08 de julho de 2026
Internacional

Espanha: Mariano Rajoy é destituído


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Pierre-Philippe Marcou/Reuters
Pedro Sanchez (à esq.) aperta mão de Mariano Rajoy após o Parlamento votar pela sua saída

O governo espanhol foi destituído por votação parlamentar ontem devido a um vultoso escândalo de corrupção semelhante àquele investigado no Brasil pela Operação Lava Jato.

Deputados aprovaram pela maioria absoluta, em uma Câmara de 350 cadeiras, a moção de censura contra o então premiê Mariano Rajoy, do conservador PP (Partido Popular). A manobra fora apresentada na véspera pelo líder opositor Pedro Sánchez, do PSOE (Partido Socialista Operário Espanhol), que passa a ser o premiê em exercício até a sua confirmação pelo rei Felipe na segunda-feira (4).

Votaram pela remoção de Rajoy, além do PSOE, o esquerdista Podemos, os catalães da Esquerda Unida e o Partido Nacionalista Basco, entre outras pequenas formações. A favor do ex-premiê, votou a sua própria sigla e o aliado Cidadãos, de centro-direita.

O governo de Rajoy, inaugurado em 2011, foi o responsável pelas controversas medidas de austeridade implementadas em meio à crise financeira global de 2008.

Durante sua gestão, o país superou o dilúvio e passou a liderar o crescimento do bloco europeu - apesar de ainda ter um desemprego de 35% entre a população com menos 25 anos. "Foi uma honra ser premiê e deixar uma Espanha melhor do que aquela que encontrei", Rajoy escreveu em uma rede social antes mesmo da votação da moção.

Também nos quase oito anos de seu mando a Espanha enfrentou o maior desafio político desde a redemocratização dos anos 1970, com as reivindicações separatistas da Catalunha, uma região com autonomia parcial. Ao deixar o palácio de Moncloa, o ex-premiê Rajoy levará consigo a fama de ter sido incapaz de resolver essa questão.

PUNIÇÃO

Não por acaso os votos decisivos, somados aos do PSOE e aos do esquerdista Podemos, vieram dos pequenos partidos nacionalistas catalães e bascos, que enxergaram ali uma oportunidade de puni-lo.

Rajoy também sai com a imagem negativa de ter liderado um governo soterrado por acusações de corrupção. A moção de censura foi apresentada pela oposição após a Justiça condenar 29 pessoas à prisão - incluindo seu ex-tesoureiro, Luis Bárcenas, acusado de cobrar comissões em contratos públicos. As penas na Operação Gurtel, ligada diretamente ao PP, somam 351 anos. Para o tribunal, o partido se beneficiou de um esquema de venda de concessões - algo que a sigla e o ex-premiê Rajoy negam.