11 de julho de 2026
Geral

Dias depois do fim da greve, gasolina e etanol seguem mais caros

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 4 min

Dias depois do fim da greve dos caminhoneiros, que bloqueou o transporte de cargas nas estradas de todo o País, os combustíveis voltaram às bombas dos postos, mas ainda com preços bastante elevados. A única exceção é o diesel, que já está mais barato em boa parte dos estabelecimentos, devido ao desconto de R$ 0,46 concedido pelo governo federal nas refinarias, em acordo firmado com os caminhoneiros (leia mais na página 14).

A gasolina está R$ 0,31 mais cara na comparação com a média de preços praticada na semana que antecedeu a greve. Segundo a pesquisa de preços realizada pela Agência Nacional do Petróleo Gás e Biocombustíveis (ANP), o litro estava sendo comercializado no dia 31 de maio a R$ 4,385, alta de 7,7% na comparação com o valor médio de 17 de maio, de R$ 4,071 (leia mais no quadro abaixo).

Já o etanol subiu 8% da segunda metade de maio para cá, com variação de R$ 0,21, sendo vendido, no final do mês passado, a R$ 2,816. Porém, em pesquisa extraoficial realizada na tarde de ontem pelo Jornal da Cidade em oito estabelecimentos de regiões diferentes de Bauru, foi possível encontrar o litro da gasolina por até R$ 4,499.

Em alguns postos, a diferença chegou a R$ 0,30 na comparação com o levantamento feito pela agência em 24 de maio, já no terceiro dia de greve, quando o temor diante do risco de desabastecimento provocava corrida de consumidores aos postos de vários bairros de Bauru. Em um estabelecimento com bandeira da Petrobras, a alta foi de R$ 4,099 para R$ 4,399 em apenas dez dias.

O etanol, ainda de acordo com a pesquisa realizada pelo JC, chegou a variar até 11,5% no mesmo intervalo de tempo, com o litro subindo de R$ 2,599 para até R$ 2,899 em alguns locais. Um reajuste injustificado, já que, no período, o litro da gasolina comercializado pelas distribuidoras aos postos oscilou 3% e o etanol, 7%, segundo informou Edivaldo Tuschi, diretor do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo (Sincopetro) e proprietário de postos na cidade.

"Quem reajustou acima deste percentual o fez por conta. Não tem nada a ver com o mercado. Pode ser uma tentativa de repor as perdas registradas durante a greve, mas o real motivo só pode ser explicado por cada dono de posto", comenta, salientando que ele aplicou em suas bombas apenas os reajustes repassados pelas distribuidoras.

Malavolta Jr.
Em outro posto, os valores também seguiam altos: gasolina a R$ 4,397 e etanol a quase R$ 2,80

REPASSE

Presidente do Sincopetro, José Antônio Reghine destaca que o preço do etanol foi elevado nas refinarias em razão dos prejuízos causados à produção, visto que faltou diesel para garantir o transporte da cana-de-açúcar. "Já o reajuste da gasolina foi dado pela Petrobras. Quanto ao diesel, os postos que ainda não reduziram o valor nas bombas em R$ 0,46 são os que ainda têm estoque. É uma situação temporária".

A reportagem tentou conversar com gerentes de alguns estabelecimentos de Bauru, mas nenhum deles quis conceder entrevista. Sob a condição de manter a identidade preservada, o gerente de um posto de combustíveis localizado na avenida Nuno de Assis comemorava o momento, já que manteve os preços em patamares parecidos aos do início da greve e, assim, conseguiu atrair um número maior de clientes.

No endereço, o litro do etanol estava sendo vendido a R$ 2,579 (o mesmo praticado há dez dias) e o da gasolina, a R$ 4,179 - R$ 0,10 a mais do que em 24 de maio. "Estamos comprando o etanol a R$ 2,29 e a gasolina, que subiu um pouco, a R$ 4,00. Nós só repassamos as altas e nunca vendemos tanto como agora", afirma.

DENÚNCIAS

Procurado pela reportagem, o Procon de Bauru informou que todas as denúncias que chegam ao órgão, localizado no Poupatempo, são encaminhados ao Procon na Capital. Já o Procon Regional, cuja sede também fica em Bauru, orientou os consumidores que se sentirem lesados a registrarem suas queixas online, no site www.procon.sp.gov.br/.

Após receber a denúncia, o órgão poderá requerer ao posto investigado as notas fiscais do combustível adquirido da distribuidora com o objetivo de avaliar se houve cobrança abusiva de valores junto aos consumidores. O Procon também recebe denúncias sobre postos que não reduziram o preço do litro do diesel após o governo federal publicar a portaria que concedeu desconto de R$ 0,46 no combustível comercializado nas refinarias.