| Malavolta Jr. |
| Personalidade forte: Carlos Roberto Cardoso de Alcântara promete um Norusca mais imponente |
Em maio deste ano, Bauru conheceu o novo treinador do Noroeste. Há duas décadas como técnico, Carlos Roberto Cardoso de Alcântara, o Betão Alcântara, assumiu a equipe com a proposta de levar o Norusca ao acesso no ano que vem. Não por menos, pois além de ser o atual campeão da série A3 e levar o Atibaia ao acesso à Série A2 do estadual, ele contabiliza, nos últimos três anos, três acessos, com Fernandópolis, Rio Preto e Atibaia, e é considerado um dos "reis do acesso" do futebol brasileiro. Antes da carreira como técnico, o menino de classe média alta nascido em Guará, pequena cidade na região de Ribeirão Preto, morador da zona rural, já demonstrava intimidade com a bola.
Influenciado pelo pai e pelo irmão mais velho, ele começou no futebol como jogador pelo XV de Jaú, na época de ouro da equipe. Ainda no juvenil do time, ele foi convocado para a Seleção Sub-20 do Brasil, onde conquistou títulos. Pouco tempo depois, vendido ao América do México, fez história por lá.
Finalizou a carreira como jogador somando 158 gols, 80% deles de fora da área. Era conhecido pelas finalizações violentas de médias e longas distâncias e atleta que dava qualidade ao último passe. De personalidade forte, Betão fala de modo descontraído ao JC sobre a vida e carreira, impressões sobre a Copa, palpites na Seleção, a nova cara que quer dar ao Noroeste e até as curiosidades de sua rotina, como imagens que carrega para proteção e as superstições nos dias de jogos.
Jornal da Cidade- Como foi que o sonho de menino em ser jogador de futebol se tornou realidade?
Betão Alcântara - Quando criança jogava bola por prazer e lazer, naquela época não havia TV ou muitas opções. Eu pensava que, se não fosse jogador, seria agricultor, como meu pai. Quando completei 15 anos, fui estudar em um colégio particular em Ribeirão Preto e acabei repetindo o ano, porque matava aula para ver futebol. Na época, cheguei até a fazer um teste no Botafogo, mas fui reprovado. E acabei voltando para Guará ajudar meu pai. Uns seis meses depois, ainda em 1978, fiz outro teste, no XV de Jaú, e passei, iniciando no juvenil (hoje, Sub-17). Meu irmão, Paulinho, que jogava pelo Vasco, também acabou indo para o XV na mesma época.
JC- Quando foi que a convocação para a Seleção aconteceu?
| Arquivo pessoal |
| Fora do gramado, Betão Alcântara se mostra marido e pai atencioso e cercado pela fé cristã; na foto, com a esposa Fátima Alcântara, durante viagem recente a Aparecida p ara agradecer as conquistas |
Betão - Em 1979, atingi o Sub-20 e, 4 meses depois, fui aprovado para o profissional. Eu era meia-armador, assim como meu irmão Paulinho, e acabei pegando o lugar dele. Foi um pouco complicado na época, eu não gostava da situação. Em 1980, perdemos o Campeonato Brasileiro, mas eu acabei convocado para a categoria Sub-20 da Seleção. Conquistamos o Torneio Internacional de Ribeirão Preto, vencendo o Paraguai por 2 a 0 na final, com um gol meu. Também pela Seleção fui vice-campeão do Sul-Americano no Equador. Depois, acabei vendido do XV para o América do México.
JC - Como você encerrou sua carreira de atleta?
Betão - Joguei um bom tempo pelo América do México e me destacava, mas não tinha muito preparo psicológico. E, naquela época, a mídia não cobrava tanto quanto hoje. Eu não tinha muito juízo e acabei gastando muito com festas, comprava carros... Enfim, mas encerrei minha carreira com 158 gols, 80% de fora da área, algo difícil de ver hoje em dia.
JC- A Copa 2018 trará alguma novidade ao futebol em aspectos técnicos e táticos?
Betão - Acredito que sim. Alguns treinadores têm tido mais liberdade e dado mais a cara deles às equipes no aspecto técnico e tático, o que indica uma flexibilização de algumas diretorias, clubes. Taticamente, a linha com 5 jogadores ao invés de quatro, aplicada por times como a Inglaterra e Suíça, com a marcação mais forte, também é algo novo por aqui e curioso. Quero ver como eles se sairão na parte ofensiva.
| Malavolta Jr. |
| Betão Alcântara sempre leva imagens de Nossa Senhora e Jesus crucificado como proteção nos jogos |
JC- Como você avalia as convocações da Seleção? Jogadores importantes ficaram de lado?
Betão - Em minha humilde opinião, acho que o Tite acertou 90%, mas foi um pouco incoerente no argumento da convocação do Taison, ao invés do Luan, que é o melhor jogador da América. Ele disse que o Taison era mais experiente por ter jogado muito tempo na Europa. Só que não usou este mesmo pensamento para a convocação do Fagner, que nunca jogou na Europa. O Rafinha era um dos preferidos e jogou há 13 anos no Bayern de Munique, mas não foi chamado. Sobre o Neymar, não o conheço bem, mas ele parece muito individualista e egoísta no modo de jogar, o que pode ser um ponto negativo para Seleção. O Tite terá que trabalhar isso.
JC - O que você espera desta Copa? Acha que vai dar hexa, algum palpite ou favoritos?
Betão - Para mim, as feras desta Copa mesmo são Cristiano Ronaldo e Messi. Eu torço para que o Brasil conquiste o hexa, claro, mas acho muito difícil acontecer. A Espanha, a Alemanha, a Argentina e até a Bélgica estão muito fortes.
JC- E quanto ao Norusca? O que podemos esperar para a Copa Paulista e próximos campeonatos?
Betão - Iniciaremos amanhã (anteontem) a preparação física dos jogadores. No papel, o elenco é muito bom e experiente, eu diria que é o mais forte dos meus últimos três ou quatro clubes. Mas é preciso fazer dar liga. Só o dia a dia no campo vai dizer. O nosso foco é o acesso no ano que vem. Aqui, seremos uma família, prezo pela amizade e lealdade. Vocês podem esperar um Noroeste mais imponente. Fizemos isso com o Atibaia, que nem estádio tem.
| Du Lustosa/ Assessoria Atibaia |
| Na comemoração pela conquista do título da série A3 do Paulista, jogadores do Atibaia erguem o técnico Betão |
JC - Alguma reza, amuleto ou superstição para dar aquele empurrãozinho na vitória?
Betão - Sempre! Sou católico e costumo rezar um Pai Nosso e uma Ave Maria antes de sair de casa para os jogos. E carrego no bolso todo dia uma miniatura de Nossa Senhora, que encontrei na rua, além de uma cruz com Jesus, que era de um terço. E tem outra coisa também: nos campeonatos, se começarmos com vitória, eu repito a calça, a cueca e o tênis pelo restante dos jogos. Minha esposa até já sabe. Acabou o jogo com vitória, é correr para a máquina de lavar para dar tempo de colocar as mesmas peças na próxima partida (risos)!
PERFIL
Nome: Carlos Roberto Cardoso de Alcântara
Idade: 56 anos
Signo: Escorpião
Pais: José Francisco de Alcântara (em memória) e Maria Alice Cardoso de Alcântara (em memória)
Irmãos: Paulo, José Ricardo, Mara e Ângela
Esposa: Fátima Alcântara, 54 anos
Filhos: Vitor, 29 anos, e Genilson, 30 anos
Time: São Paulo
Filme: À Espera de um Milagre
Música: Bee Gees
Livro: Se Houver Amanhã
Nota 10: Para os pais
Nota 0: Para os políticos brasileiros
Contato: Betão Alcantara (Facebook)
Experiência: Comandou Inter de Limeira, Monte Azul, Matonense, Rio Verde-GO, Anapolina-GO, Marília-SP, América-SP, Volare Hamamatsu-JAP, Linense-SP, Rio Preto-SP, Jataiense-GO, Olímpia e Atibaia (2018).
Experiência
Ele também já comandou Inter de Limeira, Monte Azul, Matonense, Rio Verde-GO, Anapolina-GO, Marília-SP, América-SP, Volare Hamamatsu-JAP, Linense-SP, Rio Preto-SP, Jataiense-GO, Olímpia e Atibaia (2018).