| Polícia Federal/Divulgação |
| Até um veículo bigfoot estava entre os bens apreendidos |
Dois homens e uma mulher foram presos em Bauru acusados de participar de uma organização criminosa que desviava cigarros estrangeiros apreendidos no depósito da Receita Federal de Araraquara (134 quilômetros de Bauru). O líder do bando também foi preso em Curitiba (PR). Os nomes dos envolvidos não foram divulgados pelas autoridades.
A operação, denominada Gestas 2 em alusão ao nome do "mau ladrão" crucificado ao lado de Jesus Cristo, foi desencadeada na manhã de ontem pela Polícia Federal e Ministério Público Federal de Araraquara. A investigação, que partiu de uma denúncia e durou dez meses, constatou que os responsáveis pela empresa contratada para administrar o depósito da Receita Federal naquela cidade desviavam as mercadorias, que eram reintroduzidas no mercado nacional.
Ao longo de cinco anos, cerca de 40 milhões de maços de cigarros estrangeiros teriam sido retirados ilegalmente do local. A estimativa é de que a venda desses produtos no comércio tenha rendido à organização criminosa cerca de R$ 50 milhões a 70 milhões.
Ao todo, foram cumpridos quatro mandados de prisão temporária, sendo três em Bauru e um em Curitiba. Mais 14 mandados de busca e apreensão foram cumpridos nas cidades de Curitiba, Ibiúna e Bauru.
"Os três presos em Bauru estavam residindo na cidade, mas trabalhavam em Araraquara. Eles eram funcionários da empresa terceirizada, que tinha sede em Curitiba", esclarece o delegado Adriano Rodrigues Junqueira, responsável pela operação. Segundo ele, dos 14 mandados de busca e apreensão, seis foram cumpridos em Bauru, em propriedades dos três investigados.
ATÉ AVIÃO
| Malavolta Jr. |
| Karen Dunder, delegada-chefe da Polícia Federal de Bauru |
As prisões, de acordo com a delegada-chefe da Polícia Federal de Bauru, Karen Dunder, foram realizadas simultaneamente na manhã de ontem, com mobilização de toda a delegacia e apoio de equipes de Araraquara, Ribeirão Preto e Sorocaba. Para garantir o sucesso de toda a operação, acrescenta Junqueira, aproximadamente 70 policiais foram mobilizados nos três municípios.
Bem articulada, a quadrilha possuía carros de luxo, alguns avaliados em mais de R$ 100 mil, além de um bigfoot e um avião, que foram apreendidos por terem sido adquiridos com os recursos obtidos da prática criminosa. Também foi determinado o sequestro de bens imóveis, incluindo fazendas, e valores ainda não divulgados, que estavam depositados em contas bancárias. Documentos, computadores e pequena quantidade de cigarro também foram recolhidos.
Conforme o delegado federal de Araraquara, ainda não é possível afirmar se mercadorias chegaram a ser desviadas de outros depósitos da Receita Federal, incluindo o de Bauru. "Mais à diante, dentro das investigações, iremos verificar outras possíveis ações da organização".
Até o momento, não há suspeita de participação de servidores públicos no crime. Os quatro presos responderão pelos crimes de peculato e organização criminosa, cujas penas, somadas, variam de cinco a 20 anos de reclusão, além de multa. Depois de prestarem depoimento, eles foram encaminhados a unidades prisionais da região de Araraquara.