08 de julho de 2026
Nacional

Juros fecham em baixa com queda do dólar e anúncios do BC, CMN e Tesouro

Estadão Conteúdo
| Tempo de leitura: 3 min

Os juros futuros fecharam a sessão regular da sexta-feira (15), em queda firme, nas mínimas do dia em parte dos contratos. As taxas estiveram em baixa desde a abertura, mas ampliaram o ritmo ao longo da tarde, na medida em que o dólar acelerava as perdas e batia mínimas ante o real. O principal vetor para os negócios na renda fixa foi a reação aos anúncios feitos pelo Banco Central (BC), Conselho Monetário Nacional (CMN) e Tesouro Nacional, na noite de quinta-feira.

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2019 fechou na mínima de 7,300%, de 7,609% no ajuste da quinta-feira; e a do DI para janeiro de 2020 caiu de 9,37% para 9,04%. A taxa do DI para janeiro de 2021 terminou em 9,98%, mínima, de 10,35% no ajuste anterior. A taxa do DI para janeiro de 2023 recuou de 11,66% para 11,35% e a do DI para janeiro de 2025, de 12,74% para 11,98%.

O BC afirmou que, ao longo da próxima semana, continuará com leilões de swap cambial (dinheiro novo) na próxima semana, quando estima oferecer US$ 10 bilhões, o que trouxe maior tranquilidade aos mercados de câmbio e juros.

Em complemento, o Tesouro anunciou que manterá a estratégia de leilões extraordinários de compra e venda de títulos, ofertando, além das Notas do Tesouro Nacional - Série F (NTN-F), também Notas do Tesouro Nacional - Série B (NTN-B) e Letras do Tesouro Nacional (LTN). Além disso, cancelou os leilões tradicionais de LTN e NTN-F, mas manteve o leilão de Letras Financeiras do Tesouro (LFT).

Por fim, o CMN decidiu antecipar o prazo para a extinção do prazo médio de repactuação mínimo (PRC) para os títulos de renda fixa dos fundos de investimento especialmente constituídos (FIE) de seguradoras e entidades abertas de previdência complementar. Pela nova regulação, as entidades ficarão livres da exigência a partir de 30 de agosto de 2019, ante março de 2020 anteriormente.

A decisão alivia os prêmios na curva, na medida em que, para se enquadrar ao PRC, as entidades compravam papéis prefixados de prazo longo, o que as obrigava a travar o risco no mercado de derivativos de juros. Essa proteção é feita por meio de compra de taxa do DI, o que acaba por pressionar a inclinação da curva.

Dólar cai 2% e recua para R$ 3,73

Em novo dia de injeção recorde de recursos no mercado pelo Banco Central, que despejou mais US$ 5,75 bilhões nesta sexta-feira (15), o dólar fechou em baixa de 2,04%, aos R$ 3,7316. A relativa estabilidade da moeda norte-americana ante outras divisas no mundo também ajudou a retirar pressão das cotações aqui.

Entre os principais emergentes, o real foi a moeda que mais se valorizou nesta sexta ante o dólar. Mas apesar da trégua desta sexta-feira, a visão é de que a tendência de alta do dólar prossiga no mercado doméstico, por conta das incertezas eleitorais e do enfraquecimento da recuperação da economia, além da expectativa de que a moeda dos Estados Unidos vai seguir se fortalecendo ante outras divisas no exterior. Na semana, a divisa americana acumulou alta de 0,72% ante o real.

O dólar abriu em queda, refletindo o anúncio da quinta à noite do BC de que vai injetar mais US$ 10 bilhões no câmbio por meio de contratos de swap, além de manter a ação coordenada com o Tesouro. Mesmo assim, a moeda chegou a persistir no patamar de R$ 3,80 pela manhã, com alguns agentes defendendo que era necessário uma intervenção ainda mais pesada da autoridade monetária, por exemplo, por meio de alta de juros. Na próxima terça e quarta-feira, o Comitê de Política Monetária (Copom) se reúne para decidir se altera a Selic.