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| Ronnie Carlos de Jesus Santos aprendeu técnica de pintura decorativa em países europeus |
A arte visual invade paredes, embeleza o espaço urbano, interiores de estabelecimentos comerciais e industrias. Não é preciso a tela ou o espaço específico para exposição. Os muros se transformam nessa tela pública para ser contemplado por todos. Em Lençóis, Botucatu e Jaú há trabalhos diferenciados de grafite e pintura decorativa, essa última mais profissional que embeleza imóveis e prédios comerciais.
O grafite é uma arte de rua caracterizada por desenhos em paredes, edifícios, muitas vezes uma arte incompreendida, que surgiu na década de 70, na cidade de Nova York, nos Estados Unidos. No Brasil, há movimentos em Belo Horizonte e São Paulo. O termo, no entanto, é de origem italiana "graffito" (plural "graffite") e significa a "escrita feita com carvão", cujo pincel muitas vezes é a latinha de tinta spray.
A pintura decorativa busca um acabamento mais personalizado em imóveis. Pode gerar mais renda para quem domina a técnica, sem precisar do domínio sofisticado da arte dos desenhos. Muitas vezes basta mosaicos coloridos conforme o tema encomendado, porém há trabalhos que são inspiração artística também.
O artesão Ronnie Carlos de Jesus Santos, da escola Senai de Lençóis Paulista, morou na Irlanda, onde teve experiência na indústria automotiva e de construção civil, onde aprendeu técnicas diferenciadas. Atualmente, ele repassa esse conhecimento em curso a pintores imobiliários que querem aprender novas técnicas.
Ele é conhecido de "Embaixador da Pintura Decorativa", na maior competição de profissões técnicas do mundo, denominada "Worldskills Competition", que aconteceu em 2015 no Anhembi, em São Paulo, onde apresentou a modalidade para pessoas do mundo todo, consequentemente conquistando o primeiro lugar entre 52 "embaixadores de profissões" no evento. Todo esse conhecimento, ele aplica em treinamentos, palestras e workshops.
Já André "Testa", de Jaú, é um grafiteiro urbano clássico. A sua obra estão em muros e painéis. Ele integra também o "Rua é Nossa", projeto social que ensina a técnica aos jovens e dança hip-hop nos bairros jauenses.
De Botucatu, Vinicius Leonardo Crispin Rodrigues, também é educador, mas os murais feitos por ele são conhecidos na cidade. São artistas urbanos num tipo de ofício ainda não muito compreendido, porém vem aos poucos sendo reconhecidos pelos setores de cultura.
Pintura decorativa garante renda
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| Pintura inspirada no clima da Copa do Mundo foi feita pelos alunos do curso de Agudos do Senai em parceria com Sebrae |
O artesão caiçara Ronnie Carlos de Jesus Santos é especializado em pintura decorativa. Já residiu na Irlanda onde viveu por mais de dois anos, trabalhou na indústria automotiva, mobiliária, de construção civil e estudou inglês nos momentos vagos. Acabou adquirindo um conhecimento nessa área e hoje repassa o que aprendeu em cursos do Senai de Lençóis Paulista.
Recentemente ensinou a técnica em Agudos num convênio feito pelo Senai-Sebrae. Atualmente residindo em Lençóis, após se transferir de Bertioga no Litoral Norte, Ronnie já foi campeão estadual e bi-campeão nacional. Por estes resultados, foi representar o Brasil em projetos e competições internacionais, na Inglaterra, França, Finlândia e Irlanda.
É conhecido de "Embaixador da Pintura Decorativa", na maior competição de profissões técnicas do mundo, denominada "Worldskills Competition", que aconteceu em 2015 no Anhembi, em São Paulo, onde apresentou a modalidade para pessoas do mundo todo, consequentemente conquistando o primeiro lugar entre 52 "embaixadores de profissões" no evento. Todo esse conhecimento, ele aplica em cursos, treinamentos, palestras e workshops.
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| Equipe de alunos de pintura decorativa de Agudos que aprendeu as novas técnicas com especialista |
O WorldSkills também é conhecido de Torneio Internacional de Educação Profissional promovido pela Internacional Vocation Training Organization (IVTO) realizado a cada dois anos, desde 1950, é o maior de sua categoria.
Contratado como instrutor do Senai da Escola de Educação e Tecnologia de Lençóis Paulista, Ronnie conta que aprendeu essas técnicas e agora como instrutor ajuda a quem está ingressando na profissão na área de acabamento de construção civil. Recentemente, um grupo de 12 alunos aprendeu como fazer decorações diferenciadas.
PINTURA DECORATIVA
A pintura decorativa é muito utilizada atualmente em imóveis e nos acabamentos de alvenaria. É possível fazer trabalho marmorizado em paredes de residência para dar um efeito, imitação de madeira e até dar um aspecto de envelhecimento. "Esse é realmente a parte de maior beleza do pintor imobiliário. No Brasil, agora tem grande demanda, com uso da Internet, o pintor e o público brasileiro estão enxergando novas fronteiras e vendo o que acontece fora do País, em especial na Europa, que é o berço da pintura decorativa", explica Ronnie.
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| Ronnie Carlos de Jesus durante aula do curso de pintura decorativa |
O artesão explica que o brasileiro ainda não tem um estilo próprio e sofre influência dos europeus, mas quando é muito peculiar a tendência é usar cores vibrantes. "Fizemos uma parede em uma escola com o tema da Copa do Mundo com desenhos de mosaicos com verde, azul, branco e amarelo, com efeito de verniz. Esse trabalho ficou interessante, mas é bem pontual, a referência é europeia", conta.
O que é muito comum copiar de europeus são os efeitos de marmorização, imitação de madeira e efeitos de envelhecimento de superfície e peças, principalmente móveis.
A moda retrô, que tomou conta no design do Brasil, também encontra espaço na pintura decorativa. Por ser modismo é usado no momento, principalmente o papel de parede para dar efeito de envelhecimento do material.
Ronnie explica que o pintor decorativo no ramo imobiliário também é um aplicador de papel de parede. Isso é usado na decoração de interiores. "É o novo para aparecer que é velho. Como a pintura é um revestimento isso pode ser removido quando você cansar daquela decoração. A mão de obra para isso não tem o mesmo preço do material de pintura convencional, porque envolve uso de material diferente e demanda mais tempo para faz e exige especialização, o que eleva os custos", finaliza o especialista.
Grafiteiro em Jaú lidera movimento
O grafite ganhou espaço por romper espaços convencionais de arte, gera mudanças em relação às concepções de local e lugar. As imagens de imensos painéis ocupam a paisagem urbana destacada nas metrópoles e também tem presença já nas cidades do interior. Em Jaú, André Luiz Fonseca, o "Testa", coordena o "Rua é Nossa" um projeto social sem fins lucrativos que ensina o grafitismo, mas inclui esporte e cultura às crianças e adolescentes por meio da cultura hip-hop, com aulas de danças semanais.
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| André "Testa" é especializado em grafite e participa do "Rua é Nossa", em Jaú |
As artes plásticas da tinta spray fazem parte de um todo. O hip-hop emergiu em meados da década de 1970 nos subúrbios negros e latinos de Nova Iorque e o berço no Brasil é São Paulo, onde surgiu nos anos 1980, dos encontros na rua 24 de Maio e no Metrô São Bento. É ainda um tema a ser estudado mais profundamente. A música é o funk com base no disco música eletrônica, que tem uma presença forte na área urbana.
Existe a relação entre o grafite e a cultura rap music do qual surgiu novas formas de pintura sendo realizadas, com uma forte sobreposição entre escritores de grafite e de quem praticava os outros elementos.
O termo "hip" é usado no inglês vernáculo afro-americano (AAVE) desde 1898, onde significa algo atual, que está acontecendo no momento; e "hop" refere-se ao movimento de dança.
Sem apoio e incentivo da chamada cultura oficial, o grupo se organiza coletivamente. No domingo de cada mês, é escolhido um bairro para desenvolver as atividades. O próximo evento será dia 28 de junho no bairro Maria Luzia IV de Jaú. "Aqui o incentivo é a gente que dá para o pessoal. Não tem apoio e nem incentivo oficial. Quem faz acontecer a cultura é a gente que projeta, senão não tinha nada na cidade", revela André "Testa".
O francês Damien Sausset tem um conceito sobre as artes em que essas transformações colocam um fim à ilusão da eternidade das obras, à ubiquidade (faculdade divina de estar concomitantemente presente em toda parte) e à evidência.
Esse autor destaca que a eternidade das obras indicava que uma obra era algo que transcendia à história e caracterizava um momento da história e, ao contrário, muitas obras da arte contemporânea são efêmeras, frágeis e se transformam na medida em que o tempo passa. É um pouco disso a riqueza dos desenhos do grafite nos muros e paredes das cidades.
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| Douglas faz desenho em muro: intervenção urbana |
O JC ouviu o grafiteiro André "Testa" sobre esse tipo de arte, mas o trabalho dele é amplo junto com Sandro Renato Novares Marques, o "Zulu Sandrão". Eles levam o movimento hi-hop para a periferia jauense. Junto vai aula de street dance, DJ e mais o grafitismo.
"Testa", porém, admite que numa cidade conservadora muitas vezes é incompreendido. Embora se usa a parede para pintar, há também o trabalho feito até em tela.
Projeto prepara até para vestibular
O projeto "A Rua é Nossa" é sem fins lucrativos com atividades de lazer, esporte e cultura e consegue atender crianças e adolescentes com aulas de danças semanal.
A instituição conta com três professores que repassam o conhecimento para aproximadamente 60 alunos, no período noturno, de segunda a quinta, e aos sábados no período diurno.
De acordo com um dos coordenadores Sandro Renato Novaes Marques, também inclui um curso preparatório para o Enem e pré-vestibular, em parceria com outras instituições. "As intervenções devem ser pautadas em experiências culturais, esportivas e lúdicas como formas de expressão, sociabilidade, interação, proteção social e aprendizagem. Estas atividades contribuem para emancipar vivências de isolamento e de violação de direitos, bem como propiciar experiências favorecedoras do desenvolvimento de sociabilidades e na prevenção de situações de risco social ou pessoal", explica Sandro Marques no material de divulgação do movimento que usa a cultura hip-hop.
Em Botucatu, grafiteiro também é arte educador
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| Vinicius Leonardo Crispim Rodrigues é grafiteiro e educador em Botucatu |
Em Botucatu, o grafiteiro Vinicius Leonardo Crispim Rodrigues é muito conhecido pelos seus murais e também desenvolve atividade como arte educador com experiência em projetos sociais ensinando desenho e grafite a crianças e adolescentes.
Há 16 anos na área, ele começou no ramo de comunicação visual, marketing e arte digital. Também presta serviço em um projeto de cultura da Prefeitura de Botucatu. Uma da características é fazer murais grandes de até 80 metros de comprimento usando spray e tinta látex. "Comecei nisso por curiosidade, porque sempre trabalhei com artes visuais e marketing. Parei e foquei no grafite", conta.
Quem trabalha com isso acaba acumulando também a função de educador e sempre sendo chamado para ensinar a técnica a jovens. O grafite também tem uma ligação com o hi-hop.
Esse conhecimento acaba sendo adquirido intensa pesquisa junto a sites especializados, via Internet. Embora o grafite seja um movimento que surgiu nos Estados Unidos, Vinicius admite que tem influência mais dos murais feitos por europeus. "O meu estilo é mais desenhos de natureza, animais e mulheres africanas. Tenho acesso a vídeos de outros artistas e dali desenvolvo o meu trabalho", relata.
Vinicius Leonardo conta que tem apoio da Prefeitura de Botucatu, que financia a aquisição do material e incentiva as atividades. Ele já deu workshop na Casa da Juventude.