08 de julho de 2026
Geral

Obesidade não percebida


| Tempo de leitura: 1 min

Uma pesquisa recém-publicada, realizada por uma equipe da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), constatou que uma parcela significativa dos pais tem dificuldade para apontar se o peso dos filhos é normal ou não. No geral, eles erram - e para menos.

"Os adultos têm dificuldade para perceber, precocemente, o excesso de peso infantil", diz a nutricionista Sarah Warkentin, que liderou o estudo. "Isso pode ser ruim porque uma criança com excesso de peso tem mais chances de se tornar um adulto obeso e de desenvolver doenças associadas à obesidade."

Sarah e sua equipe chegaram a essa conclusão depois de conversar com pais de 976 crianças, com idades entre 2 e 8 anos, que estudavam em colégios particulares de São Paulo e Campinas. Dados como peso e altura das crianças estavam disponíveis nas agendas escolares dos estudantes, mantidas pelas escolas. Aos pais, Sarah e seus colegas aplicaram um questionário. As perguntas versavam sobre os hábitos alimentares da criança e queriam saber se, na opinião dos pais, elas estavam "magras", "muito magras", com peso "normal", "ligeiramente gordas" ou "gordas".

As conclusões sugerem que os genitores são péssimos avaliadores da saúde nutricional dos seus pequenos: 48% dos entrevistados erraram na avaliação; desses, 45% subestimaram o peso da criança. A frequência do erro foi maior, inclusive, entre os pais das crianças mais gordinhas: 60% dos pais cujos filhos foram classificados como "extremamente obesos" pelos pesquisadores disseram achar que a criança tinha peso normal.

"Os pais avaliam o peso dos filhos por meio de comparações com os coleguinhas. Conforme o número de crianças com sobrepeso aumenta na população, essa noção de normalidade muda", diz Sarah.