10 de julho de 2026
Articulistas

Passeio pela Copa do Mundo

João Pedro Feza
| Tempo de leitura: 2 min

O título acima engana. A ideia, aqui, é falar de uma outra Copa que é do mundo. A que fica na Avenida Atlântica. Com seu tapete-calçadão de pedras portuguesas. Uma que podemos conhecer a partir da divisa com o Arpoador, que é da forma que eu gosto. Do final para o começo, caminhar pela praia. Nem tudo está sem rumo no Rio.

Ao lado de uma feira-peixaria, o Forte de Copacabana. Mais de dez mil visitantes por mês. Com seu museu histórico-militar e uma vista de paz. Com seu azul sem pretensões. E uma famosa confeitaria (tão boa quanto salgada). Ali bem perto, rodízio de petiscos. Tudo em cumbucas para preencher a mesa toda. Mas ainda é cedo e isso aqui não é guia gastronômico nem hoteleiro. Apenas... passeio.

Até a parada turístico-estratégica no banco-estátua: Carlos Drummond de Andrade. Ali, ele a tudo observa (bom que os vândalos saibam). Na base do banco, a mensagem do poeta: "No mar estava escrita uma cidade". Uma cidade que é de todos os brasileiros, assim como Copacabana - talvez o mais famoso bairro-praia do mundo.

Nunca fui militante dessa coisa de Rio versus São Paulo. Pelo contrário, devemos usufruir do que há de melhor nas metrópoles, que nossas também são. Copa é um cartão postal eterno - ainda que a violência tente abreviar seu encanto. Andar. Já vi futebol em Copa: areia-gramado. Dá para se ver do quiosque-arquibancada. O filme "Bossa Nova", com Antônio Fagundes, e a comédia "Mato Sem Cachorro", são dois dos muitos que mostram cenários dessa orla-paraíso.

Parada-deslumbramento: em frente ao Copacabana Palace. Ali vi o cerco de fechar, gente se aglomerar, e um beatle sair pela porta principal para seu minuto-eternidade com os fãs. Copacabana também tem a nova sede do Museu da Imagem e do Som, mas as obras ficaram interrompidas por conta da crise e não sei se terminaram.

Faz um tempinho que não caminho num domingo por Copa, mas é certo que uma joia arquitetônica continua por lá, na divisa com o Leme: o edifício OK, hoje Ribeiro Moreira, ao lado da Praça do Lido. Erguido em 1928, belo em seu estilo art-decó, foi o primeiro arranha-céu (como se dizia) da capital fluminense. Hoje, não parece tão alto assim. Ninguém, aliás, parece hoje olhar para ele.

Eu, não. Vejo toda uma vida fervilhando ali. Essas pessoas do passado, em imagens sem cores, elegantes com seus chapéus chiques e roupas de cortes precisos. Todas no restaurante do Edifício OK, ao nível da calçada, para curtir o visual do mar - e do mar de gente na avenida. Todos como a formar uma torcida única pelo futuro. O começo de tudo na Copa do Mundo.