09 de julho de 2026
Geral

Bauru recupera mais de um terço dos empregos perdidos desde 2015

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

Samantha Ciuffa
Demitida no ano passado, Ane Shirley Araújo foi contratada por uma rede de lojas de cosméticos

Os cinco primeiros meses de 2018 registraram resultados animadores para a economia e, principalmente, para quem está em busca de recolocação no mercado de trabalho. De janeiro a maio, Bauru recuperou mais de um terço dos empregos perdidos entre 2015 e 2017, anos em que houve intensa extinção de vagas em meio a um País mergulhado na crise.

Segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgado nesta semana pelo Ministério do Trabalho, foram 3.468 novas vagas com carteira assinada criadas na cidade nos primeiros cinco meses deste ano. Este foi o melhor resultado para o período nos últimos oito anos.

Em 2010, quando o País registrava excelentes índices econômicos, 4.178 postos de trabalho formais haviam sido gerados entre janeiro e maio. Porém, apesar de expressivo, o saldo alcançado em 2018 não foi suficiente para recompor todas as 8.285 extintas entre 2015 e 2017.

"E é justamente por isso que, no dia a dia, a gente ainda ouve muita gente reclamando. As pessoas não têm a sensação de melhora porque a recuperação é lenta. E há, ainda, um aspecto psicológico: a situação política do País acabou com a autoestima e a motivação do brasileiro. Há um clima de muito negativismo ainda", analisa o economista Adriano Fabri.

Assim como em Bauru, o saldo de emprego também foi positivo no Brasil, com a criação de 381.166 vagas formais, sendo 142.189 somente no Estado de São Paulo. Mas, para Fabri, o desempenho destacado do município é reforçado por alguns números. Um deles é a ascensão em 2018, da 16.ª para a 15.ª posição, entre os maiores centros em potencial de consumo no Estado, segundo levantamento realizado pelo IPC Marketing e divulgado pelo JC.

Outro é a renda per capita da população economicamente ativa, de R$ 28.411,00 anuais, acima da média do Interior do Estado e da Grande São Paulo. "Não dá para dizer, portanto, que a qualidade das vagas de emprego oferecidas em Bauru são ou estão ficando ruins", pontua.

SERVIÇOS E CONSTRUÇÃO

Na cidade, quem puxou a alta do nível de emprego neste início de ano foi o setor de serviços, com 2.483 postos de trabalho gerados, seguido pela construção civil, com 1.150 vagas. Em contrapartida, o pior resultado foi o do comércio, com fechamento de 256 vagas.

"Esta não é, de fato, uma época em que o comércio cria um grande número de vagas, já que a maioria das pessoas, com a renda comprometida com o pagamento de uma série de contas no início do ano, acaba diminuindo o consumo", detalha Fabri.

O economista atribui o bom resultado dos outros segmentos ao entendimento de boa parte do empresariado sobre a necessidade de retomada dos investimentos, após anos seguidos de contenção de gastos em razão da crise. "Foram anos de cortes de treinamentos, investimentos e funcionários. Agora, mesmo diante das incertezas no cenário político, se o empresário continuar sucateando seu negócio, esperando o momento econômico certo, ele sabe que vai quebrar", observa.

EXCEÇÃO

Nem a queda do nível de emprego no comércio impediu Ane Shirley Gonçalves Araújo, 34 anos, de conquistar uma vaga como supervisora de vendas em uma rede de lojas de cosméticos no início do ano. Administradora de empresas e pós-graduada em gestão de pessoas, ela enfrentou dificuldades para se recolocar no mercado, quando foi demitida da multinacional onde trabalhou por quatro anos.

"Fiquei desempregada em setembro e, desde o primeiro dia, comecei a mandar currículos. A recolocação não foi fácil, mas acabei ingressando em uma área, de vendas e cosméticos, em que eu não tinha experiência. O salário permaneceu praticamente o mesmo, mas as responsabilidades que eu assumi são muito maiores agora", comenta.