Apontado como um dos principais jogos da fase de grupos da Copa do Mundo, o clássico ibérico entre Portugal e Espanha, ontem, no estádio Fisht, em Sochi, foi, de longe, a melhor partida entre as quatro disputadas até aqui na Copa do Mundo da Rússia. Com grande atuação de Cristiano Ronaldo, que marcou três gols, e com Diego Costa decisivo, a partida válida pelo Grupo B terminou com um empate por 3 a 3.
O ambiente de jogo pode ser percebido antes mesmo do apito inicial. Quando o locutor oficial da partida anunciou as escalações, houve um misto de vaias e aplausos a Sergio Ramos e muita deferência a Iniesta. Um único jogador foi ovacionado: Cristiano Ronaldo. Eleito o melhor do mundo pela quinta vez na última temporada, ele era desde sempre a grande atração da partida. Logo provou que todos tinham razão em querer vê-lo em ação.
O craque do Real Madrid foi o grande responsável por guiar os atuais campeões europeus diante da temida Espanha. Fez isso com pedaladas curtas e eficientes - como a que originaria o pênalti que sofreu, logo aos quatro minutos e onde marcou o primeiro gol do jogo -, passes precisos e lançamentos quase perfeitos. Era praticamente o único capaz de fazer o torcedor russo levantar na arquibancada. E o maior artilheiro da história da seleção portuguesa não decepcionou nesse quesito, marcando três vezes - na segunda delas, contou com ajuda providencial do goleiro De Gea, que falhou em chute aparentemente fácil.
O problema é que Cristiano Ronaldo também é o único jogador fora de série em uma seleção com, no máximo, bons jogadores. E a Espanha, a despeito de todo o turbilhão que enfrentou nos bastidores nos últimos dias com a demissão de Julen Lopetegui do comando técnico, é um time mais coeso e qualificado.
| Hannah McKay/Reuters |
| Cristiano Ronaldo comemora com gesto característico seu terceiro gol marcado contra a Espanha |
Os campeões do mundo de 2010 dominaram a maior parte da partida. O "veterano" Iniesta demonstrou que segue jogando o fino da bola, David Silva levou medo à frente da área portuguesa e o novato Isco mostrou que, se lhe derem espaço, ele encontra o caminho do gol - um chute que sacudiu a baliza no primeiro tempo foi a melhor demonstração disso.
Na "Fúria", porém, ninguém exigiu mais da defesa de Portugal do que o brasileiro naturalizado espanhol Diego Costa. Se fracassou na Copa do Mundo de 2014, quando passou em branco, desta vez ele não decepcionou. Ainda no primeiro tempo, ganhou de Pepe pelo alto, tirou três zagueiros para dançar em frente à área e marcou o seu primeiro gol em Mundiais. No segundo, concluiu para a rede de dentro da pequena área para empatar a partida.
Nacho, em um lindo chute de fora da área aos 12 minutos do segundo tempo, colocou os espanhóis pela primeira vez à frente no placar. Mas a campeã mundial de 2010 não esperava que Cristiano Ronaldo aparecesse novamente. Quase no final, aos 42, o atacante português sofreu falta de Piqué na entrada da área, pelo lado direito, e se preparou muito para a cobrança. Com precisão, mandou a bola pelo lado de fora da barreira - Busquets quase a alcançou de cabeça - e a viu entrar no ângulo esquerdo alto de De Gea, que nem foi para a defesa e só ficou olhando. O grande duelo e a bonita festa deixaram claro que a Copa do Mundo, finalmente, começou.
Após atuação de gala, CR7 enaltece equipe
Astro solitário de Portugal, Cristiano Ronaldo mostrou mais uma vez o quanto a seleção europeia depende de seu talento e foi o nome do jogo, marcando três vezes no empate contra a fortíssima Espanha. O astro, porém, destacou e valorizou o espírito de luta da equipe. "Há que dar mérito à equipe. O time se sacrificou bastante e vamos acreditar até o fim. Foi apenas a primeira partida e jogamos contra uma das favoritas, mas Portugal se saiu bem e demonstrou que vai jogar até o fim", disse Cristiano Ronaldo, único jogador de seu país a disputar quatro Copas do Mundo.
Portugal teve chances para vencer uma das potências do Mundial, mas CR7 não vê os portugueses como um dos favoritos na Copa. "Vamos tentar passar pela fase de grupos, sabendo que é complicada, e pensar jogo a jogo. Não somos favoritos, mas somos candidatos. Vamos dar o nosso melhor na quarta-feira, queremos um bom resultado contra Marrocos para dar um passo rumo à fase seguinte. A equipe está bem", declarou.
CR7 iguala marca de Pelé
Até 15 de junho de 2018, Cristiano Ronaldo tinha três gols em 13 jogos de Copa. No torneio em que menos brilhou na carreira, acumulava marca medíocre para quem está acostumado a quebrar recordes, vibrar e se exibir com eles. Em um jogo, dobrou a marca ao fazer os três gols do empate contra a Espanha, ontem, também igualou um feito de Pelé - gols em quatro Mundiais seguidos - e superou o seu rival na era, o argentino Lionel Messi, que fez cinco até agora em Copas.