11 de julho de 2026
Geral

Mais de 100 munícipes serão notificados para recuperar área de futuro parque

Cinthia Milanez
| Tempo de leitura: 3 min

Samantha Ciuffa
Sidnei Rodrigues ainda não aponta o custo do parque

Mais de 100 munícipes serão notificados para recuperar a Área de Preservação Permanente (APP) em toda a extensão do Córrego Água do Sobrado, na região do Joaquim Guilherme, no final da rua Bernardino de Campos, em Bauru, ainda neste mês. Os proprietários dos terrenos terão a opção de realizar o replantio por conta própria ou doar parte destes locais para que a prefeitura o faça.

Titular da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma), Sidnei Rodrigues explica que a pasta concederá prazo de 30 dias (que pode ser prorrogado, caso o munícipe apresente justificativa plausível), para que este mostre o projeto de recuperação, a ser avaliado pela própria secretaria.

Douglas Reis
Projeto de urbanização será em área de 30 mil metros quadrados

Ainda de acordo com Rodrigues, o novo Código Florestal prevê que 50 metros de cada margem de qualquer córrego sejam transformados em APP, sob pena de multa. Só agora, a Semma decidiu notificar os munícipes do entorno do Água do Sobrado, com três quilômetros de extensão, porque pretende dar início ao projeto de construção de um parque linear, já previsto no Plano Diretor e, consequentemente, uma das prioridades da pasta.

Entretanto, o secretário ainda não fala em custos. "Estamos levantando o tipo de material que vamos usar na confecção das calçadas e ciclovias", justifica.

E o primeiro passo deste projeto maior é, exatamente, a recuperação da APP em torno do córrego. "O ideal seria que os proprietários doassem estas áreas à prefeitura, para que façamos o replantio até dezembro, época chuvosa e, portanto, favorável à ação", acrescenta.

SANÇÃO

Se nada for feito - os proprietários não doarem as áreas e também deixarem de desenvolver o projeto de replantio -, haverá multa. "O valor deverá variar de acordo com o grau de degradação ambiental", revela.

Caso o município fique responsável pela recuperação de toda a APP, Rodrigues garante que a oferta de mudas dos dois viveiros municipais deverá suprir a demanda, sem qualquer gasto adicional.

O secretário diz, ainda, que alguns proprietários dos terrenos nas imediações do córrego sugeriram que o município desapropriasse parte destes locais, com o intuito de transformá-los em APP, porém, o investimento ficaria na casa dos R$ 10 milhões e a prefeitura não tem orçamento para tanto.

URBANIZAÇÃO

O segundo passo do projeto de construção de um parque linear, na região do Joaquim Guilherme, é a urbanização de uma mata, pertencente à prefeitura e situada em uma das duas nascentes do córrego. A expectativa é de que as obras comecem no ano que vem, com os recursos do ICMS Ecológico, ou seja, os R$ 800 mil anuais pagos pela Estação Ecológica, anexa ao Horto Florestal, ao município.

Responsável pela planta, a arquiteta Raquel Biem Mori informa que o terreno, de 30 mil metros quadrados, fica entre as ruas Bernardino de Campos e Maria Honória D'Ávila Engler. A ideia é construir, no local, ciclovia, calçada, área de alimentação e, até mesmo, um espaço pet, destinado aos animais de estimação e algo inédito na cidade.

"A praça, que fica em frente à mata, também passará por melhorias, que terá iluminação, bancos novos e academia ao ar livre", acrescenta.

Douglas Reis
Carlos Alberto Bini também quer melhorias para praça

Quem ficou contente com a notícia foi o bancário Carlos Alberto Bini, de 51 anos, que vive na rua Antônio Luiz Buzolin Júnior, em frente à praça. "Antes de qualquer coisa, creio que o município deveria investir em iluminação, porque a sensação de insegurança é grande no entorno do espaço", comenta.

O funcionário público aposentado Ademar Costa dos Santos, que mora na quadra 1 da rua Celestina Gomes Morales, concorda com o vizinho. "Nós teríamos dois espaços".

Mea-culpa

De acordo com o secretário Sidnei Rodrigues, algumas áreas em toda a extensão do Córrego Água do Sobrado pertencem ao município, que também não fez o replantio em sua margem, como previsto no Código Florestal. Agora, a pasta pretende ''correr atrás do prejuízo' e garante que as mudas dos dois viveiros municipais são suficientes para atender a demanda.