| Samantha Ciuffa |
| Gazzetta: crise impactou na alta do consumo de remédios |
A Prefeitura de Bauru tem como um dos principais objetivos na Saúde, neste ano, a otimização da compra e distribuição de medicamentos. Em 2017, o município gastou cerca de R$ 17,2 milhões ao longo do ano na compra de remédios e insumos, valor que deve se manter em 2018, sendo 30% maior na comparação com 2016, quando a despesa era de R$ 13 milhões. Segundo avaliação do prefeito Clodoaldo Gazzetta (PSD), a crise econômica dos últimos anos impactou severamente no aumento do consumo de remédios pela população.
O valor engloba toda a aquisição, tanto para a distribuição nas Unidades de Assistência Farmacêutica (UAF) e Unidades Básicas de Saúde (UBS), como aqueles enviados para a rede de urgência e emergência.
| Aceituno Jr. |
| Pediatria aumentou demanda no Bela Vista, diz Fogolin |
Porém, as reclamações sobre falta de medicamentos e insumos e a demora em conseguir retirar os remédios nas farmácias municipais continuam. O prefeito Clodoaldo Gazzetta (PSD) aposta na informatização do sistema, que até hoje ainda tem controle manual, para reduzir as despesas e fazer uma distribuição mais adequada. A informatização está em desenvolvimento, por meio de parceria do município com a Universidade de São Paulo (USP), devendo ser lançada nos próximos dias. "Será um sistema pensado em Bauru, compatível com a nossa rede de saúde", frisa.
De acordo com o prefeito, o sistema permitirá um controle efetivo sobre tudo o que é comprado e na distribuição, evitando que eventualmente um mesmo paciente retire um remédio em dois locais, além de detectar com mais agilidade quais medicamentos e insumos estão perto de acabar ou qual o período de duração do estoque naquele momento. Gazzetta reitera ainda que as compras de medicamentos para o Programa Remédio em Casa já estão incluídas neste valor, mas terão aquisições separadas, específicas para o projeto.
No ano passado, dos R$ 17,2 milhões gastos com remédios e insumos, R$ 13,7 milhões vieram do governo federal, R$ 1,1 milhão do governo estadual e R$ 2,3 milhões de recursos próprios do município, de acordo com a Secretaria de Saúde, através da assessoria de imprensa da prefeitura, após solicitação do JC aos números.
DEMORA
Muitas pessoas reclamam, com frequência, da demora em retirar medicamentos e insumos nas UAF e UBS - além de remédios que eventualmente estão em falta. Neste mês, a vereadora Telma Gobbi (SD) falou sobre o problema na tribuna da Câmara Municipal e destacou que muitas vezes a fila na UAF do Centro, na rua Sete de Setembro, chega a virar a esquina com a rua Gustavo Maciel, com espera de horas.
O secretário municipal de Saúde, José Eduardo Fogolin, afirma que na UAF do Centro, cerca de 40% da demanda é de pessoas que vieram da rede privada, e que houve aumento da procura na UAF do Jardim Bela Vista. "No caso do Centro, há um grande número de pessoas que têm plano de saúde ou passaram por consulta privada e retiram remédio lá. No Bela Vista, a demanda é maior desde que a pediatria foi implantada na UPA do Bela Vista. São os dois onde há mais espera ainda", cita.
São três UAF em Bauru. Além do Centro e do Bela Vista, há uma no Geisel/Redentor, esta com registro de espera menor que as outras. Para diminuir o tempo que as pessoas ficam na fila, Fogolin acredita que a informatização vai ajudar. Também diz que pode ampliar a retirada nas UBS, em outros bairros, desde que a prefeitura contrate mais farmacêuticos. Neste caso, haveria mais horários de entrega de remédios e insumos nas UBS, o que reduziria a espera nas UAF. "É uma alternativa", frisa.
A previsão da prefeitura é gastar novamente cerca de R$ 17 milhões com medicamentos em 2018 e, caso a informatização seja concluída até o final do ano, bem como a entrega mais eficiente ao público, o município estima reduzir em cerca de 20% o gasto com medicamentos, desta vez atendendo mais pessoas e sem falta de remédios e insumos, uma das grandes demandas da população nesta área.