Neste fim de semana tivemos duas notícias desagradáveis envolvendo o samba: no primeiro caso, um sertanejo universitário insinuou que o samba é música de "bandido". No segundo caso, uma cantora renunciou a interpretar Dona Ivone Lara em um musical no teatro por receber duras críticas do público, ser considerada (por muitos) "branca demais" para o papel.
O samba chora, em ambos os casos. Por ser muito mais que um estilo musical, o samba é uma cultura em si, uma autarquia, uma autoridade.
O samba é um movimento genuíno, do povo, que nasceu exatamente da manifestação deste, do seu substrato. Portanto, ele é de todas as cores, de todas as etnias, respeita todos os credos.
Só não respeita a intolerância e o preconceito, algo que surgiu tanto no discurso do cantor sertanejo quanto naqueles que foram contra a cantora atuar no teatro.
Nos dois casos, lamentamos não só pelo samba, mas lamentamos por nós mesmos, tolhidos por uma cultura massiva dominada pelos pseudo interesses identitários.
Nossa alma e os nossos ouvidos sangram. Precisamos de mais batuque para alegrar a nossa alma, para afastar os maus agouros e essas opiniões que não deveriam nos representar.