O estar dentro ou fora de uma boleia de uma caminhão agora é onde está a questão. Podemos dar, é claro, os nossos pareceres, mas sabemos que não temos um alcance muito amplo para saber exatamente quem e o porquê de ter acendido tal estopim. Porém, a greve realizada nas principais estradas brasileiras é agora o que dita o tom político social no atual momento, e apesar da baixa visibilidade, dá para se ter a impressão que as coisas começam a mudar de direção para sair da contramão, nas nossas tão esburacadas estradas da antiética política nacional.
Pode-se perceber que a classe caminhoneiro trará mudanças significativas, como, sem exageros, trouxeram as guerras em países que hoje sorriem com uma bela sociedade, não sem antes terem chorado muito, caso da nação japonesa que sofreu horrores e destruição em massa com a guerra, guerras essas que podem fazer afundar para sempre ou depois de algum tempo vir trazer à tona um estado resignado, próspero e soberano, digam isso também os germânicos ou franceses, que se reconstruíram para melhor depois do caos.
Caos esse que vem nos tirando as esperanças e o crédito em dias melhores, e se esta greve agora nos tirou de nossa "zona de conforto", pode-se pensar que sem guerra não haverá mudanças de grande significado, sem a perda da ascensão, essa que já vinha em morro a baixo depois de uns anos de uma certa ascensão, mas que já vinha morro abaixo, sem luzes, em fins de túneis.
No momento, é sofrer um pouco e esperar, procurar entender o que estamos passando, pois temos brasileiros com créditos o suficiente pela sua luta diária nas cabines de caminhões. Classe trabalhadora que, em sua maioria, nem são os donos das suas ferramentas de trabalhos, ou que pagam com os olhos da cara em financiamento para terem seus caminhões (não muito diferente das outras classes que penam para conseguir levar uma vida digna), mas o momento é deles e com inteligência e respeito tem esses agora grandes chances para atravessar o lamaçal em que estamos sem encalhar, e pegar estrada firme, levando o país na carona.
Rezemos e também lutemos ou nos conformemos em reclamar o famoso 'mimimimi" no "conforto" de nossas casas no máximo nas redes sociais, mas virtualmente qualquer um pode ser o Batman ou o Neymar, teoricamente pode-se ir além, mas todos precisamos mesmo é de colocar as coisas na prática, assim como os irmãos dos caminhões.
"Mas quando eu me lembro lá de casa
A mulher e os filhos esperando
Sinto que me morde a boca da saudade
E a lembrança me agarra e profana
O meu tino forte de homem
E é quando a estrada me acode" (Renato Teixeira)