No ato de apresentação dos jogadores convocados para a Copa 2018 foi disponibilizado a todos o transporte aéreo, via helicópteros, logicamente para facilitar-lhes o acesso até o local de encontro e início dos treinos, na Granja Comary, evitando qualquer tipo de assédio, eventuais congestionamentos, bloqueios de estrada pelo MTST e incidentes congêneres, provavelmente para que os jogadores se livrem e blindem de todo tipo de contratempo ou dissabor. Duvido que algum time dos outros países que participarão da copa tenha esse tipo de tratamento, reservado apenas a reis, rainhas e chefes de estado.
Tal postura com os jogadores de nossa seleção só lhes torna ainda mais mimados e alienados da realidade do mundo, notadamente o mundo complexo que nos rodeia, no caso do Brasil, país deveras pobre e atrasado e sem grandes feitos esportivos a comemorar.
A blindagem que ocorre com os jogadores desde tenra idade quando são descobertos pelos olheiros e contratados para formar equipes juvenis de times consagrados, passando a receber salários altíssimos, proporcionais ao potencial futuro que se lhes vislumbram, faz com que sejam poupados de todo tipo de dificuldade, sempre havendo um séquito de pessoas para lhes arrumar e facilitar tudo, desde os mais singelos afazeres domésticos até pagar contas, evitar as enormes filas de espera, seja do cartório e das repartições públicas, na compra de roupas e carrões, arranjando documentos e facilidades de todo tipo.
Dizem que arrumam até os mestres tatuadores que fazem aquelas imagens bizarras que vemos estampadas nos corpos dos jogadores, envolvendo pernas, braços, o pescoço, o abdomen e em todos os espaços possíveis que o couro humano disponibiliza.
Há uma vertente da psicologia na qual se afirma que o fato destes jogadores ficarem à margem de tudo que faz parte da vida de uma pessoa comum, principalmente as chateações diárias, acaba por torná-los pessoas sem noção do mundo real e sem garra para atuar com firmeza em momentos de grande pressão e responsabilidade, principalmente nos momentos cruciais entre as quatro linhas do campo.
Houve um jogo, na Copa de 2014, em que a seleção brasileira foi para a situação limite de cobrança de pênaltis com risco de desclassificação prematura, ocorrendo choradeira explícita entre alguns jogadores que teriam que bater os pênaltis, lágrimas estas que mostraram a falta de estrutura emocional dos craques brasileiros ao se defrontar com situações difíceis, de grande responsabilidade, não podendo mais dispor das "babás" que sempre os atenderam em todos os anseios. Toda essa fraqueza culminou com os 7x1 contra a aguerrida Alemanha.
Há um séquito de médicos, massagistas, fisioterapeutas, nutricionistas, técnicos e aspones à disposição dos jogadores, só faltando mesmo um "ginecologista", o que seria uma aberração em se tratando de seleção masculina.
Tudo isso me faz sentir um clima desfavorável que pode até levar ao fracasso do time na esteira dessa falta de estrutura emocional, inclusive o endeusamento que lhes é realçado através das matérias plenas de pieguice sobre cada um deles no "Jornal Nacional".