| Samantha Ciuffa |
| Para Luiz Carlos Motta, só com o desenvolvimento das indústrias será possível gerar empregos |
"A reforma trabalhista, anunciada como modernidade das relações trabalhistas, só gerou desemprego e insegurança jurídica para os trabalhadores e as empresas". A afirmação é do sindicalista Luiz Carlos Motta, licenciado da presidência da Federação dos Comerciários do Estado de São Paulo e da presidência estadual da União Geral dos Trabalhadores (UGT).
Em visita a Bauru nesta semana para encontro com lideranças políticas da região, ele visitou o espaço Café com Política do Jornal da Cidade, onde criticou os efeitos da reforma, sancionada há quase um ano, em 13 de julho, pelo presidente Michel Temer.
"A lei é inconstitucional e o resultado é um grande número de ações trabalhistas no Judiciário. Em uma canetada, o governo tirou direitos dos trabalhadores, tentou acabar com a estrutura sindical. É um absurdo", considera Motta, que é pré-candidato a deputado federal pelo PR.
Para o sindicalista, as alterações impostas pela reforma contribuíram para travar a recuperação econômica do País em 2018. Nesta semana, inclusive, o Banco Central anunciou a redução da previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do País para 2018, de 2,6% para 1,6%.
Ainda na área econômica, o pré-candidato demonstra preocupação quanto aos níveis elevados de desemprego no Brasil, especialmente no setor do comércio, que tem enfrentado maiores dificuldades para gerar novos postos de trabalho. "A categoria dos comerciários sofre mais porque a rotatividade é muito grande. O jovem usa como primeiro emprego, como trampolim para conseguir algo melhor", opina.
Para contornar a crise, Motta defende que haja maior investimento nos setores produtivos, ponderando que somente com o desenvolvimento das indústrias será possível gerar empregos. "Temos conversado com as centrais sindicais e apresentado projetos para o governo neste sentido", diz.
BANDEIRAS
Em 2014, o sindicalista foi candidato a deputado federal pelo PTB e tornou-se primeiro suplente. Agora pelo PR, apoia a reeleição do governador Márcio França - o partido ainda não tem candidato definido para as eleições à presidência. "O cenário ainda é muito incerto, a menos de quatro meses das eleições. Ninguém sabe quem serão os candidatos. Há muitas discussões, mas nada definido", observa.
Como pré-candidato em 2018, Motta quer engrossar o número de representantes dos trabalhadores na Câmara dos Deputados. Segundo ele, o índice, atualmente, não chega a 10% dos parlamentares. Entre suas bandeiras, o sindicalista destaca a defesa da reforma tributária e da revisão da tabela do imposto de renda, bem como a valorização do comércio para gerar mais empregos e melhoria de vida aos comerciários.
"A carga de impostos que o trabalhador paga é muito grande e é preciso haver uma melhor distribuição destes recursos entre as três esferas de governo. É preciso haver uma rediscussão também sobre a tabela do IR, porque o trabalhador perde qualquer ganho salarial, se ultrapassa uma determinada faixa. Da mesma forma, a reforma da previdência também precisa ser discutida e instituída de maneira igualitária para todos. Sou contra a proposta atual", acrescenta.
Presidente do Sindicato dos Comerciários em Bauru, Cilso José de Moraes manifestou apoio à pré-candidatura de Motta. "Ele é uma pessoa muito íntegra, honesta e uma liderança para os comerciários, que precisam ter alguém que os defenda no Congresso Nacional", afirma.