF aponta 586 pontos ativos bloqueados nas rodovias

Caminhoneiros seguem com mobilizações em rodovias de todo o País completando o sexto dia de protestos. A Polícia Rodoviária Federal (PRF) informou na noite deste sábado (26), que o número de pontos de manifestação identificados em rodovias federais aumentou de 938, registrados na sexta, para 1.163.

Desse total de 1.163 identificados, 577 pontos foram liberados entre o início das manifestações até as 19h deste sábado. Entretanto, o número de pontos que continuam bloqueados, ainda que parcialmente, de ontem para hoje aumentou, de 519 para 586. Segundo a PRF, esse número tem alta toda vez que há uma dispersão, pois grupos tendem a se espalhar e acabam interferindo em outros pontos.

O maior número de estradas interditadas até a noite deste sábado está no Rio Grande do Sul (94). Já o Estado que teve o maior número de estradas liberadas é Pernambuco (66). São Paulo possui apenas um ponto ainda interditado e 40 já liberados. Os Estados do Acre, Amazonas e Amapá não possuem mais interdições.

Abear: 95% dos voos de associadas foram realizados neste sábado

Até às 20h deste sábado, 26, as quatro companhias que fazem parte da Associação Brasileira das Empresas Aéreas - Abear (Avianca, Azul, Gol e Latam) conseguiram manter as operações de 95% de seus voos, aproximadamente, segundo informou a entidade.


"Mesmo com todas as dificuldades enfrentadas, pela falta de combustível em diversos aeroportos, as companhias readequaram voos e buscaram mitigar os transtornos aos seus passageiros. Isso só foi possível graças a uma ampla cooperação entre órgãos públicos, federais e estaduais, e privados desde a noite de ontem, sexta-feira", disse.


A Abear reafirmou que os cancelamentos, quando acontecem, decorrem de "motivos inteiramente alheios à gestão de suas associadas". "As companhias têm buscado diminuir o impacto junto a seus passageiros, que podem alterar seus voos sem a cobrança de taxa de remarcação e das diferenças tarifárias da passagem para nova data, sem multas, de acordo com a disponibilidade."


Aos passageiros que têm voos programados nos próximos dias, permanece a recomendação de consulta do status de voo junto às empresas antes do deslocamento ao aeroporto.