10 de julho de 2026
Geral

Emoções na Copa aumentam risco de problemas no coração, dizem pesquisas

Tisa Moraes e Marcus Liborio
| Tempo de leitura: 7 min

Nesta segunda-feira, a partir das 11h, os brasileiros serão submetidos a mais um teste cardíaco, quando o Brasil joga contra o México pelas oitavas de final da Copa do Mundo. Para alguns expectadores, expressões conhecidas do mundo da bola, como "haja coração", acabam sendo literais, já que pesquisas mostram que problemas cardíacos tendem a aumentar durante as partidas.

Neste ano, o Centro de Estudos do Sistema Nervoso Autônomo da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Marília elaborou um levantamento sobre estudos realizados em todo o mundo a respeito do tema. Além disso, fez comparações envolvendo o número de mortes por problemas cardíacos em jogos do Brasil na Copa de 2014, além de monitorar os batimentos de um torcedor durante a segunda partida da Seleção no Mundial da Rússia, contra a Costa Rica, no dia 22 de junho passado.

O pico foi registrado no primeiro gol do Brasil: foram cerca de 160 batimentos por minuto, bem acima do patamar considerado normal, que oscila entre 60 e 100 batimentos. "Os riscos de problemas cardíacos são maiores para os torcedores fanáticos, que se envolvem com os jogos, e que tenham hipertensão ou problemas cardiovasculares", alerta o coordenador do centro de estudos da Unesp de Marília, o professor Vitor Engrácia Valenti.

Ele explica que o grupo compilou cerca de 30 pesquisas realizadas em vários países do mundo e, destas, foram selecionadas seis, considerando a relevância científica das publicações. Uma delas, veiculada no renomado "The New England Journal of Medicine", analisou as ocorrências cardíacas em torcedores alemães na Copa do Mundo de 2006, realizada naquele País.

O resultado? A incidência de complicações cardiovasculares - incluindo arritmias e infarto agudo do miocárdio - foi 2,66 vezes maior nos dias de jogos da Alemanha, na comparação com os outros dias de competição.

PRECAUÇÃO

Reuters
"Haja coração": recomendação é que o torcedor procure um médico para ter certeza de que está com a saúde em dia

No Brasil, um estudo realizado pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (USP) constatou que a incidência de infarto agudo do miocárdio no País chega a ser até 8% maior durante os jogos da Seleção na Copa. A pesquisa considerou dados do Sistema Único de Saúde (SUS) relacionados às internações hospitalares entre os anos de 1998 e 2010.

Já o centro de estudos da Unesp de Marília iniciou, há algumas semanas, levantamento sobre a Copa de 2014, a partir dos dados sobre mortes por problemas cardíacos contabilizados pelo Datasus. Durante o jogo em que o Brasil ganhou de 4 a 1 contra Camarões, por exemplo, foram 20 óbitos, número bem menor do que o registrado no dia do fatídico 7 a 1 conta Alemanha.

"O jogo contra Camarões foi mais fácil. Já contra a Alemanha, o número de mortes subiu para 29. Percebemos que, em um jogo com mais emoção e estresse, a incidência de óbitos tende a crescer significativamente", observa Valenti.

CARGA DE ADRENALINA

Momentos de grande emoção e tensão, como nos jogos de futebol, geram descargas de adrenalina no organismo, que desencadeiam alterações fisiológicas, como o aumento dos batimentos cardíacos e da pressão arterial, e podem resultar em infarto e até na morte. Segundo o professor, o objetivo do alerta não é fazer com que os torcedores deixem de ver os jogos, mas sim para que procurem saber como manter o coração inteiro até o fim da Copa do Mundo.

"Se a pessoa não sabe se tem problemas cardiovasculares, mas tem fatores de risco, como circunferência abdominal maior ou obesidade, a recomendação é procurar um médico e fazer exames rotineiramente para ter certeza de que está com a saúde em dia. Precaução, nesta época de jogos, é a melhor medida", completa.

Com homenagem a Neymar, 'O Som da Copa' dá tom otimista pelo hexa

Samantha Ciuffa
Cantor e compositor, Evandro Fernandes lançou canção com tom otimista na conquista da Copa

Amanhã é dia de decisão para a Seleção (veja no quadro abaixo como fica a rotina da cidade) e o cantor e compositor bauruense Evandro Fernandes está tão otimista na conquista do hexa que lançou a sua segunda canção para exaltar a Copa do Mundo. A primeira, "Brasil - Falta Você", lançada em 2014, celebrava a realização do torneio no Brasil e buscava uma reflexão sobre as manifestações contra o Mundial. Desta vez, a letra de "O Som da Copa", além do tom de esperança e vitória, presta homenagem ao jogador Neymar.

"A taça da Copa do Mundo vai ter que ser nossa. A bola nos pés de Neymar é gol Brasil, a taça é nossa. Vinte e três jogadores valentes, Neymar tá na frente", diz trecho da canção. "Porque ele é a grande estrela do time. Admiro muito ele como atleta", justifica Fernandes, lembrando que o título da música é o mesmo usado pelo então repórter do JC Wagner Teodoro (hoje, editor de Esportes do JC), em matéria publicada para divulgar a primeira composição do cantor, há quatro anos.

Fernandes detalha que foram usados 23 instrumentos na gravação do samba, cujo videoclipe, inclusive, já está disponível no Youtube e pode ser acessado através do link https://www.youtube.com/watch?v=C1esWZGluBw. "O meu sonho é ouvir o nosso povo, que gosta tanto de futebol, cantando a minha música. Ela foi composta com objetivo de alegrar um pouco essa minha gente, que sofre tanto com corrupção e pobreza".

O cantor e compositor de Bauru ressalta ter diversas composições em sua carreira, que começou ainda na adolescência. "Sou músico desde os 15 anos, quando ganhei um violão de aniversário. Foi aí que descobri a minha paixão pela música e comecei, então, a exercitar esse meu dom no dia a dia", conta Fernandes, dizendo ser fã de um bom samba, rock e MPB.

O entusiasmo para a musicalidade é o mesmo quando o assunto é a Copa. "Eu acredito no Brasil campeão. Sou muito fã de futebol e dessa equipe do Tite, que, aliás, é um excelente gerenciador de pessoas, de opiniões. Um cara fantástico. Portanto, como sou bastante patriota, creio, sim, que conquistaremos o hexa", finaliza.

Rivalidade sadia entre filho mexicano e pai brasileiro

"Nesse jogo, vou ficar com o coração partido, pois nasci no México, mas fui criado no Brasil. Porém, eu gosto mais é da Seleção Mexicana, porque lá é a minha terra natal". É com a opinião dividida que o centroavante da equipe sub-11 do Noroeste Matheus dos Reis vai assistir ao confronto entre Brasil e México amanhã.

Aceituno Jr.
Jogador mirim Matheus dos Reis e seu pai Elias Luiz dos Reis

O jogo, inclusive, vai gerar uma rixa sadia entre ele e o pai Elias Luiz dos Reis, 34 anos, que, ao contrário do filho, nasceu em terras brasileiras. "Vai ter rivalidade em casa. Vou gritar o gol do Brasil, mas o problema é que ele (o filho) fica bravo quando começo a tirar sarro. Entretanto, não tem jeito: Brasil é Brasil! Vamos ganhar!", banca Elias.

O garoto, que tem 11 anos, faz questão de replicar o comentário. "México é México. Jogo é jogo. Não tem nada definido ainda. Vamos ver na hora", rebate o atleta mirim, dando uma dimensão de como será o clima enquanto as seleções brigam em campo para ver quem avança para as quartas de final do Mundial.

Elias, que, inclusive, também é jogador de futebol, atuou no Necaxa e Pumas, ambos times do México, época em que Matheus nasceu. Por ter nascido lá - embora tenha vivido somente um ano no México -, o menino diz que o seu maior sonho é jogar na Seleção Mexicana. "Na Seleção Brasileira também, mas em primeiro lugar no México", reitera. 

'SEGUNDA CASA'

Ele revela que, embora esteja com o coração partido, se o México for eliminado nesta segunda-feira, passará a torcer pela equipe brasileira. "Aqui é a minha segunda casa", justifica o garoto, que sempre teve apoio da família quando o assunto é jogar bola. "A paixão pelo futebol eu herdei do meu pai", crava. "E eu sempre o incentivei", confirma Elias. 

Quem trouxe o menino para Bauru foi o técnico do sub-11 do Noroeste, Alex Craveiro. Ele atuou como olheiro e descobriu Matheus em Ourinhos, cidade, inclusive, onde ele vive com a família, atualmente. Habilidoso, o centroavante irá defender o Alvirrubro no Campeonato Paulista. "Tem jogo amanhã (hoje). Estou ansioso demais para disputar o torneio". 

CORINTIANO

Corintiano roxo, Matheus tem um motivo a mais para ficar dividido entre Brasil e México, uma vez que Tite dirigiu o Corinthians antes de assumir a Seleção Brasileira.

"É um treinador muito bom. Tenho bastante admiração pelo Tite, porque ele sabe lidar bem com as pessoas, passa confiança aos jogadores e entende muito de futebol", finaliza.