| Marcus Liborio |
| Professor de história Lucas Armando é o autor da iniciativa na escola: "Percebi uma apatia política" |
As eleições para presidente, governador, senadores e deputados ocorrem somente em outubro, mas, para os estudantes de uma escola de Bauru, a corrida às urnas já começou. Cerca de 200 alunos do Ensino Fundamental do Colégio Geração irão simular um pleito com objetivo de despertar o interesse dos jovens para o contexto político em que estão inseridos e formá-los cidadãos na prática da responsabilidade em representar a população.
As classes do sexto ano serão divididas em partidos políticos, denominados por eles próprios. Os candidatos formularão suas plataformas de governo, bem como estratégias de campanha, para que seja eleito um presidente e dois senadores. Para os alunos do sétimo ano, será estruturada uma Assembleia Constituinte, que consiste em reproduzir as pautas que compõem a sessão da Câmara dos Deputados.
As eleições estão previstas para setembro. O voto será secreto, através de cédulas em papel, que serão depositadas em um urna, a exemplo do que ocorreu há dois anos, quando o colégio simulou uma eleição municipal para eleger prefeito e vereadores, de inciativa do professor de história Lucas da Silva Armando.
O docente explica que o exercício surtiu bom resultado e decidiu repetir a atividade neste ano, com objetivo de envolver os estudantes no contexto político, cada vez mais escasso entre os jovens. "Percebi uma apatia política grande neles. Na época das eleições municipais, notei que os alunos cantavam os 'jingles' de campanha, mas não sabiam quem eram os candidatos", conta.
| Marcus Liborio |
| Prefeito eleito há dois anos, Luiz Henrique Estefani incentiva os alunos a disputarem as eleições |
Na ocasião, o prefeito eleito em 2016 foi Luiz Henrique Estefani, hoje com 13 anos. A exemplo do que ocorre em um pleito real, a disputa ao cargo envolveu exposição de propostas e muito planejamento. "O meu projeto central era implementar um campeonato interclubes de futsal e queimada entre as classes. Se envolver em uma eleição é uma prática importante, que gera conhecimento", destaca.
O professor explica que trabalha a formação política dos estudantes debatendo questões como ideologias políticas (esquerda, direita, liberal e conservador), a importância da democracia, entre outros aspectos. "A gente fala sobre os conflitos atuais pautados pela corrupção, para tentar introduzir pequenas noções políticas a todos eles", frisa.
| Marcus Liborio |
| Uma das candidatas à presidência, Isabela de Oliveira defende a bandeira dos direitos humanos |
NA PRÁTICA
Serão lançados seis candidatos a presidente e 12 a senadores. Sob orientação de Lucas, será desenvolvida a estruturação de sete partidos. "Trabalharemos os discursos e ideologia de cada legenda, que deve apresentar dez propostas em nível nacional e dez para melhoria da escola. Reivindicações dos eleitos serão avaliadas e acatadas pela direção do colégio".
PROPOSTAS
Uma das candidatas à presidência, Isabela Eugênia Teixeira Ferraz de Oliveira, 11 anos, defende a bandeira dos direitos humanos. "Está em fase de discussão, mas devemos lançar o Partido dos Direitos Humanos (PDH), para que cada um tenha o seu direito respeitado, o que não acontece de forma íntegra hoje em dia. A gente também pretende negociar a baixa dos preços, inclusive na cantina da escola", aponta.
A estudante Larah Gazeta Bagagi, também com 11 anos, se mostrou ansiosa para votar em setembro. Apesar da pouca idade, ela já sabe a importância do voto como forma de exercer a cidadania. "Quero ver propostas que possam ser colocadas em práticas, principalmente voltadas à educação e à saúde, tão carentes no nosso País", critica.
Para José Carlos Barboza, coordenador dos ensinos Fundamental 2 e Médio do Colégio Geração, a prática das eleições nas escolas é vital para o envolvimento e educação políticos. "Trabalhar desde cedo essas questões para que eles tenham uma visão mais próxima da realidade política do Brasil", destaca.