Em meio a olhares preconceituosos e uma luta constante para perder os quilos extras, pessoas com obesidade enfrentam ainda o drama de não poderem realizar exames básicos oferecidos na rede pública de saúde, como a tomografia. Motivo: o equipamento tem limite de peso.
Caso que aconteceu com uma dona de casa, de 22 anos, moradora de Bauru. Ela, que pede para ter a identidade preservada, conta que espera há cerca de dois meses para fazer uma tomografia e descobrir, finalmente, as causas das suas enxaquecas.
O exame foi solicitado por um neurologista em consulta no Ambulatório Médico de Especialidades (AME) de Bauru. Entretanto, no dia marcado, a jovem, que pesa 135 quilos, foi informada no Hospital de Base (HB) que o aparelho só suportava até 100 quilos.
"No [Hospital] Estadual, também tem um equipamento, que aguenta 130 quilos, mas me disseram que está quebrado. Me informaram, então, que terei de fazer a tomografia em outra cidade, mas, até agora, ninguém resolveu nada e permaneço esperando", critica.
"É um descaso. Quem é obeso não tem os mesmos direitos. Conheço outras pessoas nessa mesma situação e isso gera um sentimento de revolta", complementa, destacando que aguarda agendamento de uma cirurgia bariátrica. "Quero perder peso, para não prejudicar a saúde".
OUTRO LADO
Em nota enviada pela assessoria da Secretaria de Saúde do Estado, o AME informa que o aparelho para realização de tomografia para o caso da paciente citada é específico e não disponível na unidade. "O AME deu andamento no processo de agendamento da paciente em uma unidade de referência e a mesma será avisada sobre a data do agendamento", ressalta.
Em relação ao tomógrafo do Hospital Estadual, a unidade disse que todos os pacientes que necessitam do exame de tomografia estão sendo agendados no Hospital de Base de Bauru, para garantir a assistência durante o período de substituição do equipamento. "Os casos mais graves e urgentes são priorizados, seguindo as diretrizes do SUS", finaliza.