09 de julho de 2026
Bairros

Festas juninas 'pipocam' por Bauru!

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 9 min

Diocese de Bauru/ Divulgação
Festa junina na Capela Santa Maria Goretti, no Jardim Araruna, reuniu centenas de pessoas no ano passado; além desta, outras nove igrejas já confirmaram a realização do festejo neste ano

“Simbora pessoar”, tá aberta a temporada de festas juninas e também julinas em Bauru, “sô”!

Mesmo com a dificuldade dos últimos dias decorrente do cenário de paralisações no País, várias entidades, clubes, universidades, escolas e até um grupo de voluntários já confirmaram seus festejos em alusão aos três santos comemorados neste mês: São João (24 junho), Santo Antônio (13 de junho) e São Pedro (29 de junho).

Aliás, algumas quermesses como a da Paróquia de Santo Antônio, uma das mais tradicionais da cidade, já deram "start" às comilanças e comemorações. Desde o dia 31 de maio, a igreja recebe dezenas de pessoas nas barracas montadas em suas dependências.

Quer mais? Outras nove igrejas de Bauru também já divulgaram as datas de suas festas juninas, assim como cinco clubes da cidade, duas universidades, um centro de educação de jovens e adultos e mais 14 Escolas Municipais de Ensino Infantil (Emeis) e também integrais (Emeii).

Para facilitar, o JC Nos Bairros preparou um quadro com algumas das opções que foram divulgadas na última semana para quem quiser curtir o calendário junino (veja na próxima página).

BOLO SANTO E TREZENA

Samantha Ciuffa
Frei Alfredo Francisco de Souza, ao lado da imagem de Santo Antônio: dinheiro arrecadado com as festas juninas ajuda igrejas a manterem obras sociais

Com 78 anos de tradição na festa, a Paróquia Santo Antônio anunciou que trará novamente o bolo gigante com aproximadamente 3 mil quilos e que traz no recheio medalhas e pequenas imagens em alusão ao santo casamenteiro, além de um par de alianças em ouro. O corte do bolo será no dia 13 de junho.

Mais de cem pessoas participam da organização do festejo.

E, para dar conta da maratona de missas, vários padres da Diocese de Bauru participam da chamada trezena (13 dias de cerimônias com pregações especiais sobre Santo Antônio).

E nem tudo que a festa junina das igrejas arrecada é lucro. "Pelo contrário, o dinheiro geralmente nos ajuda a manter obras sociais. A igreja São Paulo Apóstolo, por exemplo, ajudará a creche Nossa Senhora do Desterro, que cuida de 60 crianças", comenta o frei Alfredo Francisco de Souza, assessor de comunicação da Diocese.

"Não são só as igrejas que têm os nomes dos padroeiros celebram. A festa junina é um ato de religiosidade e de devoção popular, que também virou um misto de tradição com folclore", acrescenta o frei.

Ceeja/Divulgação
Arraiá do Ceeja da Vila Souto no ano passado; edição 2018 da festa já foi confirmada para o dia 8 de junho (sexta-feira)

Arraiá do Ceeja

O Centro Estadual de Educação de Jovens e Adultos (Ceeja) Presidente Tancredo Neves, localizado na Vila Souto, traz uma das opções de festa junina aberta à comunidade. O Arraiá do Ceeja está programado para o dia 8 de junho, próxima sexta, às 19h, no pátio da escola. No local, o Clube da Viola fará apresentação e haverá barracas de de comidas típicas, como arroz doce, cachorro quente, pipoca, canjica, crepe, pastel, além de barraca de prendas, como a de pesca. A expectativa é reunir 600 pessoas. “Todo dinheiro arrecado na festa será para manutenção do prédio e para benfeitorias
dos alunos”, cita a professora Marisa Simonelli, que integra a organização.

Para diversos gostos e públicos

Agendão reúne mais de 30 festanças que serão realizadas por entidades, clubes, escolas e universidades no município entre junho e julho 

Social Bauru/Divulgação
A JunITE acontece no dia 7 de junho, das 19h às 22h30, e tem entrada gratuita

Dez igrejas, cinco clubes, duas universidades, um centro de educação de jovens e adultos e mais 14 Escolas Municipais de Ensino Infantil (Emeis) e também integrais (Emeii) divulgaram o calendário junino antes mesmo do início deste mês. As opções contemplam datas e horários diversos e são para os diferentes gostos e tipos de público. Os dias e horários das 32 festas, já anunciadas, podem ser conferidos no quadro abaixo.

UNIVERSIDADES

Pela primeira vez em anos, a TV Unesp realizará uma festa junina. A festa é gratuita e aberta à comunidade e tem como objetivo promover o estreitamento de laços entre população e Universidade.

Divulgação
Na JunITE, o sanfoneiro Cléber Gonzaga, sobrinho neto de Luiz Gonzaga, comandará o som

O arraiá será em 16 de junho, às 17h30, em um prédio atrás da TV. "Bebidas e comidas serão vendidas no local por projetos parceiros da Universidade e entidades sociais de Bauru", diz a TV Unesp em nota.

Outra universidade que promoverá arraiá é a ITE. A JunITE acontece no dia 7 de junho, das 19h às 22h30, e tem entrada gratuita. Quem promete agitar e aquecer a festança é o sanfoneiro Cléber Gonzaga, sobrinho neto de Luiz Gonzaga.

CLUBES

O Clube Nipo de Bauru também ressaltará a tradição caipira. No dia 9 de junho, às 19h, em seu ginásio, barracas venderão comidas típicas juninas e também japonesas. Haverá ainda apresentação de quadrilha e brincadeiras. Cerca de 1,5 mil pessoas devem passar pela festa, que tem entrada gratuita.

No BTC, a festança ocorrerá nos dias 8 e 9 de junho, a partir das 18h, e contará com show de Renan Augusto e Banda, com repertório de músicas sertanejas e forró. No sábado,o grupo volta ao palco trazendo cover de Matogrosso & Matias. A entrada para não sócios é de R$ 10,00.

A 3.ª idade também entrará na dança. Na Luso, o grupo Suavidade promoverá 'rasta pé' e janta caipira. Para participar do 17.º Arraiá da Suavidade, no dia 15 de junho, a partir das 21h, no entanto, é preciso adquirir convites, R$ 35,00 (integrantes da Suavidade), R$ 45,00 (sócios da Luso) e R$ 55,00 (não-sócios).

Voluntários levam sabor da quermesse à periferia

Ações juninas do Esquadrão do Bem devem beneficiar mais de 1 mil pessoas de ao menos cinco comunidades em Bauru, além de moradores de rua

Esquadrão do Bem/Divulgação
Esquadrão do Bem em ação em uma das festas juninas promovidas na periferia de Bauru

Samantha Ciuffa
Festa Junina no Jardim Europa realizada pelo Esquadrão do Bem em 2016

Cachorro-quente, pipoca, chocolate quente, algodão-doce, doce de abóbora e de leite. A comida que, geralmente, dá sabor às quermesses juninas é aparentemente simples, porém, inacessível para uma parcela da população. Com a ajuda de voluntários, estes pratos juninos chegarão a cinco comunidades carentes de Bauru. De 17 de junho a 29 julho, o Esquadrão do Bem promoverá pequenas festinhas juninas com a distribuição de alimentos no Parque Jaraguá, Ferradura Mirim, Parque das Nações, Jardim Vitória e Jardim Europa.

São bairros já atendidos mensalmente pelo grupo de voluntários e que há mais de seis anos são contemplados pela distribuição de alimentos, itens de higiene e roupas.

"Muitos só vão a quermesses para guardar carros, do lado de fora", observa Maria Inês Faneco, idealizadora do grupo, que tem cerca de 20 voluntários e centenas de colaboradores.

NA PRAÇA

Além dos bairros, o Esquadrão do Bem também promoverá uma festa junina para moradores de rua no dia 17 de junho, na Praça Machado de Mello, às 17h30, em frente à Estação Ferroviária. A expectativa é de que aproximadamente 100 pessoas participem.

"Sempre colocamos bandeirinhas e até levamos um radinho para tocar músicas típicas", detalha Faneco.

Ela conta que, em virtude da paralisação do País nos últimos dias, as doações caíram e não tem sido possível a preparação de sopas de legumes para levar às comunidades, como o grupo faz quase semanalmente. O que torna ainda mais essencial a ação junina.

"O desabastecimento prejudicou tudo, um quilo de batata tá custando quase oito reais, então o pessoal parou de doar", comenta a voluntária.

DOAÇÕES

Em virtude das dificuldades, Faneco faz um apelo para que a população ajude com doações. Doces típicos, como paçoca, pé de moleque, doce de abóbora, bolos, pipoca e ingredientes para o cachorro quente, óleo e refrigerantes são recebidos.

Além de participar das ações, os moradores de qualquer parte de Bauru e região podem colaborar com o Esquadrão.

Quer ajudar? Acesse a página do Esquadrão do Bem - unidos no amor pelo Facebook ou entre em contato com a Maria Inês Faneco pelo telefone (14) 99675-5495.

Os símbolos e significados da festança

A festa junina é celebrada no Brasil desde o século 17. Historiadores acreditam que ela tenha sua origem no culto aos deuses pagãos e que teria sofrido influência do catolicismo, sendo hoje associada aos santos católicos.

Aos poucos, elementos da cultura brasileira e do Interior, como as tradições sertanejas e indígenas, foram se misturando e deram outra roupagem à festa.

Ao longo dos anos, as comidas típicas, as danças e os enfeites utilizados na festa viraram uma espécie de confluência entre as culturas européia, africana e indígena/brasileira.

QUADRILHA

A quadrilha, por exemplo, surgiu nos salões da corte francesa, os passos puxados no linguajar francês anarriê, avancê, tour e os agradecimentos aos santos pelas boas safras nas plantações são exemplos disso.

CASÓRIO

O casamento caipira, outro ponto alto da festa, traz uma sátira aos casamentos tradicionais, onde a noiva é obrigada por seu pai a casar e o noivo aparece bêbado na cerimônia. Após o casório, os noivos puxam a quadrilha.

FOGUEIRA

A fogueira em meio ao acero é outro elemento muito presente nas festas juninas e simbolizaria a proteção dos maus espíritos, que atrapalhavam a prosperidade das plantações. Segundo a igreja, a fogueira teria anunciado o nascimento do menino João Batista, que mais tarde se tornaria um dos santos mais importantes da religião católica. Isso se deu no dia 24 de junho.

Em algumas regiões do Brasil a prática do “batismo na fogueira” é comum, os fiéis saltam sobre as brasas em busca de purificação e como ato de fé.

Além disso, como a festa é realizada no inverno, a fogueira também serve para aquecer e unir as pessoas ao redor.

QUITUTES

Alimentos como curau, canjica, pamonha, bolo de milho, milho cozido, pé de moleque, doce de leite, doce de abóbora, canjica, arroz doce, paçoquinha, pipoca, vinho quente, quentão, entre outros, integram o cardápio das festas juninas.

MASTRO

Há ainda outra simbologia ligada ao mastro de São João, também conhecido como mastro dos Santos Populares, que é erguido durante a festa junina para celebrar os três santos  relacionados à festa.

Outras tradições são o pau de sebo e os balões, que foram proibidos por serem perigosos e provocarem incêndios.

Marcele Tonelli
Simpatia junina: escrever nomes preferidos em papéis e colocá-los em bacia com água por uma noite; o que amanhecer aberto será seu pretendente

Superstições juninas: amor e fartura

Caracterizada pelas brincadeiras e símbolos, a época junina também é sinônimo de simpatias de origem folclórica.
A principal delas, focada em arrumar um amor, é atribuída ao santo casamenteiro, Santo Antônio. E é exatamente por isso que a
igreja do padroeiro em Bauru tem colocado medalhas e até um par de alianças em meio ao grande bolo que é vendido no dia 13 de junho.
Acredita-se que quem encontra terá sorte no amor. Outras superstições como escrever nomes preferidos dos pretendentes em papeis e colocá-los em bacia com água (o que amanhecer aberto será seu pretendente) e amarrar fitas brancas e vermelhas no pescoço da imagem do santo também são simpatias comuns, principalmente nesta época. No dia 13 de junho as igrejas também costumam distribuir o pãozinho de santo Antônio, que simbolizaria a fartura. Há também quem coloque moedas no fundo do pote de sal, com a crença de que trará mais dinheiro.