11 de julho de 2026
Polícia

Homem é condenado a 12 anos por morte de biólogo do Zoo

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 2 min

Samantha Ciuffa
O réu Osvaldo Lopes e os advogados de defesa Thiago Tezani e Thiago Vidal

Depois de sete horas de júri popular, o aposentado Osvaldo Lopes, 65 anos, foi condenado a 12 anos de prisão em regime inicialmente fechado por matar, em abril do ano passado, o biólogo do Zoológico de Bauru Gérson Rodrigues do Nascimento, 51 anos.

O réu foi sentenciado por homicídio qualificado, cometido por motivo fútil. A Promotoria ainda sustentou que Lopes empregou meios que impossibilitaram a defesa da vítima, mas esta segunda qualificadora foi rejeitada pelo Tribunal do Júri.

O aposentado seguirá, temporariamente, cumprindo pena no Centro de Detenção Provisória (CDP) de Bauru, onde já estava preso desde que cometeu o crime. A previsão é de que, quando Lopes cumprir dois quintos da sentença, o que deve ocorrer daqui a aproximadamente três anos e meio, ele possa progredir para o regime semiaberto.

Conhecido como Carioca, Nascimento foi assassinado com um tiro no peito no dia 22 de abril em uma mercearia localizada na alameda das Andorinhas, no Vale do Igapó, bairro onde o autor e a vítima moravam. O crime foi presenciado por dois amigos do biólogo e causou grande comoção em Bauru.

Assim como à Polícia Civil durante a fase de inquérito, ontem eles reiteraram que foi o aposentado quem provocou o grupo com xingamentos. Carioca teria saído em defesa dos colegas, pedindo para que o homem parasse de ofendê-los, mas teria se afastado em seguida, atendendo à recomendação dos amigos.

VERSÕES

Quioshi Goto/JC Imagens
Gérson do Nascimento trabalhou por 17 anos no Zoológico de Bauru; sua morte, ocorrida em 22 de abril de 2017, provocou uma grande comoção em Bauru

Lopes, ainda de acordo com as testemunhas, teria ameaçado o funcionário do Zoo, o que foi rebatido pelo autor do disparo. "Ele alegou que foi ofendido por uma pessoa do grupo, que era vizinho dele e que foi, em seguida, ameaçado pelo Gérson. Foi então que saiu do local e voltou armado para tirar satisfações", comenta o advogado de defesa Thiago Tezani, destacando que seu cliente e a vítima estavam embriagados quando o crime ocorreu.

Carioca foi atingido no peito por um disparo de garrucha calibre 22 e foi encaminhado ao Pronto-Socorro Central (PSC), onde já chegou morto. O "click" de um segundo disparo, que falhou, também teria sido ouvido pelas testemunhas.

Na época do crime, Lopes afirmou à Polícia Civil que queria apenas "dar um susto na vítima". Imobilizado e desarmado por populares, ele teve três costelas e o nariz fraturados durante uma tentativa de linchamento.

Ontem, o aposentado foi condenado com a pena mínima por ser réu primário e a defesa adiantou que, embora esperasse que ele fosse sentenciado por homicídio simples, não irá recorrer da decisão. A família de Carioca, que mora no Rio de Janeiro, não foi localizada pela reportagem para comentar o resultado do julgamento.