| Samantha Ciuffa |
| Nessa quarta (30), os combustíveis chegavam aos postos onde os produtos ainda estavam em falta |
Os caminhoneiros começaram a deixar os trechos das rodovias em Pederneiras, Agudos e Botucatu, nessa quarta-feira (30), fazendo com que Bauru retomasse, aos poucos, a sua rotina, embora o município tenha sido o único da região com estoques abastecidos de combustíveis durante praticamente toda a greve, deflagrada no último dia 21. Inclusive, os produtos chegavam aos postos e, segundo o Sincopetro, não há previsão para aumento dos preços.
O JC percorreu dez postos de combustíveis da cidade e só o proprietário de um dos estabelecimentos aceitou conversar com a reportagem, mas não quis ser identificado. De acordo com ele, ontem, o estoque de gasolina estava baixo e não havia etanol.
Ainda segundo o dono do posto de combustíveis, anteontem, o estabelecimento recebeu apenas 5 mil litros de etanol, sendo que o caminhão teve de ser escoltado pela Polícia Militar (PM). Já nessa quarta (30), vieram somente 5 mil litros de gasolina comum e outros 5 mil de aditivada.
Por outro lado, a expectativa do empresário é de que o abastecimento começasse a se normalizar a partir de hoje. "Os preços não pararam de subir, mas nós tememos repassá-los, porque ninguém entende que temos custos fixos para bancar. Nos últimos dias, recebi pouco combustível, porém, os gastos com folha de pagamento e manutenção do local são os mesmos", acrescenta.
O JC também entrou em contato com outros três postos de combustíveis do município, sendo que apenas um deles estava sem gasolina. Todos revelaram que não há previsão de aumento dos preços, após o fim da greve dos caminhoneiros.
E O GÁS?
Conforme o JC noticiou, desde o último sábado (26), o gás de cozinha "sumiu" da maioria dos estabelecimentos do setor, em Bauru. Tanto que alguns condomínios residenciais emitiram comunicado para informar o racionamento de gás. Em um deles, o registro seria aberto em horários estratégicos: das 6h às 8h, das 11h às 14h e das 18h às 21h.
O proprietário de uma distribuidora do produto, que também preferiu não ser identificado, revela que, a partir de hoje, os botijões começariam a chegar. Nessa quarta (30), havia restaurantes fechados, devido à falta do gás de cozinha.
Entretanto, o empresário está otimista. "Se os caminhões chegarem amanhã (hoje), o problema não será resolvido por completo, mas alivia esta pressão. Espero que os estoques estejam abastecidos dentro de até seis dias", completa.
Em nota, a assessoria de comunicação do Sindigás informa que as revendas de GLP estão, na maioria, desabastecidas. Entretanto, os ministérios da Defesa, de Minas e Energia e a ANP têm dado ao GLP o tratamento de produto essencial, agindo para que as cargas de botijões - tanto vazios, para serem abastecidos, ou cheios, para repor os estoques das revendas - sejam liberadas e cheguem ao seu destino.
Clodoaldo Gazzetta: 'Tudo está se normalizando no município'
Na última sexta-feira (25), o prefeito Clodoaldo Gazzetta (PSD) decretou situação de emergência pública, em Bauru, por conta da paralisação nacional dos caminhoneiros. Nessa quarta-feira (30), ele afirmou à reportagem que a extinção do decreto é automática, ou melhor, conforme a situação se normaliza.
"Foi mais um decreto de prevenção, afinal, ainda estávamos bem abastecidos. Hora ou outra, houve agravamento, mas estivemos tranquilos", avalia.
Ainda de acordo com o prefeito, nessa quarta (30), não foi registrada qualquer intercorrência envolvendo o desabastecimento dos órgãos municipais. "Tudo está se normalizando", complementa.
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E os preços dos combustíveis?
Presidente do Sincopetro, em Bauru, José Antônio Reghine afirma que não há previsão de aumento dos preços após o final da greve. Além disso, o empresário garante que poucos postos da cidade estão totalmente desabastecidos. "Tudo depende das distribuidoras, mas espero que tudo volte ao normal, em Bauru, dentro de até três dias", antecipa.
Conforme dados divulgados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), em 1 de julho de 2017, dois dias antes de a Petrobras adotar a política de ajuste de preços, o litro da gasolina custava, em Bauru, R$ 3,263. Já entre os dias 20 e 26 de maio deste ano, data da pesquisa mais recente da ANP, o preço do litro era de R$ 4,177, ou seja, houve alta de 28%.
Em relação ao etanol, em 1 de julho de 2017, o litro do produto custava, em Bauru, R$ 2,044. Entre os dias 20 e 26 de maio deste ano, o preço do litro do combustível era de R$ 2,633, o que corresponde a uma elevação de 28,8%.
Questionada sobre a normalização do abastecimento de combustíveis, a assessoria de comunicação da ANP alegou que a previsão era de que isso ocorresse em todo o País dentro de, no máximo, sete dias.
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Inflação e custo de vida
Segundo o economista Mauro Gallo, a tendência de alta de alguns produtos - como combustíveis e, principalmente, alimentos - deverá elevar a inflação. "Quando os estoques estiverem abastecidos por completo, a demanda será alta e, consequentemente, os preços poderão subir, fato que repercutirá na inflação e no custo de vida das pessoas", justifica.
Porém, Gallo não acredita em especulação, no caso dos preços dos combustíveis. De acordo com ele, se subirem, a tendência é de que permaneçam em alta apenas até o abastecimento total dos estoques.
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Está quase tudo liberado, diz polícia
| Malavolta Jr./JC Imagens |
| Major Heraldo C. Monteiro |
| Éder Azevedo/JC Imagens |
| Major Wanderlei de Andrade |
Coordenador interino de operações do 4.º Batalhão de Polícia Militar do Interior (4.º BPM-I), o major Heraldo Carlos Monteiro revela que, ontem, a Polícia Militar (PM) participou de uma operação junto à Polícia Militar Rodoviária.
Na ocasião, alguns caminhoneiros solicitaram a ajuda da corporação, porque queriam sair dos trechos de Agudos e Pederneiras, mas outros colegas não teriam permitido. "A operação se deu das 8h às 13h e não houve qualquer intercorrência", acrescenta.
'80% DEIXARAM'
Segundo o major Monteiro, 80% dos caminhoneiros deixaram os trechos de ambas as cidades e o restante só aguardava a liberação de dinheiro, por parte das empresas, para que pudesse seguir viagem.
Coordenador de operações do 2.º Batalhão de Policiamento Rodoviário (2.º BPRV), o major Wanderlei de Andrade Júnior explica que, em Santa Cruz do Rio Pardo, Duartina e Cabrália Paulista, a situação é semelhante. "A expectativa é de que tudo esteja liberado até amanhã (hoje)", frisa.
Já em Botucatu, Barra Bonita, Bariri e Torrinha, todos trechos estão liberados.