09 de julho de 2026
Articulistas

O sonho não acabou...

Padre Leonildo Minutti Junior e Diácono José Rafael Mazzoni
| Tempo de leitura: 3 min

Quando cheguei como administrador na Paróquia Universitária estava programada uma comemoração dos 90 anos de "Madre" Olívia Santarosa. Eu a conhecia pessoalmente, mas nunca tive a oportunidade de trabalhar com ela. Mas, através dos inúmeros comentários, ainda hoje tão falado, constatei a importância dela não só para o Instituto das Apóstolas do Sagrado Coração, como para a Igreja e, particularmente, para a Paróquia Universitária do Sagrado Coração de Jesus.

Ela administrou o Instituto numa fase considerada difícil, época pós-conciliar, onde houve um esvaziamento nas instituições religiosas, sendo que isto não aconteceu de forma desastrosa com as Apóstolas, pelo contrário. Através de sua mão firme e ajudada pelas forças divinas, fez o Instituto crescer, enquanto algumas congregações se encerraram em diversos lugares suas casas. Enquanto isso, o IASCJ se fez presente em outras regiões do Brasil e além mundo.

Ao deixar o cargo de provincial do Instituto ela veio transferida para a Universidade do Sagrado Coração, que tinha acabado de se tornar universidade. Mesmo com toda a competência administrativa daquela época que dirigia a instituição acadêmica, precisava de uma superiora que entendesse tanto de Instituto como de vida universitária. Aspirando o sonhos das irmãs, ela se pôs na frente em todas as situações para que a universidade se consolidasse e tivesse o devido respeito não só de Bauru e região, mas também de todas as partes do Brasil.

Mas a presença da irmã Olívia e o seu jeito de acreditar no futuro, fez com que ela assumisse pela USC, e também pelo Instituto, a consolidação do sonho do bispo Dom Aloysio José Leal Pena, de implantar uma paróquia universitária e um santuário diocesano, cuja principal função era ser um espaço de Fé e Cultura, principalmente para a cidade de Bauru, uma cidade que se projetava como cidade universitária. Através de inúmeras promoções, inclusive com a venda de sonhos, que na madrugada, com suas companheiras, faziam e vendiam para angariar fundos para a construção do santuário, cujo terreno era uma permuta entre a Diocese e o Instituto. Permuta esta, feita graças a sua interferência (palavra da madre sempre foi respeitada, ela sabia "mandar").

A comunidade paroquial, assim como os vários registros nas crônicas, em especial no Livro do Tombo, mostram o trabalho missionário dessa irmã e apóstola. Por isso também anualmente um grupo de pessoas da paróquia, em excursão, a visitava na época do seu aniversário para cantar os parabéns. Neste ano ouvi algumas pessoas que estiveram com ela, que as recebeu, um tanto debilitada, mas com muito carinho, com o terço na mão, sempre rezando por todos e, em especial, pela nossa comunidade paroquial.

Madre Olívia, ou irmã Olívia, como ela preferia, partiu no mês do seu Sagrado Coração. Não esperou a solenidade aqui. Preferiu passar essa data lá nas glórias celestes. Aqui ficou, em cada tijolinho, sua participação. Por isso, de uma forma simples e singela, como ela sempre foi, afeta às homenagens e bajulações, escolhemos um pequeno espaço de oração, que sempre lembrará seu grandioso coração, um oratório, onde estão colocadas as diversas imagens que temos adquirido ou recebido.

Neste espaço perpetuado, solenemente abençoado, no dia da Solenidade de São Pedro e São Paulo, pelo seu primo irmão, nosso bispo emérito Dom Caetano Ferrari, OFM, será uma certeza de que no céu ganhamos uma santa que continuará cuidando de nós, os seus, e nos animará na caminhada certos de que "o sonho não acabou..."